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terça-feira, 31 de maio de 2011

#246 L7, "Bricks are Heavy"

Já confessei por estas bandas que sou facinho facinho para bandas com vocais femininos. Sem fazer muita força, fiquei fã do Garbage, Cranberries, Cardigans, Kid Abelha, Pretenders, No Doubt, Pitty e até (forçando a barra) o Evanescence. Então, o que diria eu diante de um grupo formado só por meninas? Bom, não me refiro às Spice Girls e similares. Eu estou falando de rock'n'roll, como faz o L7.

Ouvi o L7 pela primeira vez quando as gurias vieram ao finado e saudoso Hollywood Rock. Ouvi, mas não dei bola. Na faculdade, reencontrei Donita Sparks, Jennifer Finch, Suzi Gardner e Demetra Plakas em seu disco mais popular: "Bricks are Heavy". Sim, heavy mesmo. Disco com riffs maneiras, pegada roqueira de cabo a rabo e meninas tatuadas com atitude malvada e cigarro no canto da boca. Quer saber? Adoro mulher brava!

A faixa que mais ouvi neste disco
Eu colocava "Pretend We're Dead" em modo repeat.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Curti muito "Bricks are Heavy" em um exemplar emprestado de um amigo. Porém, esta bolachinha só entrou na minha prateleira depois de uma visita a uma lojinha de CDs usados em Copacabana. Finalmente, tive (e ainda tenho) ao alcance as ótimas "Pretend We're Dead", "One More Thing" e "Everglade".
O vídeo deste post resgata os primórdios da TV por assinatura no Brasil. Saca o on-air (aquela log que fica no canto da tela) do Multishow.
Eu achava todas as L7 gatas. Um amigo dizia que elas pareciam feder. Cortar a magia era isso!

Um pedacinho do disco

segunda-feira, 30 de maio de 2011

#245 Trilha Sonora, "Grease - Nos tempos da brilhantina"


O filme quando lançado por aqui fez bastante sucesso nos cinemas, mas eu não tinha ainda idade para vê-lo. Como meus irmãos gostavam bastante, compraram o álbum duplo e ouviam direto lá onde morávamos. Com isso, muito antes de ver Sandy Olsson e Danny Zuko e suas desventuras adolescentes, já era viciado em sua trilha sonora.

A maior parte das músicas do disco é assinada pela australiana Olivia Newton-John e/ou pelo americano John Travolta (protagonistas do filme), ficando a música-título a cargo de Frankie Valli e alguns clássicos dos anos 50 cantados pelo grupo Sha-Na-Na. Algumas delas fizeram grande sucesso no mundo todo, mais especificamente "You're the one that I want", "Grease", "Summer nights" e "Hopelessly devoted to you", todas essas chegaram ao topo da parada da Billboard.

Lembro que eu viajava vendo as fotos da capa do vinil e imaginando o que rolava no filme. Eu não fazia a MENOR idéia da história! E se não me engano foi dos primeiros álbuns duplos de vinil que eu vi na vida (e curtia esse lance de lado 1, lado 2, lado 3 e lado 4) :D

A música que mais ouvi neste disco
"Summer nights" é a minha predileta (e consequentemente mais ouvida) desde sempre

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Essa é do filme em si, e não do disco: a cantora Sandy (filha de Xororó) tem esse nome em homenagem à personagem de Olivia Newton-John no filme. Ok, o nome dela é Sandy Leah, mas o primeiro nome foi inspirado pelo filme.

Um pedacinho do disco:

domingo, 29 de maio de 2011

#244 Pearl Jam, "Pearl Jam"

No finzinho de 2005, o Pearl Jam passou pelo Brasil. Foi uma turnê extensa, com cinco shows em algumas das principais capitais brasileiras. A última apresentação foi no Rio de Janeiro, onde eu estava esperando por eles desde a 7ª ou 8ª série. Desde que descobri o "Ten" e me encantei pelo "VS". Desde que uma menina me deu um toco sofrido ao som de "Black" em um churrasco de colégio. Desde que comecei a faculdade ouvindo "Jeremy". Eu esperava pelo Pearl Jam desde antes de saber que eles existiam.

A comoção por um show da banda no Brasil mexia com muito mais gente que eu. Cada show era sold-out e cada setlist era diferente. Eu comprei ingressos com antecedência de fã-tiete-groupie. Comprei o meu e da minha então namorada. Queria que ela estivesse comigo naquela noite especial na Praça da Apoteose. Alguns primos que eu não via há anos vieram de longe (leia-se Manaus) para ver o Pearl Jam também. Acho que Eddie Vedder e sua trupe não sabiam o quanto o Brasil esperava por eles. Duvido!

O show encerrou a passagem do grupo por paragens brasileiras e lavou a alma dos milhares de fãs que lotaram a Praça da Apoteose. Meus primos ficaram trêbados. Eu fiquei extasiado. Minha então namorada ficou alheia. A onda dela era samba. Acredito que ela não compreendia a mística daquele momento para mim ou para os meus primos. Fiquei frustrado à beça. Muito mesmo. Lamentei pela indiferença dela e por ela não conhecer nada do Pearl Jam. Senti um puta abismo entre nós.

Além da lembrança imortal daquela noite, comprei uma camisa preta e, pouco tempo depois, o CD "Pearl Jam", que sucedeu à turnê. Disco bacaninha, mas nada de mais. Ficou a memória afetiva. Esta bolachinha azul com o abacate na capa me leva até aquele showzaço na primavera de 2005.

A faixa que mais ouvi neste disco
Gostei de "Marker in the Sand" desde a primeira audição. É tão... tão... bacana! Ela começa de uma forma mais agressiva e se torna suave, cadenciada. Gosto dessa virada dentro da canção. Ah, "Parachute" é linda também. Acho que ela é muito "Marisa Monte".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Sinceramente, achei o disco bem "mais-ou-menos". Sabe o Ronaldinho no Flamengo? Tipo, o cara não tem jogado mal, mas não é genial, apesar de brilharecos. Comparação tosca, mas vá lá! O que eu quero dizer é que se fosse outra banda, seria um álbum legalzinho, mas sendo o Pearl Jam, ficou devendo.
Assim como o "VS", esse disco não teve o título na capa. Ficou "Pearl Jam" mesmo. Alguns o chamam de "Avocado", por causa do abacate que está na capa (dããããã).
"Big Wave" entrou na trilha sonora de um desenho de pinguins surfistas chamado "Tá Dando Onda". Filme fraco, por sinal.
O que encanta no Pearl Jam, mais do que o R.E.M. é acompanhar o amadurecimento dos caras. A forma como as canções se modificam com o tempo.

Um pedacinho do disco


sábado, 28 de maio de 2011

#243 Trilha Sonora, "The Wonders - O sonho não acabou"


Esse filme escrito e dirigido por Tom Hanks chegou nas telas brasileiras no verão de 1996 / 1997, e mostra a curta e promissora história de uma banda de rock no início dos anos 60, nos EUA. Pelo estilo de música e pela narrativa, você pode tirar paralelo com várias bandas que apareceram nessa época.

Dá até pra fazer paralelo com os Beatles. Hanks fez na história da banda várias referências a eles: a troca de baterista antes do sucesso, a mudança de tempo na música principal (acelerando para fazer mais sucesso), tal qual aconteceu com "Please Please Me" e também o trocadilho com o nome da banda (Oneders/Wonders e Beatles/Beetles).

O grande ponto do filme é: as músicas dos "The Oneders" (depois renomeados para "The Wonders") são MUITO boas! Inclusive o hit que movimenta a história, "That thing you do!". Por isso, muita gente por aí acredita que a banda realmente existiu, quando na verdade as músicas da trilha sonora (tanto as dos Wonders quanto as das outras bandas) foram escritas por Hanks, Adam Schlesinger, Howard Shore (compositor da trilha de Senhor dos Anéis), entre outros. Além da música principal, destaque também para "She knows it", que toca durante os créditos, ao final do filme

A música que mais ouvi neste disco
You... doing that thing you do... Breaking my heart in two... (claro, "That thing you do!")

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
A música "That thing you do!" é, desde que vi o filme, um dos meus principais mantras para levantar o astral. Acho que só sobrevivi ao ano de 1997 graças a ela :D

Um pedacinho do disco:

sexta-feira, 27 de maio de 2011

#242 Pink Floyd, "Pulse"

Uma das minhas frustrações é nunca ter ido a um show do Pink Floyd. Esta sensação de vazio foi parcialmente preenchida quando estive em uma apresentação espetacular do Roger Waters na Praça da Apoteose. Eu disse parcialmente, porque não é a mesma coisa. Uma das fontes desta devoção é o álbum duplo "Pulse".

