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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

#044 The Lord of the Rings - The Fellowship of the Ring (OST)

Mesmo quem não é tão ligado assim em música quanto eu e o Surfista vai concordar: a trilha sonora é a alma de um filme. Tem dúvida? Experimenta ver um filme de ação ou suspense sem volume. Não tem a MENOR graça. Mas no caso da premiada trilha de "Senhor dos Anéis", há um requinte: o compositor Howard Shore fez vários leitmotifs - pequenos temas para personagens / situações recorrentes ao longo do filme, e os costura na trilha de forma magistral. Mais ou menos o que John Williams fez com a "Imperial March", comumente associada a Darth Vader. No caso aqui, existem leitmotifs para os hobbits, para os nazghuls, para Isengard, para o anel propriamente dito, e por aí vai.

Quando vi o filme, já tinha lido os 3 livros e ficava queimando os neurônios tentando imaginar como Peter Jackson conseguiria transferir aquele mundo para as telas, e fiquei extasiado com o que vi / ouvi. Se antes eu já era fã de trilhas sonoras de filmes, nesse aqui eu fiquei enlouquecido. Ouvi várias vezes o CD no carro, e ouvir a trilha na íntegra (e sem shuffle) me fazia lembrar de cada cena

A faixa que mais ouvi neste disco
"The Bridge of Khazad-dûm", que vem a ser aquela música tensa de quando eles estão saindo da mina, na qual Gandalf enfrenta o Balrog.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Em outra faixa do disco chamada "The council of Elrond" (que eu também adoro), Enya canta versos em élfico, idioma inventado por Tolkien para dar mais realismo à história e que é falado e estudado por alguns milhares de nerds pelo mundo. Você encontra letra e tradução aqui

Um pedacinho do disco:

terça-feira, 9 de novembro de 2010

#043 AC/DC, "Black Ice"

No comecinho de 2009, comprei um aparelho de som com potencial para incomodar a vizinhança. O bicho era cheio de breguetes: MP3, ripador de discos, saída USB, função karaokê (que nunca usarei) e o cacete a quatro. Para inaugurar o brinquedo, comprei o CD novo do AC/DC.

Quando uma ótima banda veterana lança um disco novo, eu fico apreensivo. Fico receoso de que seja mais um CDzinho muquirana para cumprir contrato com gravadora e faturar uns caraminguás. Quando "Black Ice", do AC/DC, chegou às lojas, eu fiquei bolado. Tenho um carinho especial pelos australianos.

Em uma era de emos, os riffs dos irmãos Young e a voz esganiçada de Brian Johnson chegam atropelando com peso e energia. Sem perder a pegada, como os nossos queridos Titãs, o AC/DC produziu um disco honesto, que, mesmo sem ser genial, é melhor que a maioria dos disquinhos de rock que brotam no MySpace. O cartão de visitas é "Rock'n'Roll Train", com a guitarra divertidíssima do Angus. Aliás, "Black Ice" é todo dedicado ao rock, com músicas batizadas como "She Likes Rock & Roll", "Rock'n'Roll Dream" e "Rocking All the Way".

A faixa que mais ouvi neste disco
"Rock'n'Roll Train" no talo!

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Mesmo sendo fã do AC/DC, "Black Ice" foi o primeiro disco da banda que comprei. Baixei os outros CDs pela Internet.
O clipe de "Rock'n'Roll Train" é sensacional!
Sou louco para ir a um show do AC/DC.

Um pedacinho do disco:


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

#042 Mamonas Assassinas, "Mamonas Assassinas"

Início de faculdade, quando aquele monte de gente jovem usa o velho subterfúgio de marcar eventos com quantidades generosas de cerveja pra todo mundo se socializar. Uns às custas da ralação dos calouros pedindo dinheiro no sinal de trânsito (pra quem não é do Rio: semáforo), o popular trote. Outros rachando a conta entre todos: churrascos, shows, praia, etc. Tudo era desculpa pra encher a cara, bater papo e arrastar um caô pr'aquela menina gata que você conheceu outro dia. E foi justo nessa época divertida da vida que os Mamonas estouraram nas paradas.

