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sábado, 20 de novembro de 2010

#054 Blur, "The Great Escape"

Depois de ouvir o "Modern Life is Rubbish" até o CD se desfazer, estava bastante ansioso pelo CD seguinte dos ingleses do Blur. Comprei o disco em março de 1996, logo antes de viajar com a galera da faculdade para um feriadão em Búzios. E em pouco tempo me encantei com o britpop ligeiramente experimental do 3º disco do Blur, enquanto a maior parte da galera alternava entre músicas do Planet Hemp, "Stomp" (música dance muito popular nos anos 90, do DJ Tragik), alguns sambinhas e funks.

Apesar da agitação na Região dos Lagos naquele feriado, tive vários momentos de introspecção na viagem. E para estes momentos, as músicas desse disco caíram como uma luva. Não se pode dizer que foi a trilha sonora da viagem, mas com certeza me lembro daqueles dias quando escuto o disco. Especialmente "Country House", "The Universal", "It Could Be You" e "Best Days".

A faixa que mais ouvi neste disco
"Country House", que também foi muito martelada pela MTV na época. Sim, naquela época você podia ouvir música na MTV

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
No livreto que acompanha o CD, além das letras tinha também os acordes de cada música. Algo relativamente raro de se encontrar, especialmente em discos estrangeiros (se não me engano, o Legião Urbana fazia isso com alguma frequência)

Um pedacinho do disco:

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

#053 Gilberto Gil, "Unplugged"

Gilberto Gil gravou o seu acústico MTV em meados dos anos 1990. O formato ainda era relativamente novo e, se não me engano, apenas Moraes Moreira tinha se aventurado por ele. Pois Gil colocou o projeto de "sucessos-no-formato-voz-e-violão" em um nível altíssimo e, na minha opinião, produziu um dos discos mais autenticamente brasileiros da história. De quebra, ainda aproximou o seu trabalho da moçada mais jovem.

Acho que "Unplugged" concilia o superlativo e o minimalista. A banda é magistral, o repertório é fabuloso e o intérprete está inspiradíssimo, mas cada música é tocada com simplicidade e equilíbrio comoventes. Você encontra a alegria de "Expresso 222", a folia de "Toda Menina Baiana" e o hino "Aquele Abraço" no mesmo pacote das suaves "A Paz", "Sampa" e "Drão".

"Unplugged" nunca saiu do catálogo da gravadora e, hoje em dia, você pode encontrá-lo aos montes nas Lojas Americanas pela módica quantia de 10 merrecas. Vale uma futucada naquela pilha de CDs.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Unplugged" é o tipo de disco para ser ouvido de cabo a rabo, mas adoro "Sítio do Pica-Pau Amarelo", minha primeira memória musical. Minha mãe conta que costumava me ninar ao som desta canção e era vapt-vupt: eu dormia candidamente em minutos.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Depois que me formei, meu 1º emprego foi na produtora do Gilberto Gil. Eu o vi pela primeira vez lendo um jornal em uma das salas. Ele sempre foi um dos meus artistas favoritos e fiquei à beira do deslumbramento. Durante três anos, ele foi o meu chefe e sempre foi um sujeito de convívio delicioso. Era um "pretinho" tão simples, tão humano, que nem parecia o gênio que é. Em uma tarde de trabalho, eu superei a timidez e pedi um autógrafo em dois discos que eu tinha: "Quanta" e "Unplugged". Ele escreveu "Douglas, axé e paz. Gilberto Gil". Nada de excepcional ou exclusivo, mas totalmente Gilberto Gil.


Um pedacinho do disco:

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

#052 The Beatles, "Help!"

Eu praticamente cresci ouvindo músicas dos Beatles, graças ao meu irmão mais velho com quem dividia quarto, que era absolutamente viciado na banda. Dessa época, no entanto, eu só tenho memória de algumas músicas mais famosas. Anos depois, início dos anos 90, meu irmão casou e saiu lá de casa. Os vinis dele foram junto, claro. Fiquei com algumas músicas gravadas em fita, mas pensava em começar minha própria coleção de discos dos Beatles.

Help! foi a minha segunda aquisição (antes veio o meu predileto deles, Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, do qual já falei por aqui). Como a maioria dos discos que comprei na década de 90, comprei motivado pelas duas músicas que eu conhecia: "Help" e "Yesterday". Pouco tempo depois, viajei com minha família para passar férias em Marataízes (ES), mas sem esquecer de gravar uma fita com o disco. Apesar de ter levado umas 10 fitas cassete na viagem, esse disco virou praticamente a trilha sonora da viagem. Em pouco tempo, me apeguei a "You're gonna lose that girl", "It's only love" (até hoje uma das minhas românticas prediletas) e "Tell me what you see", deixando as 2 mais famosas de lado.

A faixa que mais ouvi neste disco
"You've got to hide your love away" e "Tell me what you see" empatadas

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Na viagem a Marataízes, dividia o fone do walkman com meu primo, e devido a gravação em 4 canais, só conseguíamos ouvir parte da música: ou os vocais+guitarra base ou a base instrumental+backing vocals. De brincadeira, cantávamos as músicas do disco, cada um fazendo uma das vozes (o que é muito relevante em músicas como "You like me too much", por exemplo). E foi dessa brincadeira que ele se empolgou a aprender violão. Já eu, fiquei fascinado pelas levadas de bateria (especialmente de "Tell me what you see"). Não cheguei a aprender bateria porque achava que não tinha coordenação motora para isso, mas sabia que algum instrumento eu tinha que aprender um dia.

Um pedacinho do disco:



quarta-feira, 17 de novembro de 2010

#051 Raimundos, "Lavô Tá Novo"

Em meados dos anos 1990, o rock80 estava cada vez mais distante da molecada (em todos os sentidos). Barão, Paralamas e Legião continuavam firmes e fortes, mas havia a expectativa por uma novidade, caras novas na cena brasileira. E nessa onda, surgiram Planet Hemp, Pato Fu, O Rappa, Skank, Jota Quest e uma certa banda subversiva que misturava forró com hardcore em letras abarrotadas de palavrões, sexo, drogas e safadezas. Vindos de Brasília, os Raimundos logo se transformaram no terror das mães e caíram no gosto dos espinhentos cabeludos. Inclusive, no meu - e olha que eu nem era cabeludo.

Depois do relativo sucesso do disco de estreia, "Lavô Tá Novo" veio arregaçando! Rodolfo acelerava no repente sobre a cama de barulho criada por Fred, Digão e Canisso. A técnica musical nem era apurada, mas e daí? Os Raimundos queriam fazer a molecada pular e bater cabeça. Eu fui a dois shows da banda e, em ambos, saí encharcado de suor - fora alguns hematomas.

"Lavô Tá Novo" trouxe o sucesso nacional e uma avalanche de porradas, como a clássica "Eu Quero Ver o Oco"
e as frenéticas "Tora Tora" e "Pitando no Kombão". Nas rádios mais liberais, os Raimundos emplacaram "O Pão da Minha Prima" (mesmo com um palavrão cabeludo no final) e a non-sense "I Saw You Saying".

A faixa que mais ouvi neste disco
Na humilde opinião do blogueiro, "Eu Quero Ver o Oco" foi a música mais divertida do rock nacional dos anos 1990.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
O primeiro show que vi depois de 2000 foi dos Raimundos, no Citibank Hall (ex-Metropolitan, ex-Claro Hall, ex-ATL Hall e futuro ex-Citibank Hall).
Certo sábado, estava vendo Xuxa pela manhã e, de repente, quem aparece no palco: Rodolfo, Digão, Fred e Canisso com sorrisos pimpões. Eles cantaram "I Saw You Saying" e ainda atacaram um cover de "Ilariê". Coisa igual só vi quando os Ratos de Porão pintaram no palco da Mara Maravilha.
Zenilton, sanfoneiro cabra-macho do Nordeste, participa de "Lavô Tá Novo" em várias faixas. A curiosa "Tá Querendo Desquitar (Ela Tá Dando)" é de sua autoria.
Quando a banda estava no auge e era a maior do Brasil, Rodolfo se converteu ao protestantismo e saiu da banda para formar o Rodox. Pouco depois, pirou o cabeção e largou tudo para seguir carreira no gospel. Os Raimundos nunca mais se acertaram.
Rubro-negro fanático, Rodolfo gravou o clipe de "Puteiro em João Pessoa" com a camisa do Mengão! Não é desse disco, mas vale o comentário.

Um pedacinho do disco








terça-feira, 16 de novembro de 2010

#050 Chico Science & Nação Zumbi, "Afrociberdelia"

Chico Science & Nação Zumbi surgiram na cena musical brasileira cercados por algum preconceito. Afinal de contas, o mercado estava já viciado em acolher artistas nordestinos tocando ritmos nordestinos, e de repente surge Chico Science com toda uma estética diferente para o mainstream brasileiro: o tal do manguebeat. Mal sabiam os mais chatos que o manguebeat era muito mais que uma nova modinha alternativa. E eu fui um desses chatos, que na época ouvia rock demais e música brasileira de menos. Admito: fui influenciado negativamente pelo clipe de "A cidade" (do disco 'Da lama ao caos'), que era tocado com uma insistência irritante na MTV. Além disso, o maracatu não entrou de primeira nos meus ouvidos, e com isso eu tive um certo preconceito na época. Pior pra mim.

Em paralelo, Chico Science foi ganhando cada vez mais destaque na cena musical nacional, e em consequência disso foram contratados para se apresentar em um dos dias do Hollywood Rock de 1996. E lá fui eu pro festival no 3º dia de festival, indo ver bandas de reggae mais pra acompanhar uma menina que eu estava afim do que pelo dia em si. E na hora do Chico Science & Nação Zumbi, uma gratíssima surpresa! Não tinha como não se contagiar com a mistura de rock e maracatu dos caras! Gostei tanto que até esqueci do resto e fui correndo comprar esse CD. O disco inteiro é bem interessante, mas 3 músicas são qualquer nota: "Manguetown", "Macô" e "Maracatu atômico"

A faixa que mais ouvi neste disco
"Manguetown", apesar de ter ouvido muito "Maracatu atômico" também.


Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Este foi apenas o segundo disco da banda, mas o último com Chico Science, que morreu num acidente de carro em fevereiro de 1997. A banda seguiu adiante com Jorge dü Peixe em seu lugar, que já fazia parte da banda tocando alfaia. Por motivos óbvios, agora se chamam simplesmente Nação Zumbi

Um pedacinho do disco:

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

#049 Legião Urbana, "Descobrimento do Brasil"

No dia 1º de maio de 1994, eu fiz o que milhões de brasileiros faziam todo domingo: assistir uma corrida de Fórmula 1. Meu pai sempre foi fã de automobilismo e me incentivava o gosto pelas corridas. Que papai não me ouça, mas o que me fascinava mesmo era o Ayrton Senna pilotando. Por isso, nunca vou esquecer do meu assombro diante do acidente que o matou no GP de San Marino. Senna morreu ao vivo, em rede nacional, com narração do Galvão Bueno e uma nação incrédula.

Poucos meses antes, a Legião Urbana lançara "O Descobrimento do Brasil", o seu sexto álbum. Uma das faixas me comovia a cada audição. Em "Love in the Afternoon", Renato Russo cantava "é tão estranho / Os bons morrem jovens / Assim parece ser / Quando me lembro de você / Que acabou indo embora / Cedo demais" e eu, moleque novo e impressionável, quase chorava. Minha mãe ouvia esta canção e chegava a soluçar. Tudo graças ao Senna e à poesia do Renato. A própria banda admitiu que a letra se encaixava no contexto. Outras pessoas também associaram esta canção à morte do Kurt Cobain. Segundo li, a música foi dedicada a um amigo morto na saída de uma boate.

O single "Perfeição" estourou nas rádios e virou um novo hino da juventude engajada, mas "O Descobrimento do Brasil" tinha outros tesourinhos. "Giz", "Só Por Hoje", "Vamos Fazer um Filme" e "Vinte e Nove" refletiam um Renato Russo cada vez mais maduro e contemplativo.

A faixa que mais ouvi neste disco
Que óbvio: "Love in the Afternoon".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"Perfeição" foi o último videoclipe da Legião Urbana.
Comprei "O Descobrimento do Brasil" em uma viagem a Belo Horizonte. No embalo, comprei "In Utero", do Nirvana.
O disco é dedicado à memória de Tavinho Fialho, pai do Chicão. Sabe quem é Chicão? O filho da Cássia Eller.
Em um show, Renato Russo declarou que "Giz" é música mais completa, mais bonita, que ele já compôs. Esse show virou disco. Falo sobre ele em outra ocasião.
Achei um vídeo do finado Programa Livre, que mostra comentários sobre "Love in the Afternoon".