Cara, eu lembro como se fosse ontem ou hoje de manhã. Depois do colégio, eu passei nas Lojas Americanas da Avenida do Imperador, em Petrópolis, e me deparei com uma torre de CDs. Até aí nada de mais, pois qualquer disco pode ser empilhado. "Pulse" foi único porque tinha uma luz piscando. As dezenas de caixas sobrepostas e as luzes vermelhas jogaram meu queixo do piso gelado da loja. Implorei e minha mãe comprou.

Em dois discos e 21 faixas, era música para cacete – ainda mais para um adolescente com tesão por música. Nunca fumei um baseado, mas eu viajava horrores em "The Great Gig in the Sky" e aquela luzinha vermelha piscando hipnoticamente. Acho que "Pulse" foi o primeiro CD 100% lisérgico da história fonográfica. Outro atrativo do álbum era que uma das bolachinhas tinha o repertório completo de "Dark Side of the Moon". De "Breathe" até "Eclipse", com bonus de "Wish You Were Here", "Comfortably Numb" e "Run Like Hell". No outro disquinho, tinha uma apanhado do Pink Floyd, com "Hey You", "Another Brick in the Wall" e algumas músicas do então recém-lançado "Division Bell".

A faixa que mais ouvi neste disco
"The Great Gig in the Sky", por razões anteriormente esclarecidas.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Mantive a luz vermelha do CD piscando por 10 anos. Em 2005, o bichinho morreu. RIP!
Há poucos anos, "Pulse" foi lançado em DVD. Nunca comprei. Acho que o barato deste disco era imaginar como seria o show pelas gravações e pelas muitas fotos do encarte. Acho que "ver" como foi realmente cortaria o barato.

Um pedacinho do disco


quinta-feira, 26 de maio de 2011

#241 Blur, "Blur"


Este 5º disco do Blur chegou às prateleiras numa das épocas que eu mais ralei na vida: estagiário sempre sofre, fato. Nessa época, encontros sociais eram mais raros, já que minha rotina se dividia em faculdade, estágio e treinos cada vez mais raros (cheguei a ficar uns 7 meses sem remar nessa época, antes de parar em 1998 por longos 8 anos). Por conta disso, meus discos eram meus grandes companheiros de jornada.


Foi mais ou menos nessa época (1997) que instalei meu primeiro CD Player no carro. Até então, só toca-fitas mesmo. Como já falei aqui, o primeiro CD que ouvi foi o acústico do Nirvana. Mas o que eu não contei é que esse disco do Blur deve ter sido o que mais tempo morou no aparelho. Pelo menos no ano de 1997. Ao comprar o disco, confesso que estranhei um pouco. Acostumado aos trabalhos britpop anteriores, engoli em seco a primeira audição desse disco. No entanto, me pareceu uma transição natural do som do Blur para uma vertente mais indie rock, e algumas músicas são bom exemplo disso: "On your own", "Beetlebum", "Song 2" e "You're so great". Passaram no teste, pelo menos nesse disco.

A música que mais ouvi neste disco
"Song 2", um dos grandes sucessos da banda, e que é tocado até por bloco de carnaval por aqui

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Essa foi a época também das maratonas etílico-laborativas: trabalho-noitada-dormidinha-trabalho. Uma fase assim meio circo dos horrores, mas todo mundo passa por uma fase assim na vida, né ? E a música "You're so great" (cantada pelo guitarrista Graham Coxon) me lembra muito as ressacas e as desventuras dessa época.

Um pedacinho do disco:


quarta-feira, 25 de maio de 2011

#240 Legião Urbana, "V"

Aos 19 anos, eu estava na faculdade de comunicação e tive uma "coisinha" com uma menina três anos mais velha. O termo "coisinha" é escroto, mas foi mais ou menos o que aconteceu. Eu tive uma paixonite por ela e ela parecia corresponder. A gente conversava sobre música entre os pilotis da PUC, fazia lanches no Bar das Freiras e caminhava na praia. Num certo pôr do sol, estávamos no Arpoador e senti que a hora era aquela. Roubei um beijo da menina. Pedi desculpas pela ousadia. "Tudo bem", ela disse. Esse foi o máximo que consegui. Fiquei na fossa e tive como companheiro o "V", da Legião Urbana.

Parêntesis: nunca sei se é "a" Legião Urbana ou "o" Legião Urbana. Enfim... não faz diferença.