Nas rádios, primeiro surgiu a paródia lusa "vira-vira". Na época, eu achava que era uma música gravada pela rádio que eu ouvia, ou melhor, pelos pretensos humoristas da rádio. Mas pouco depois foram surgindo outras pérolas dos Mamonas: "1406", "Pelados em Santos", "Mundo Animal" e "Robocop Gay", e eu vi que estava diante de um fenômeno do pop escrachado. E o melhor: não só escrachado, mas muito bem tocado! Os shows se multiplicaram Brasil afora, e felizmente numa época em que o então prefeito do Rio patrocinava shows gratuitos na Praia de Ipanema, lá foram eles. Diversão garantida! Mas no meio do caminho tinha um jatinho, uma montanha, e o Brasil perdeu os Mamonas... E foi justamente num churrasco da turma de faculdade que eu recebi a notícia.

Na época, pairava a dúvida: será que os Mamonas continuarão mandando tão bem nos próximos trabalhos? Infelizmente eles não tiveram chance de se provarem...

A faixa que mais ouvi neste disco
Apesar de "Pelados em Santos" e "Robocop Gay", as que mais ouvi foram "Jumento Celestino" e "Mundo Animal"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Antes de serem os Mamonas Assassinas, o grupo se chamava Utopia e tocava covers (basicamente Legião Urbana e Rush). Seu disco não chegou a vender 100 cópias. Como as palhaçadas no palco eram bastante populares, a banda decidiu mudar o foco. O resto é história

Um pedacinho do disco:


domingo, 7 de novembro de 2010

#041 Vários, "Saturday Morning – Cartoon's Greatest Hits"

A ideia era bem legal: resgatar trilhas sonoras de desenhos e séries infantis antigas em versões turbinadas por bandas alternativas. Tipo assim, foi o encontro de Johnny Quest, Speed Racer, Homem-Aranha e Scooby-Doo com Ramones, Frente!, Sublime e Butthole Surfers, dentre outros. O resultado deve ter sido nostalgia pura... para os estadunidenses.

Convenhamos, poucos lembram das trilhas dos desenhos, pois o "Xou da Xuxa" nunca apresentou as aberturas. Acho que "Thundercats" foi uma exceção, pois era uma introdução espetacular. Anos depois, "Cavaleiros do Zodíaco" conseguiu credibilidade e o Edu Falaschi, do Angra, gravou a música que iniciava o desenho. Ih, fugi ao tema. Vamos voltar...

Enfim, "Saturday Morning" é um disco bacana, mas que não me despertou comoção. Muitas das trilhas registradas vêm de desenhos pouco (ou nada) conhecidos em terras tropicais – tipo Fat Albert, Archie Show,Boogaloos, Groovie Goolies e Gigantor. Mesmo assim, Juliana Hartfield manda bem em "Josie and the Pussycats", o Frente! faz uma versão fofinha de "Open Up Your Heart and Let yhe Sun Shine In" (Flintstones) e os Ramones esculacham na versão punk de "Spider-Man".


A faixa que mais ouvi neste disco
Nerd e fã como fui (alguns dizem que continuo sendo), ouvi "Spider-Man" incansavelmente.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Drew Barrymore faz uma ponta no clipe de "Spider-Man". Em sua participação, ela comenta o quanto acha o Homem-Aranha gostoso.
O encarte é quase um livrinho. Cada banda conta um pouco do seu envolvimento com o desenho que vai cantar e ainda há um resumo sobre a sua respectiva história. Por exemplo, Joey Ramone lembra dos esporros da mãe sobre a sua postura ao assistir TV nas manhãs de sábado. Tem isso no seu iPod? Não tem!


Um pedacinho do disco:

sábado, 6 de novembro de 2010

#040 Alceu, Elba, Geraldo e Zé Ramalho, "O Grande Encontro Vol.1"

Boa parte do meu gosto musical teve forte influência do que meus irmãos mais velhos ouviam, especialmente durante minha infância e adolescência. No caso dos artistas do nordeste (como Elba, Alceu, Geraldo e Zé Ramalho), o efeito só veio depois que eu fiquei adulto: minha irmã mais velha adorava, mas é do tipo de pessoa que ouve uma mesma música oitenta e sete vezes seguidas. Imagina isso com discos de vinil, com a pessoa levantando pra reposicionar a agulha no início da faixa. Pois é, daí criei uma certa implicância quando era mais novo.

Quando comecei a descobrir de verdade os grandes nomes da MPB, por um tempo fiquei alheio ao nordeste. Mais por conta de tanto tempo perdido, que me fez mergulhar de cabeça nos clássicos do choro e da bossa nova do que por qualquer outra coisa. Mas foi uma questão de tempo: uma música do Alceu aqui, outra de Geraldo Azevedo ali, e lá fui eu mergulhar no universo do frevo, do coco, da ciranda, do xote e do forró. E de cara descobri o projeto "O Grande Encontro": uma temporada de shows com 4 dos maiores artistas nordestinos e o melhor de seus repertórios, além de sucessos de outros grandes nomes da MPB. Fiquei completamente alucinado com as músicas, o que me rendeu algumas boas memórias de infância: comecei a achar muita graça do vício da minha irmã em ouvir suas prediletas repetidamente, e de quebra lembrar de passagens legais da época. Mas mais do que isso, é o tipo de disco que te faz sentir mais brasileiro. Desde a beleza de "Dia branco", passando pela alegria de "Coração bobo" e a energia de "Frevo mulher", é um disco que transpira verão em todas as suas nuances.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Frevo mulher", por conta do apelo carnavalesco (9 entre 10 blocos de carnaval tocam essa música) e "Coração bobo", geralmente nas minhas corridas e pedaladas pela orla

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"Dia branco" pra mim sempre foi uma música perfeita para se compartilhar com quem se ama. E dito e feito: foi a música que um casal amigo colocou em sua cerimônia de casamento quando entrou no salão de festas, para soluço de muitas moçoilas presentes no salão.

Um pedacinho do disco:


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

#039 The Offspring, "Americana"

Se o ótimo "Smash" botou a banda na Série A do rock, "Americana" abriu as portas das rádios FM, filmes adolescentes, Top 10 da MTV, trilhas de novelas e até boates da Zona Sul. De repente, uma camisa preta do Offspring virou uniforme da molecada. Acho que esta súbita entrada no mundo pop me causou uma considerável implicância com este disco. Isso graças ao sucesso cabuloso de "Pretty Fly (for a White Guy)".

Pois 10 anos após o seu lançamento, eu cedi e comprei o disco. Advinha onde? Numa prateleira de promoções das Lojas Americanas, é claro. O repertório eu já sabia de cor e salteado. Além do carro-chefe "Pretty Fly (for a White Guy)", o CD ainda tinha as maneiríssimas "The Kids Aren't Alright", "She's Got Issues" e "Staring at the Sun", dentre outras porradas.

No fim das contas, "Americana" é um CD bem legal. Eu que era rabugento mesmo.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Pretty Fly (for a White Guy)" é o escambau. "The Kids Aren't Alright" é rock'n'roll divertido, barulhento e com riffs pegajosos. Perdi a conta de quantas vezes ouvi esta faixa em mp3.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"Feelings", faixa 6 de "Americana", é a versão turbinada de um brega gravado pelo brasileiro Maurício Albert, mundialmente conhecido como Morris Albert. Pergunta outra música dele. Nem o próprio sabe.
De certa forma, o Offspring capricha nas capas feias. "Americana" é uma das capas mais medonhas da carreira da banda.

Um pedacinho do disco:



quinta-feira, 4 de novembro de 2010

#038 Smash Mouth, "Astro lounge"

Numa viagem a trabalho, redescobri a graça de sair a noite e dançar com gente amiga e legal. Estava há muito tempo no esquema casa - trabalho - casa da namorada - casa, totalmente refém da rotina. Até mesmo o namoro sofria dessa rotina, embora nem eu nem ela nos déssemos conta disso. E nessa viagem a trabalho conheci uma música maneiríssima chamada "All star", por influência de uns consultores americanos que trabalhavam no mesmo projeto que eu.

Passando pelas Lojas Americanas, vi o CD dessa música e comprei sem saber nada da banda ou do disco. Sim, eu tinha compulsão por comprar CDs, e graças a isso tive muita porcaria na minha estante. Felizmente, não era o caso de Astro Lounge, segundo disco da banda californiana Smash Mouth. Não lembro bem se outras músicas do disco chegaram às rádios, mas lembro que gostei logo de outras 4: "Then the morning comes", "Defeat you", "Come on come one" e "Can't get enough of you baby". Do disco, a lembrança de um momento importante: a quebra da rotina e o reencontro com a vida

A faixa que mais ouvi neste disco
"All star", né? Mesmo que não fosse na época, a trilha sonora de "Shrek" garantiria isso 2 anos depois

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"Then the morning comes" foi a primeira música do grupo a chegar às paradas da Billboard, mas seu sucesso foi totalmente ofuscado pela popularidade de "All star"

Um pedacinho do disco



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

#037 Trilha original da peça "Os Saltimbancos" (Chico Buarque)

Essa vem do fundo do baú, mas muita gente contemporânea conhece. Sim, eu fui na primeira montagem dessa peça, no final da década de 70 (embora lembre muito vagamente). Mas mais do que a peça, a versão cantada (pra mim é mais do que mera trilha sonora) lançada por Chico Buarque acompanhou e marcou toda minha infância. Baseados no conto 'Os músicos de Bremen', dos irmãos Grimm, os italianos Luís Enriquez e Sérgio Bardotti (além de Chico) adaptaram a história mudando o nome para 'Os Saltimbancos'. Ao retornar ao Brasil, Chico gravou as canções com Nara Leão fazendo a gata, sua irmã Miúcha fazendo a galinha, 2 integrantes do MPB4 (Magro e Rui) fazendo o jumento e o cachorro, e filhos de Chico fazendo coral infantil.

Não sei se forço a barra em dizer isso, mas esse disco é muito mais do que uma obra infantil, venerado por gente de todas as idades. Talvez as pessoas de mais idade tenham a mesma relação emocional que eu com as músicas, e por isso também gostem. Mas fato é: experimente jogar os versos "Nós gatos já nascemos pobres / porém, já nascemos livres" num bate papo de bar ou numa rede social (twitter, facebook, etc). Sempre aparece mais marmanjo dizendo que se amarra, completando com "senhor, senhora, senhorio / felino, não reconhecerás".


A faixa que mais ouvi neste disco
"A cidade ideal", por causa desses versos:

"...Deve ter alamedas verdes
A cidade dos meus amores
E, quem dera os moradores
E o prefeito e os varredores
Fossem somente crianças..."

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Alguns anos depois (década de 80), os Trapalhões fizeram um filme que é uma "livre adaptação" da história, e contaram com a participação de Chico. Da trilha original, duas músicas foram aproveitadas: "História de uma gata" e "Minha canção", cantadas por Lucinha Lins na versão dos Trapalhões

Um pedacinho do disco

terça-feira, 2 de novembro de 2010

#036 Mark Knopfler, "Sailing to Philadelphia"

Talvez tenha alguma mensagem subliminar no disco, mas sempre que ouço "Sailing to Philadelphia" dá uma vontade danada de beber whisky. Eu costumo resistir, pois se eu tivesse que tomar um copo de Red Label a cada audição deste CD, eu seria mais pinguço que o Garrincha. Acho que a levada folk e o clima intimista do repertório contribuem horrores.

Bêbado ou sóbrio, considero "Sailing to Philadelphia" um tesourinho, um CD delicioso. Por anos e anos, o escocês Mark Knopfler foi a voz e a guitarra virtuosa do Dire Straits. Quando a banda decidiu encerrar suas atividades, o músico iniciou uma inspirada carreira solo. "Sailing to Philadelphia" reúne levadas folks, country music e uma guitarra mais chorosa, porém vibrante. Entre os convidados, James Taylor e Van Morrison atestam o clima introspectivo e maduro do artista.

A faixa que mais ouvi neste disco
Cara, "The Last Laugh" é sublime. Em parceria com Van Morrison, eles constróem todo o clima de despedida, de adeus. Putz, é difícil fazer uma música respeitável sobre saudade e fim de caso. "The Last Laugh" é lotada de emoção purinha, sem gelo e sem Red Bull.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Passo! Não tenho.

Um pedacinho do disco:

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

#035 Dido, "Life for Rent"

A britânica Dido ganhou projeção mundial quando "Stan", sua inusitada parceria com o rapper Eminem, virou um sucesso absoluto. Na aba do dueto, o primeiro disco da moça vendeu milhões e milhões de cópias. Para o grande público, a moça de voz fofa entrou para o clube dos artistas de um sucesso só. Tipo o EMF, Dee Lite, 4 Non Blondes e Lou Bega. Mas os fãs fiéis foram presenteados com o aveludado "Life for Rent", um tesourinho lançado em 2003.

Eu conheci este belo representante do bom pop através de uma ex-namorada. Quando ela estava mal-intencionada, "Life for Rent" tocava. Anos depois, eu comprei o álbum em (mais) uma promoção das Lojas Americanas. Disco bonito, ajustado e com canções suaves e pegajosas – todas discretinhas, levemente melancólicas e deliciosas. Dido mostrou para essas novas divas como fazer um álbum elegante e extremamente pop. Pena que elas não aprenderam.

A faixa que mais ouvi neste disco

Gosto de várias músicas deste CD. Ouvi todas várias vezes, mas acho que "White Flag" ganhou por pouco. Menções honrosas para "Don't Leave Home" e "Stoned".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade

"Life for Rent" é um disco terapêutico quando o trânsito está caótico. Vai por mim...

Um pedacinho do disco: