Então tá, hoje em dia os filmes de super-heróis são a salvação da lavoura de uma indústria de cinema cada vez menos criativa. Pois saiba, ó pequeno jedi, que nem sempre foi assim. Houve um tempo em que filmes de heróis tinham baixo orçamento e roteiros horrorosos. Bom, alguns ainda têm roteiros horrorosos, mas poucos são tão bisonhos quanto "Spawn - O Soldado do Inferno".
Resumidamente, o anti-herói Spawn era um assassino profissional que foi traído e morto em ação pelos companheiros. Anos depois, ele acorda sem memória, deformado, com uma roupa esquisita e poderes sobrenaturais. Pancada da cabeça, ele decide se vingar de tudo e de todos, mas logo descobre que é um soldado do inferno, criado pelo capeta em pessoa para liderar as suas tropas e invadir a Terra. O capiroto não vai querer perder o seu investimento e manda suas hordas caçar o recruta fujão. A trama até renderia um filme pesado e dark, mas não é o que acontece. É tudo ruuuuuuim e tosco. Parece um episódio malfeito do Jaspion. A única coisa que se salva é a trilha sonora, que reúne nas faixas uma banda de hard rock e uma de techno. As combinações funcionam e garantem um dos discos mais pesados da minha prateleira. Não chega a ser original, pois "Judgement Day" fez quase a mesma coisa, exceto pela união de rappers e roqueiros.
Enfim, "Spawn" é um filme terrível com uma trilha sonora curiosa. Entre as inusitadas parcerias, estão Metallica & DJ Spooky, Prodigy & Tom Morello, Slayer & Teenage Atari Riot, Korn & Dust Brothers e Marilyn Manson (claro) & Sneaker Pimps, dentre outras porradarias insanas. Esqueça o filme e fique só com o CD.
A música que mais ouvi neste disco
Gosto da batida de "One Man Army", encontro do Prodigy e Tom Morello. Se você quiser explodir a cabeça, ouça "No Remorse", com Slayer e Atari Teenage Riot. É o terror, cumpadi!
Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Além da trilha sonora, a capa do CD também salva. Pelo que lembro, foram produzidas versões diferentes. A que mais gostei foi dessa com o Spawn Noel.
O filme foi deplorável, mas Spawn ganhou um desenho animado adulto muito legal. Passava nas noites de domingo, na HBO. Acho que só rolou uma temporada e olhe lá. Definitivamente, o soldado do inferno não se deu bem fora dos quadrinhos.
No virada dos anos 90 pros anos 2000, eu tive uma séria recaída no hábito de frequentar boates. Na época namorava uma menina que gostava bastante de ir a boates, e a maioria dos meus amigos estavam solteiros. Nessa época, surgiu uma festa muito badalada chamada MooNight. Não lembro com exatidão, mas acho que rolava no Clube Monte Líbano. Não cheguei a ir em nenhuma, porque eram todas mega lotadas (e o precinho era violento para o bolso de um estagiário).
Mesmo assim, como toda vesta hype de um determinado tempo, lá tocava tudo do bom e do melhor para o gosto da rapaziada. Eu quase afirmo que o que os DJs da festa tocavam acabava virando sucesso e era copiado pelos outros DJs da noite carioca. Seja qual for a razão, quando o pessoal da festa resolveu compilar os sucessos das pistas de lá num CD, acertaram em cheio.
Nessa época já tínhamos o Napster e o Kazaa para buscar MP3 na internet, mas para músicas de dance / hip hop / techno e afins era uma tarefa bem difícil. Principalmente porque você achava na rede uma mesma música com inúmeras versões diferentes (remixadas por DJs diversos), e o que queríamos era AQUELA versão que nos acostumamos a ouvir e dançar na noite. E também por isso, o CD da MooNight vendeu igual pão quentinho. Hoje em dia eu não tenho mais o hábito de ir a boates (acho que ninguém da minha geração), mas essas músicas acabam tocando em festas. E eu acabo usando algumas nas minhas playlists de corrida.
A música que mais ouvi neste disco
"Stomp" (do DJ Trajic), que fez tanto sucesso que foi base para vários remixes de músicas subsequentes, graças a sua batida marcante
Presepada musical ou uma pequena curiosidade
A música "Stay in love" (Mon A Q) era a típica "música de mulherzinha" na época: bastava tocar os primeiros acordes para a mulherada rata de boates soltar um gritinho qualquer e se bandear para a pista. E a macharada guerreira e vigilante logo acompanhava. Fenômeno clássico que se repetiu em várias outras músicas (como por exemplo na "You gotta be", da Des'ree)