Sejamos francos, se você quiser um estímulo para cortar os pulsos, "V" ajuda bastante. Neste álbum, Renato Russo está afiadíssimo em sua deprê. Fundo do poço. Tipo Amy Winehouse. Dolores Duran. Ah, você entendeu. Em sua maioria, as letras são tristes, fúnebres e quase épicas. Entre as 10 faixas, quatro tem mais de 5 minutos de duração. Só "Metal Contra as Nuvens" tem 11 minutos e cacetada. "Vento no Litoral" ajudou muito na minha fossa, especialmente no verso "Aonde está você agora, além de aqui, dentro de mim". Ah, é para esfacelar o coração, né? As faixas mais leves são "Sereníssima" e "Teatro dos Vampiros", que são bem cotidianas e calmas. Se as 10 faixas fossem na toada de "Metal Contra as Nuvens", a população jovem de Brasília seria exterminada em 1991, quando "V" foi lançado.

A faixa que mais ouvi neste disco
Por causa da fossa, "Vento no Litoral". Depois desta fase dark, "Sereníssima".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Me afastei da menina com que tive a "coisinha". Eu a reencontrei no exato dia em que fui à PUC pegar o meu diploma. Ela estava lá. Não senti mais "coisinhas". Nunca mais a vi, desde então.
Em uma das nossas conversas, ela me perguntou: "diz um homem que você acha bonito". Respondi: "bonito ele não é, mas o Zé Mayer tem estilo". Para minha surpresa, ela disse "a-do-ro o Zé Mayer. Você não é bobo, não". Acertei sem querer, mas não deu muito certo depois.
Quando li "Entrevista com o Vampiro", lembrei de "V" na parte em que Louis encontra Armand e o Teatro dos Vampiros. Se você não leu o livro, está no filme do Tom Cruise e do Brad Pitt.
Esse blog me faz lembrar de casa coisa...

Um pedacinho do disco


terça-feira, 24 de maio de 2011

#239 The Beatles, "Abbey Road"


Estou pra falar desse disco há um tempão, e nada de me inspirar. Sim, é considerado um dos melhores discos da banda (senão o melhor), mas de uns anos pra cá andei muito tempo mergulhado em alguns discos anteriores. Mais precisamente, os que já apareceram por aqui (Sgt Peppers, Álbum Branco, Revolver e Help!). Com a volta de Paul McCartney ao Rio no último fim de semana (após 21 anos), redescobri o Abbey Road.


Interessante saber que esse é o último disco gravado pelos Beatles (embora Let it be tenha sido lançado depois), mas ao mesmo tempo seja um dos discos mais consistentes da banda. Lembro muito bem na minha infância / adolescência do meu irmão falando da paixão que ele tinha pelo Abbey Road, e eu na época só queria saber do Help!, por exemplo.

Eu só comecei a gostar desse disco depois de entender a "lógica" dele: o lado A é composto por músicas independentes, ou seja, que funcionam bem sozinhas (como por exemplo as excelentes "Something" e "Here comes the sun", ambas composições do genial George Harrison). Já o lado B na verdade é um grande medley, onde todas as músicas emendam uma na outra. Pra quem ouve CD no shuffle (coisa que eu faço bastante), as músicas do lado B acabam ficando incompletas mesmo. Mesmo assim, hoje percebo que mais do que entender o disco, eu finalmente passei a SENTIR esse disco. E isso ficou claro pra mim ao ouvir o último verso do disco, na música "The End", no final do show deste domingo que passou (22/mai): "...and in the end, the love you take, is equal to the love you make...". Ali percebi que eu talvez não tivesse maturidade musical, emocional ou coisa parecida para perceber o Abbey Road em toda sua magnitude. Ou então eu simplesmente passei batido pelo disco, esperando melodias e arranjos fáceis como os da primeira fase da banda. Ou as duas coisas, sei lá.

HOJE, pelo menos, ele está ali brigando com o Sgt Peppers pelo título de disco dos Beatles que eu mais gosto (embora não tenha o mesmo impacto emocional do primeiro)

A música que mais ouvi neste disco
"Something", maravilhosa!

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
A capa desse disco é uma das imagens mais emblemáticas dos Beatles, e tem inúmeras homenagens / paródias em diversas mídias. Além disso, o fato de Paul aparecer na foto descalço já suscitou uma série de especulações acerca de sua identidade: existe uma teoria conspiratória de que o verdadeiro Paul McCartney morreu num acidente de carro, e que o Paul que conhecemos hoje na verdade é um sósia contratado para subsituí-lo. E que sua foto descalço na capa de Abbey Road na verdade é uma pista para a verdade. Cada coisa que inventam...

Um pedacinho do disco:

segunda-feira, 23 de maio de 2011

#238 O Rappa, "Lado B Lado A"

Se em "Rappa Mundi", os cariocas dO Rappa conquistaram o seu merecido lugar ao sol, "Lado B Lado A" os colocou em um nível acima do mero pop. A banda não se acomodou com suas contas bancárias recheadas. Sem tomar apenas um partido como os brothers do Planet hemp, os músicos Falcão, Yuka, Lobato, Xandão , Lauro e Negralha se tornaram as vozes de sei-lá-quantos pretos pobres que já sofreram na mãe de policiais corruptos ou da sociedade. Na voz rasgada de Falcão, a poesia ácida de Yuka invadia festinhas da playboyzada com histórias do Engenho Novo e das favelas. Cristo e Oxalá se encontram na mesma procissão sonora e ficam numa boa. É rock panfletário e eficiente, mesmo sem a testosterona do Rage Against the Machine. Cara, adoro este disco!

Acho que O Rappa popularizou o subúrbio sem a ferocidade intolerante dos Racionais MCs ou a saliência dos funkeiros. Cérebro da banda, Marcelo Yuka concebia pequenas óperas roqueiras no melhor estilo Legião Urbana. Ele fez a banda ser ouvida e levada a sério. Saca esses versos:

"Faltou luz, mas era dia
O sol invadiu a sala
Fez da TV um espelho
Escondendo o que a gente não via"

Na épica "Minha Alma", a mesma pegada poética e urbana:

"As grades do condomínio são para trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que está nessa prisão"

Sabe, acho que O Rappa é tão fiel às suas origens pobres, às suas fontes humildes, que as canções ganham autenticidade espontânea.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Minha Alma", que continua armada e apontada para a cara do sossego.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
O Rappa é a única banda nacional que acompanho. Sempre paro para ouvir seu novo trabalho e sempre ouço algo bacana. A banda superou a saída de Yuka, se reconstruiu e fez o que aprendeu desde que eram moleques da periferia: sobreviveram.
Ganhei "Lado B Lado A" quando completei 20 anos. Foi um presente de um amigo que sumiu. Perdi totalmente o contato com ele.
"Minha Alma" é o melhor clipe de rock nacional de todos os tempos. Tem fotografia, edição, roteiro... tudo perfeito! Você lembra de outro clipe casca-grossa? Eu lembro de "Diário de um Detento", dos Racionais, mas acho que não é tão maneiro.
Oito em dez amigas minhas perdem a linha e a compostura com o Falcão. Fenômeno!

Um pedacinho do disco

domingo, 22 de maio de 2011

#237 Lighthouse Family, "Ocean Drive"


O Lighthouse Family foi um desses fenômenos pop que surgem em determinadas épocas, invadem as rádios, todo mundo compra o disco e depois desaparecem sem deixar vestígios. Só não digo que são do tipo one hit wonder porque eles devem ter na verdade umas 4 ou 5 músicas que fizeram algum sucesso.

Esse duo britânico chegou às paradas de sucesso com esse disco, puxado pelo grande sucesso que a música "Loving every minute" fez nas pistas e nas rádios, lá pelo ano de 1996. Nessa época, este navegante que vos digita era um contumaz frequentador de boates escuras com gente bêbada e músicas repetitivas. Daí pra começar a dançar e ouvir essa música foi um pulo. Como era a época das grandes promoções das Lojas Americanas, comprei o CD tão logo apareceu a preço de banana.

De cara, só valeu por essa música e pela faixa título, "Ocean Drive". O resto do disco é fraco de dar dó. Alguns meses depois conheci uma menina que adorava as músicas deles, e passei a ter menos preconceito de algumas músicas. Mas bom mesmo, continuei não achando. Tanto que no fim do namoro o CD ficou com ela e eu não fiz esforço algum de recuperá-lo.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Loving every minute", claro.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Pra uma coisa o disco servia muito bem: para criar um bom clima a dois sem apelar para a Sade. :) Funcionava que era uma beleza! :D Ainda bem que hoje em dia temos o Morcheeba para essas missões...

Um pedacinho do disco: