
Estou pra falar desse disco há um tempão, e nada de me inspirar. Sim, é considerado um dos melhores discos da banda (senão o melhor), mas de uns anos pra cá andei muito tempo mergulhado em alguns discos anteriores. Mais precisamente, os que já apareceram por aqui (Sgt Peppers, Álbum Branco, Revolver e Help!). Com a volta de Paul McCartney ao Rio no último fim de semana (após 21 anos), redescobri o Abbey Road.
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terça-feira, 24 de maio de 2011
#239 The Beatles, "Abbey Road"
Interessante saber que esse é o último disco gravado pelos Beatles (embora Let it be tenha sido lançado depois), mas ao mesmo tempo seja um dos discos mais consistentes da banda. Lembro muito bem na minha infância / adolescência do meu irmão falando da paixão que ele tinha pelo Abbey Road, e eu na época só queria saber do Help!, por exemplo.
Eu só comecei a gostar desse disco depois de entender a "lógica" dele: o lado A é composto por músicas independentes, ou seja, que funcionam bem sozinhas (como por exemplo as excelentes "Something" e "Here comes the sun", ambas composições do genial George Harrison). Já o lado B na verdade é um grande medley, onde todas as músicas emendam uma na outra. Pra quem ouve CD no shuffle (coisa que eu faço bastante), as músicas do lado B acabam ficando incompletas mesmo. Mesmo assim, hoje percebo que mais do que entender o disco, eu finalmente passei a SENTIR esse disco. E isso ficou claro pra mim ao ouvir o último verso do disco, na música "The End", no final do show deste domingo que passou (22/mai): "...and in the end, the love you take, is equal to the love you make...". Ali percebi que eu talvez não tivesse maturidade musical, emocional ou coisa parecida para perceber o Abbey Road em toda sua magnitude. Ou então eu simplesmente passei batido pelo disco, esperando melodias e arranjos fáceis como os da primeira fase da banda. Ou as duas coisas, sei lá.
HOJE, pelo menos, ele está ali brigando com o Sgt Peppers pelo título de disco dos Beatles que eu mais gosto (embora não tenha o mesmo impacto emocional do primeiro)
A música que mais ouvi neste disco
"Something", maravilhosa!
Presepada musical ou uma pequena curiosidade
A capa desse disco é uma das imagens mais emblemáticas dos Beatles, e tem inúmeras homenagens / paródias em diversas mídias. Além disso, o fato de Paul aparecer na foto descalço já suscitou uma série de especulações acerca de sua identidade: existe uma teoria conspiratória de que o verdadeiro Paul McCartney morreu num acidente de carro, e que o Paul que conhecemos hoje na verdade é um sósia contratado para subsituí-lo. E que sua foto descalço na capa de Abbey Road na verdade é uma pista para a verdade. Cada coisa que inventam...
Um pedacinho do disco:
Letra e música do Navegante às 08:10 3 comentários
Marcadores: Beatles, fabfour, George Harrison, john lennon, paul mccartney, pop rock
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
#141 George Harrison, "All Things Must Pass"
Acredito que alguns discos carregam em suas faixas mais que boa música. Eles são envolvidos por uma aura de conquista semelhante a achar uma figurinha premiada, receber uma declaração de amor inesperada ou ganhar um aumento no trabalho. São pequenas sensações de alegria que custam pouco, mas que têm um imenso efeito.
Durante muito tempo eu procurei "All Things Must Pass". Até cheguei a achar na finada Modern Sound, em Copacabana, ou na Tracks, na Gávea, mas me recusei a desembolsar R$100,00 pelo CD. O disco ficou como um objeto de desejo arquivado, porém não esquecido. O tempo passou e o destino me carregou para um temporada longe do Brasil. Em uma tarde nublada (que não serve de referência, pois na Irlanda quase todas as tardes são nubladas), eu entrei na Tower Records. Olhando as prateleiras sem muitas pretensões eu vi o George Harrison barbudão sentado entre anões de jardim. Enfim, eu achara a obra-prima de George Harrison. 100 paus? Nada! 15 euros pagos com prazer. Tantos anos depois, o melhor disco de um Beatle em carreira solo foi finalmente parar na minha estante - e em lugar de honra.
O LP triplo lançado em 1970 se tornou um CD duplo com 28 músicas, incluindo faixas especiais. Além da conhecidíssima "My Sweet Lord", George, o menos espalhafatoso dos Beatles, gravou "Wah-Wah", "Behind That Locked Door", "Ballad of Sir Frankie Crisp", "Let It Down", "Art of Dying", "Beware the Darkness" e, é claro, a linda "All Things Must Pass". Além da pegada roqueira da fase final do Fab4, este álbum também reúne temperos de folk, country e a espiritualidade de Sir George Harrison.
Segundo sites e livros, o repertório de "All Things Must Pass" é recheado por músicas rejeitadas por Lennon e McCartney na discografia dos Beatles. Com o fim da banda, as composições de George ganharam o mundo com o devido brilho. Caso seja verdade, os cortes de Paul e Johna serviram para construir um disco ímpar na história do rock e garantir o devido reconhecimento ao George.
A música que mais ouvi neste disco
"My Sweet Lord" é uma das mais bonitas orações em formas de música já produzidas. "My sweet Lord / I really want to see you / Really want to be with you / Really want to see you Lord / But it takes so long, my Lord". Amém!
Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Pois é, em uma tarde nublada e fria em Dublin, George Harrison me trouxe um momento de alegria. Thanks George!
Ringo Starr e Eric Clapton são músicos especialmente convidados na gravação de "All Things Must Pass".
No mesmo dia que comprei "All Things Must Pass", também encontrei "Ok Computer", do Radiohead, por 5 euros. O grande Navegante Edu Starling já apresentou este CD aqui.
Um pedacinho do disco
Letra e música do Surfista às 09:14 0 comentários
Marcadores: Beatles, Country, Folk, George Harrison, Rock
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