Um pedacinho do disco:

domingo, 14 de novembro de 2010

#048 Midnight Oil, "10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1"

Início dos anos 90, acontece o grande boom da indústria de CDs. E eu entrei na onda direitinho: não podia passar numa filial das Lojas Americanas sem levar uns 3 pra casa. E foi justo numa dessas visitas que me deparei com esse CD do Midnight Oil. Nessa época, eu já tinha o Blue sky mining, e conhecia outras 2 músicas que tocavam na Fluminense FM ("Beds are burning" e "The Dead Heart", do CD Diesel and dust, do qual falarei mais pra frente), mas nunca tinha ouvido falar desse outro. Como naquela época não existia internet (muito menos MP3), resolvi arriscar e comprar o CD. E foi uma das vezes que armei e me dei bem.

"10 to 1" (como é conhecido resumidamente) foi o disco que colocou os Oils de vez nas paradas australianas (antes eles eram alternativos até mesmo para o público de lá), e deixa bem claro o discurso politizado da banda. Independente dessa mensagem, musicalmente é um disco com rocks contagiantes e algumas baladas gostosas de ouvir. Gostei da maioria na primeira audição (exceto "Power and the passion", que eu nunca cheguei a curtir), e logo gravei uma fita pra ouvir no ônibus a caminho do remo e da faculdade. Na época, eu já tinha idade pra tirar carteira, mas eu simplesmente não pensava nisso. Podia até dizer que eu já tinha uma mentalidade de pensar no coletivo, na otimização de recursos, mas na verdade eu era desligado mesmo.

A faixa que mais ouvi neste disco
"US Forces", pra mim a música mais equilibrada do disco

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Assim como aconteceu com as músicas do Blue sky mining, na minha cabeça eu relaciono as desse disco diretamente aos meus tempos iniciais no remo. E "Maralinga" é a faixa desse disco que me transporta automaticamente a essa época: acordar bem cedo, treinar forte, falar umas besteiras no café da manhã, e nas manhãs de sábado e domingo jogar futebol com o pessoal do clube no campinho ali perto, na saída do Rebouças. E também foi importante incentivo quando estava afogado no sedentarismo, pois me lembrava que era possível voltar. Cheguei lá uma vez, chegaria de novo.

Um pedacinho do disco:


sábado, 13 de novembro de 2010

#047 Andrew Lloyd Webber, "The Very Best of"

Lá no comecinho dos anos 1990, uma tia foi à Nova York e voltou cheia de causos para contar. Eram histórias sobre passeios na Time Square, caminhadas no Central Park, compras nos outlets e visitas aos principais pontos turísticos. Resumindo, todos os programas que a brasileirada faz quando pisa na Big Apple. Como presente para a minha mãe, a tia trouxe um CD do Andrew Lloyd Webber, mostrando algumas canções dos principais musicais da Broadway.

Eu, moleque buscando conhecimento musical, jamais tinha ouvido falar no tal sujeito com nome esquisito. Minha mãe idem. Porém, ambos já tínhamos ouvido falar no "Fantasma da Ópera" e "Evita" (antes da Madonna). O CD foi ouvido e logo arquivado. Antes que fosse parar na caixa das doações, eu decidi ficar com o disco. Por que razão? Não faço a menor ideia.

Como não poderia deixar de ser, o disco é todo grandioso: orquestras, cantores líricos, atmosfera teatral e essas presepadas. Ainda acho o disco meio monótono, mas ele é indiscutivelmente bem feito. O repertório gira em torno das principais canções de musicais como "Cats", "Sunset Boulevard", "Jesus Christ Superstar" e as citadas "Fantasma da Ópera" e "Evita". Entre os intérpretes mais conhecidos, estão a Glenn Close (a matadora de coelhos de "Atração Fatal"), a Barbra Streisand (o nariz judeu mais conhecido do mundo) e Jose Carreras (um dos Três Tenores). Fora isso, alguns talentosíssimos artistas desconhecidos. No resumo da ópera, o disco vale uma audição - nem que seja rapidinho.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Oh What a Circus", da peça "Evita", é uma das canções mais agitadas e bregas do CD. Foge totalmente à exuberância das demais músicas. Simpatizei com ela. No filme, Antonio Banderas (geralmente, dublado pelo Gato de Botas) canta. No disco, o intérprete é o David Essex. Quem? Não sei.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Minha tia também trouxe uma cópia de "The Very Best of Andrew Lloyd Webber" para ela. O disco foi parar na caixa de doações. O nosso exemplar está no meu armário de CDs até hoje. Por quê? Não faço a menor ideia.

Um pedacinho do disco:





* Provavelmente, este é um dos clips mais bregas desta jornada musical. Confira os mullets do cantor, que parece o Chuck Norris.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

#046 U2, "The Joshua tree"

Dizer que o U2 foi uma das melhores bandas dos anos 80 não é nenhuma novidade. Pra muitos, é uma das melhores bandas de pop rock de todos os tempos (e eu quase concordo com isso). Mas que tal falar do melhor disco do U2, gravado em seu auge (meados da década de 80) ?

Claro que cada um tem seu predileto (embora eu duvide que alguém idolatre o 'Pop', um dos álbuns mais controversos do grupo irlandês). Muitos inclusive elegem o 'Rattle and Hum', com muitos méritos inclusive. Já eu torço um pouco o nariz pra ele, por achá-lo "americano demais". O meu predileto é mesmo esse aqui, gravado em 1987 e que eu escuto bastante até hoje.

Basta uma olhada rápida nas faixas para ver quantas músicas fabulosas fazem parte do disco, com destaque para "Where the streets have no name" (que eu chamo de 'Melô de Brasília', pra onde vou muito desde sempre), "With or without you" (que cantada ao pé do ouvido faz tremer até a mulher mais insensível) e o hino dos solteiros desgarrados: "I still haven't found what I'm looking for". No entanto, a música que mais mexe comigo é "One tree hill", feita por Bono para o neozelandês Greg Carroll, que trabalhava na banda e morreu num acidente de moto em 1986. O tal morro de uma árvore só fica em Auckland, Nova Zelândia, daí a referência.

A faixa que mais ouvi neste disco
Disputa acirrada entre "One tree hill" e "I still haven't found what I'm looking for"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Início de 2006. Chegava ao fim um namoro bastante longo e intenso. Final complicado, pois a relação não mais funcionava para nenhum dos dois, que precisavam seguir seu caminho. Após a choradeira tradicional de um término desse quilate, deixo-a em casa e ligo o CD do carro no shuffle enquanto saio dirigindo a esmo. Lá fui eu no meio da madruga beber uma água de coco num quiosque da praia (Ipanema) e pensar na vida. E enquanto bebia, ecoavam os versos que ouvi Bono cantar na primeira música que tocou: "[...] I'll see you again when the stars fall from the sky /And the moon has turned red over One Tree Hill /We run like a river runs to the sea [...]" Ali eu entendi que nosso destino estava realmente selado, e que a vida precisava seguir adiante.

Um pedacinho do disco:

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

#045 Rolling Stones, "A Bigger Band"

Ouvi "A Bigger Band" há poucas semanas, isto é, em meados de junho de 2010. Sendo assim, descobri este CD com cinco anos de atraso e me sinto como um sujeito que chega tarde a uma festa muito boa. Provavelmente, eu ficaria mais cinco anos sem descobri-lo, se não fosse uma visita boboca às Lojas Americanas (sempre ela) e uma olhadinha rápida na prateleira de CDs. Tcham, num passe de mágica, Rolling Stones por 8 merrecas. Perfeito!

Independente à comparação aos grandes discos dos Stones de idos tempos, "A Bigger Band" não faz feio. Mick, Keith, Ron e Charlie apresentaram um álbum de estúdio com canções inéditas muito legais e que não pagam mico na discografia da banda. Cada uma das músicas tem pegada, tem arrojo e energia e a autorreferências às diferentes fases de sua carreira.

Tem rock clássico ("She Saw me Coming"), blues ("Back of my Hand"), baladinhas para tocar na rádio FM ("Streets of Love") e muitas guitarras ao pleno service da diversão. E, convenhamos, diversão é algo que os Rolling Stones fazem com perfeição.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Rain Fall Down" transpira sensualidade. A levada funkeada e a melodia saliente tornam essa música irresistível.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Não chega a ser uma presepada, mas costumo colocar esse CD para cozinhar. Sei lá, acho que ele desperta dotes culinários. Vai entender, né?
Momento confissão: gosto mais de Rolling Stones que Beatles.

Um pedacinho do disco: