segunda-feira, 29 de novembro de 2010
#063 U2, "How to Dismantle an Atomic Bomb"
Letra e música do Surfista às 08:00 1 comentários
domingo, 28 de novembro de 2010
#062 Deee Lite, "World Clique"

A chegada da MTV Brasil foi uma grande revolução no cenário musical brasileiro. Até então, as rádios FM e sua sólida estrutura de jabás e gravadoras comandavam o que as pessoas ouviam e gostavam. Mas com a chegada de um canal quase que exclusivamente de videoclipes (sim, a MTV passava MUITA música na época), a influência naqueles que gostavam de ouvir novidades foi sensível. A chacoalhada no nosso mercado foi similar a que rolou no mercado de automóveis com a chegada dos importados, no início da década de 90: opções.
E nesse pacotão inicial da MTV, na época ainda importando quase tudo da matriz americana, vieram: Lisa Stansfield, Supergrass, Counting Crows, Spin Doctors, etc. Dentre eles, veio um grupo dance "globalizado" chamado Deee Lite. Insistiam no rótulo globalizado por ser formado pela vocalista americana Lady Miss Kier Kirby, pelo DJ russo Dimitri e pelo DJ japonês Towa Towa. Seu principal single foi com certeza um dos grandes sucessos da década de 90: "Groove is in the heart" até hoje é assídua nas pistas de dança de apelo mais pop. Mas o colecionador de CDs que vos digita não quis saber só do single e comprou o disco, na esperança de expandir a experiência. E foi um certo anticlímax.
Além da faixa famosa, outras 4 músicas são muito boas: "Power of love" (embora a versão do clipe seja BEM melhor do que a do disco), a preguiçosa "Smile on", a contagiante "Good beat" (ótima pra correr inclusive) e a pouco conhecida "Heart be still", que além de gostosa de ouvir tem uns samples legais (especialmente de metais de sopro). Fora isso, o disco deixa a desejar. Claro, 5 músicas boas em 12 é um número expressivo se você considerar uma época onde muitos artistas lançavam discos com no máximo 2 boas, mas as outras na minha opinião eram tão destoantes que ficou essa impressão de ser um disco meia boca.
A música que mais ouvi neste disco
Com certeza, "Groove is in the heart"
Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Apesar de não ser nenhuma sumidade em termos de beleza (aliás, muito pelo contrário), eu na época tinha altos sonhos calientes com a vocalista do Deee Lite. Talvez arroubos de adolescência tardia, talvez falta do que fazer (ou de quem fazer :D)
Um pedacinho do disco:
Letra e música do Navegante às 10:04 4 comentários
Marcadores: dance, mtv brasil, Pop
sábado, 27 de novembro de 2010
#061 Trilha Sonora, "Stealing Beauty"
Era uma festa estranha com gente esquisita, mas eu só tinha pensamentos para uma pessoa. No meio do agito e gente de branco, eu a encontrei deitada no sofá da sala, com uma taça de prosseco na mão e um sorriso bêbado. Ela não permitiu que eu dissesse nada: me puxou pelo colarinho e me deu um beijo longo. "Feliz ano novo, querido". Lembro de cada detalhe por causa da música que estava tocando na tal festa estranha com gente esquisita: "Glory Box", do Portishead. Além de er montado o clima, a canção faz parte de uma das minhas trilhas sonoras preferidas: "Stealing Beaty" ("Beleza Roubada"), do Bernardo Bertolucci.
Para começo de conversa, o CD é absurdamente sensual, a começar pelas três faixas iniciais: "2 Wicky" (Hoover), a citada "Glory Box" ( Portishead) e "If 6 was 9" (Axiom Funk). E no repertório ainda tem Cocteau Twins, Billie Hollyday, John Lee Hooker, Nina Simone e Stevie Wonder horrorizando na clássica "Superstition". O filme é ótimo, mas a trilha sonora é fantástica.
Empate técnico entre "Glory Box" e "Superstition".
Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Quer uma presepada maior do que a já contada na resenha??? Tá de bom tamanho, né?
Ah, encontrei com a musa deste disco outras vezes. Algumas até com "Glory Box" na trilha sonora, mas o caso não andou. Sofri que nem um cão danado, mas a música sobreviveu.
Letra e música do Surfista às 08:30 4 comentários
Marcadores: Billie Hollyday, Blues, Coletânea, Jazz, John Lee Hooker, Nina Simone, Pop, Portishead, Stevie Wonder, Trilha Sonora
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
#060 R.E.M., "Murmur"
Comecei a me encantar com o R.E.M. ao ouvir 'It's the end of the world as we know it', finalzinho dos anos 80. A partir daí, fui voltando na história da banda, a buscar seus discos anteriores. Numa época sem napster, mp3 ou coisa parecida, recorri a um amigo músico, que gravou pra mim uma fita cassete com as prediletas dele. Era realmente uma coletânea, com músicas dos 6 discos lançados pela banda até então. Junto com a fita, uma recomendação: "se quiser ouvir um disco realmente magistral, comece logo pelo primeiro de todos". Dito e feito: fui aos EUA em 1995 numa viagem Miami-Orlando-Disney-eletrônicos-dólar barato, e dentre os quase 20 CDs que trouxe, estava o "Murmur", primeiro longplay da banda (após o sucesso do EP Chronic Town).
Coloquei pra ouvir e fiquei atônito: clima introspectivo, com baixo melódico conduzindo a música, guitarras complementando sem roubar a cena e vocal inspirado com letras cheias de metáforas. Sim, AQUILO era o R.E.M. que eu ouvi na fita cassete, apesar de diferente das que faziam sucesso na época ("Stand" principalmente, do 6º disco - Green). Muito agradável a ouvidos viciados tanto em The Cure quanto em U2. De apelo mais pop, só a faixa de abertura ("Radio Free Europe"), que eu particularmente enjoei rápido. Ouvi o disco inteiro várias vezes, e dou destaque a "Moral Kiosk", "Pilgrimage", "Talk about the passion" (quem curte uma linha deprê com certeza se amarra nessa aqui) e "Shaking through". Além de mim, o fã clube oficial do R.E.M. destaca também "Perfect Circle", a ponto de pedir sua inclusão num acústico MTV da banda nos anos 80.
A faixa que mais ouvi neste disco
"Perfect Circle", pra mim a grande preciosidade desse disco. Até hoje, está no meu Top5 de músicas bonitas
Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Em 2006, passei um fim de semana numa capital do Sul do Brasil. Viagem guerreira: ida de avião e volta de ônibus. Fim de semana memorável, daqueles perdidos no tempo que você sempre vai lembrar com carinho e pedir pra jamais esquecer. A minha anfitriã não conhecia bem R.E.M., que eu fiz questão de apresentá-la. Na época, ela se viciou rapidamente na banda, tornando-se uma das prediletas dela (não sei hoje). E na volta pro Rio, ao ouvir o playlist que eu fiz pra ela, fiquei com "Sitting Still" na cabeça. E é a música que sempre me faz lembrar daqueles dias.
Um pedacinho do disco:
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
#059 Caetano Veloso, "Circuladô Vivo"
Tal e qual um Daniel-san paciente e sedento pela arte da viola, eu aprendia a tocar os pagodes todos. Nada de Eric Clapton ou da Legião Urbana. No meu calvário, a parte legal era trocar figurinhas com a menina, que sacava muito de música e curtia os mesmos sons que eu. Numa dessas, ela me recomendou o "Circuladô Vivo", do Caetano. Chegou a me emprestar o CD duplo e adorei. As bolachinhas eram recheadas de músicas bacanas.
Além dos sucessos do baiano, "Circuladô" tinha Michael Jackson, Djavan, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Bob Dylan, Ary Barroso, Roberto Carlos e até Carlos Gardel. Eu me tornei fã do Caetano e, com o tempo, passei até a aturar as suas polêmicas eventuais. Como artista, o filho da Dona Canô é sublime. Ele expressa a música brasileira como poucos - se você me permite a ousadia do excesso.
Ah, até hoje não sei tocar "Você É Linda", mas o violão ainda está guardado.
A faixa que mais ouvi neste disco
Obviamente, "Você É Linda". Nem preciso explicar, né? Como é bonitinha essa música, tão certinha.
Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Não peguei a colega de aulas de violão. Na verdade, nunca a chamei para sair. Eu era um garoto tímido.
Uma vez, eu tinha vasto interesse em uma mocinha. Sem saber o que fazer, escrevi um bilhetinho com um verso: "Você me deixa a rua deserta, quando atravessa e não olha pra trás".
Um pedacinho do disco:
Letra e música do Surfista às 07:30 5 comentários
Marcadores: Caetano Veloso, MPB
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
#058 Titãs, "Acústico MTV"
terça-feira, 23 de novembro de 2010
#057 Kid Abelha, "Meio Desligado"
Comprei este CD nos tempos de colégio, para variar meus títulos entre rock'n'roll e pop-para-pegar-a-coleguinha. No quesito músicas fofinhas, goste ou não, o Kid Abelha é mestre jedi.
A faixa que mais ouvi neste disco
"Grand'Hotel" é uma canção que foge do universo jovem-praia do Kid Abelha. A canção trata muita maturidade sobre um "quase-amor". Tem um verso muito bonito: "Se a gente não tivesse feito tanta coisa / Se não tivesse dito tanta coisa / Se não tivesse inventado tanto / Podia ter vivido um amor Grand'Hotel". Singelo!
Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Lançado em 1994, um dos destaques de "Meio Desligado" era a música "Eu Tive um Sonho". A música em si não tem nada de mais, porém o clipe era esquisitíssimo e lisérgico. Paula Toller (com cabelos quase brancos) sai de uma piscina e corre para um gramado repleto de anões de jardim e almofadas. George e Bruno tocam entre bichinhos de pelúcia. Deitada no gramado, a cantora é atingida por uma bola de futebol e, em um passe de mágica, surge com o uniforme do São Paulo. Logo é erguida pelo... Raí. Em vez de qualquer romantismo, Raí bota Paula para jogar, fazer aquecimento e alongar. Até dribla a moça. Paula larga Raí e acaba o clipe com... uma orelha. É ou não é o máximo?
Ah, 1994 e Raí te lembram alguma coisa? A Copa dos EUA, talvez? O clipe foi um sucesso e o camisa 10 do São Paulo virou "muso" da torcida feminina.
Um pedacinho do disco:
Letra e música do Surfista às 08:01 5 comentários
Marcadores: Kid Abelha, Pop
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
#056 Paralamas do Sucesso, "Vamo bate lata (ao vivo)"
Em alguns verões da década de 90, um dos grandes programas era ver bons shows na praia. Quase toda semana tinha um, seja em Ipanema (na altura do posto 10), seja no Arpoador. E era quase sempre show de primeira linha, com o que havia de melhor nas rádios cariocas. E num desses shows, tocou o Paralamas. Era a turnê de promoção do Cd 'Vamo batê lata', que continha músicas gravadas ao vivo no Palace, em São Paulo (atual Citibank Hall de lá) e 4 músicas novas num CD bônus. Entre elas, "Uma brasileira", premiada parceria com Djavan (e letra de Carlinhos Brown) que infestou as rádios nacionais pelos idos de 1995.
Fui a esse show sozinho, num domingo no fim da tarde. Até encontrei algumas pessoas perto da ciclovia, mas eu estava ali pra ver o show e não pra ficar na social. Parti pra areia e fiquei lá, cantando todas as músicas, embevecido com o repertório do Paralamas, tão presente na minha adolescência e naqueles dias de verão. Perfeito pra pensar na vida, rever planos, lembrar de pessoas.
Das bandas do pop rock nacional, pra mim o Paralamas é o melhor show, sem sombra de dúvida (o que eu pude comprovar anos depois no show do Sting, aberto pelo Paralamas, que mantiveram o padrão mesmo com seu vocalista numa cadeira de rodas). E uma das que mais me transporta no tempo, qualquer que seja o contexto
A faixa que mais ouvi neste disco
"Trac trac", do argentino Fito Paez, com "Uma brasileira" vindo logo atrás.
Presepada musical ou uma pequena curiosidade
No CD bônus, havia uma música protesto com base no relato de um líder sindical que dissera que no congresso havia "300 picaretas com anel de doutor". Era um tal Luis Inácio 'Lula' da Silva, queridinho da sociedade alternativa pelas idéias comunistas e pela postura radical. Quem diria, hein?
Um pedacinho do disco:
Letra e música do Navegante às 09:17 3 comentários
Marcadores: brock, MPB, paralamas do sucesso, Pop, Rock
domingo, 21 de novembro de 2010
#055 Iggy Pop, "Best of... Live"
Tirem as crianças da sala, pois Iggy Pop está na vitrola – sobrevivendo a todos os excessos lisérgicos, químicos, etílicos, sexuais e musicais dos anos 1970. E neste disco, o cantor apresenta diferentes fases da sua carreira, como músicas da época dos Stooges e da parceria (entenda como quiser) com David Bowie. Tem "China Girl", "1969", "Raw Power" e "The Passenger", dentre outros petardos punks, gravados em uma penca de lugares diferentes durante a década de 1980.
Confesso que nunca acompanhei muito a carreira do Iggy. Eu o conheci em uma cinebiografia não-autorizada chamada "Velvet Goldmine", que tinha o Christian Bale e o Ewan MacGregor (como o Iggy Pop) no elenco. Confesso também que só comprei este disco porque reunia as músicas mais significativas da sua carreira. Evito coletâneas, mas esta caiu como uma luva. Passei a conhecer melhor a música do cara e me interessar pela sua trajetória.
Se um holocausto nuclerar varrer a face da terra, apenas sobreviverão as baratas e o Keith Richards. Possivelmente, o Iggy Pop também.
A faixa que mais ouvi neste disco
Ok, ok, "The Passenger" é a música mais pop do Iggy. Fez sucesso e ganhou até uma versão nacional do Capital Inicial. Mas, neste disco, adorei "Lust for Life". Em "The Best of... Live", o cantor começa a música dando um esporro em todos os nazistas do mundo. Docemente, ele manda todos os extremistas chuparem seu... bom, você entendeu. Grande Iggy Pop!
Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Fico devendo.
Um pedacinho do disco:
Letra e música do Surfista às 09:00 1 comentários
sábado, 20 de novembro de 2010
#054 Blur, "The Great Escape"
Depois de ouvir o "Modern Life is Rubbish" até o CD se desfazer, estava bastante ansioso pelo CD seguinte dos ingleses do Blur. Comprei o disco em março de 1996, logo antes de viajar com a galera da faculdade para um feriadão em Búzios. E em pouco tempo me encantei com o britpop ligeiramente experimental do 3º disco do Blur, enquanto a maior parte da galera alternava entre músicas do Planet Hemp, "Stomp" (música dance muito popular nos anos 90, do DJ Tragik), alguns sambinhas e funks.Apesar da agitação na Região dos Lagos naquele feriado, tive vários momentos de introspecção na viagem. E para estes momentos, as músicas desse disco caíram como uma luva. Não se pode dizer que foi a trilha sonora da viagem, mas com certeza me lembro daqueles dias quando escuto o disco. Especialmente "Country House", "The Universal", "It Could Be You" e "Best Days".
A faixa que mais ouvi neste disco
"Country House", que também foi muito martelada pela MTV na época. Sim, naquela época você podia ouvir música na MTV
Presepada musical ou uma pequena curiosidade
No livreto que acompanha o CD, além das letras tinha também os acordes de cada música. Algo relativamente raro de se encontrar, especialmente em discos estrangeiros (se não me engano, o Legião Urbana fazia isso com alguma frequência)
Um pedacinho do disco:





