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sábado, 24 de setembro de 2011

#362 Marisa Monte, "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor"

"Deixa eu dizer que te amo,
Deixa eu gostar de você.
Isso me acalma, me acolhe a alma.
Isso me ensina a viver"

Tem como não gostar de um disco que começa com esses versos? É uma declaração de amor tão bonitinha, tão sincera, que se torna irresistível. Esta é "Amor, I Love You". E assim é o resto de "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor", o quinto e mais romântico álbum da Marisa Monte.

Em 13 cabalísticas faixas, Marisa deu uma aula de como fazer um disco onde o amor quase desvairado e quase cafona é o tema principal – e sem perder a classe. A dor que aperta o peito e faz as pessoas perderem noites de sono em desatinos de saudade. Essa sensação está em "Não Vá Embora", "Tema de Amor", "Não É Fácil", "Cinco Minutos", "O que me Importa", "Abololô" e por aí va. Para falar da dor de cotolevo, "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor" consolida o ménage a trois artístico com Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes. Era o tribalismo ganhando forma.

Ah, e o disco ainda tem espaço para composições de Caetano Veloso ("Sou seu sabiá"), Jorge Ben ("Cinco Minutos"), Paulinho da Viola ("Para Ver as Meninas") e a dupla Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito ("Gotas de Luar"). Aí você vê como Marisa se cerca de gente boa na hora de fechar os seus CDs. Assim como qualquer outro trabalho em que a portelense ponha a mão, "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor" é obrigatório.

A música que mais ouvi neste disco
Sem dúvida, "Não Vá Embora". Com percussão explosiva, Marisa rasteja pelo seu amado e suplica "Eu podia estar sofrendo, caído por aí. Mas com você eu fico muito mais feliz". Belo! Ah, outra que merece nota é "Gentileza", composta por ela para o artista, grafiteiro e maluco beleza Gentileza.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Marisa Monte lançou "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor" no Rio em um show no Citibank Hall. Foi na época do meu aniversário. Uma tia me deu de presente 4 ingressos para este show. Fui com a família. Belíssima apresentação. Marisa manda bem no estúdio e no palco.
Nesta época, Marisa Monte estava sob gestão do Davi Moraes, filho do Moraes. Ele é o guitarrista neste disco.
O encarte é recheado de fotos, tiradas a esmo pela própria Marisa e a aproveitadas na direção de arte. São retratos de livros ("Senhora", por exemplo), CDs, pedaços do estúdio e detalhes da anatomia da artista, como os seus pés.
Em "Amor, I Love You", Arnaldo Antunes declama em voz gutural um trecho de "O Primo Basílio", de Eça de Queirós.
"Memórias, Crônicas e Declarações de Amor" foi gravado em Salvador, Rio de Janeiro e Nova York.

Um pedacinho do disco




sábado, 17 de setembro de 2011

#355 Monobloco, "Ao vivo"

A mistura de batucada com pop e mpb foi uma das grandes sacadas da música nesses últimos anos (põe aí uns 10 anos nisso), e um dos grandes méritos disso foi de Pedro Luís (do grupo Pedro Luís e a Parede) ao criar o conceito do Monobloco. Outros grupos seguiram a mesma idéia, mas a grande sacada do Monobloco foi jogar mais pra torcida do que para o time: focar em grandes sucessos da música brasileira, aqueles que numa festa levam todos para a pista de dança.

Mas para que a idéia desse certo, eles precisavam de uma bateria de escola de samba. Ao invés de ir nas principais escolas de samba do Rio, decidiram abrir uma oficina de percussão e formar sua própria bateria. A idéia foi um sucesso e se alastrou pela cidade, onde hoje existem dezenas de oficinas de percussão com o mesmo intuito. Com tudo isso, em pouquíssimo tempo os "ensaios" do Monobloco passaram a ser super concorridos. Lançar um disco / DVD com as versões Monobloco das músicas era questão de tempo.

Esse CD foi lançado quando o Monobloco deu um salto considerável de popularidade, em 2006. Coincidentemente, foi o ano que eu fiquei solteiro após muitos anos namorando, e quando me joguei de cabeça na folia momesca carioca (antes disso a cidade ficava deserta, quase todo mundo passava carnaval em outras cidades). Mais um que eu ouvi até gastar o disco

A música que mais ouvi neste disco
"Os orixás / Anunciação"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Nessa época, faziam parte da banda Serjão Loroza (que também tem uma consistente carreira de ator e agora segue carreira com o grupo Serjão Loroza e Us Madureira) e Rodrigo Maranhão, que agora se dedica só ao grupo Bangalafumenga e a sua carreira solo.

Um pedacinho do disco:



terça-feira, 23 de agosto de 2011

#330 Cássia Eller, "Acústico MTV"

Ah, os acústicos que tanto odiamos e adoramos. Pode ser a redenção de uns e a queimação de outros. No caso da Cássia Eller, achei que foi precipitado. "Tsc, tsc, tsc... com tanto pela frente, já gravando uma coletânea", pensei. Mal sabia eu que o destino, brincalhão e maroto, tinha armado seus pauzinhos para que o disco desplugado de Cássia fosse o seu adeus.

Ok, ok, este primeiro parágrafo foi dramático e piegas. Não resisti!

Bom, "Acústico MTV" mostra que Cássia tinha talento e recursos para interpretar vários estilos com segurança e personalidade. No balaio de compositores, a cantora abraça as obras de Chico Buarque, Marisa Monte, Cazuza, Renato Russo, Nação Zumbi, o rapper Xis e até o Riachão, que é lendário na Bahia, mas eu nunca tinha ouvido falar. Esqueci de mencionar o Nando Reis? Nãããão. Como poderia fazer tal blasfêmia. "Acústico MTV" foi a festa de casamento entre a intérprete e o seu compositor favorito. Tem "Relicário", "Luz dos Olhos" e "O Segundo Sol", que nasceram na cabecinha ruiva de Nando, mas ganharam o mundão na voz poderosa de Cássia.

Acredito que este é um dos melhores unpluggeds produzidos pela ême-tê-vê.


A música que mais ouvi neste disco
"Malandragem", talvez. Ou "Relicário". Dúvida...

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
O disco foi gravado em março de 2001. Cássia faleceu em dezembro do mesmo ano. Estava na turnê do álbum.
Posso dizer que Cássia Eller foi a nossa Amy Winehouse?


Um pedacinho do disco:

sábado, 13 de agosto de 2011

#320 Marisa Monte, "Mais"

Já contei aqui que o "V", da Legião Urbana, foi um companheiro fiel de uma fossa memorável em minha biografia. No entanto, o pequeno caso com a mocinha da faculdade não rendeu apenas lembranças musicais tristes. Eis que "Mais", de Marisa Monte não me deixa mentir.

Entre os lendários pilotis da PUC, eu encontrava a tal menina entre uma aula e outra. Eu até furava as clássicas partidas de sueca para continuar a campanha. A gente ficava passeando pela área verde da saudosa Pontifícia e conversávamos sobre uma porção de coisas. Um dos assuntos era música, em especial Marisa Monte e seu belíssimo 2º CD. A minha então musa era fã da cantora. Certo dia, eu copiei a letra de "Rosa", poesia de Pixinguinha e Otávio de Souza, que foi magistralmente regravada por Marisa, e entreguei à guria. Ela adorou. Peguei? Não.

Enfim, vida seguiu e eu ainda acho graça quando ouço "Mais". Fora o meu "causo", este disco é um clássico da MPB e a afirmação de Marisa Monte como uma das melhores intérpretes da nossa música em todos os tempos. Não por acaso, que este álbum registra parcerias entre ela e, especialmente, os Titãs Arnaldo Antunes, Branco Mello e Nando Reis. Das 12 faixas, o trio titânico assina ou faz parceria em sete canções. Com Arnaldo, foi o embrião do que se tornaria o projeto Tribalista.

A música que mais ouvi neste disco
"Beija Eu" é uma das aberturas mais meigas de todos os meus discos. Não por acaso, ouvi muito esta bela canção. Mais até do que "Rosa", que ilustrou a aventura narrada acima. No entanto, se você me perguntar qual a minha faixa favorita, eu lhe digo sem pestanejar: "Diariamente".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Mais uma? A história da menina da PUC basta, né não?

Um pedacinho do disco

sábado, 30 de julho de 2011

#306 Marcelo D2, "À Procura da Batida Perfeita"

Tenho implicância com o rap. Pronto. Falei. Acho chato, repetitivo e muito mais "forma" do que "conteúdo". Claro que aquela indumentária gangsta, com óculos escuros, cordões de ouro e várias gostosas ao redor. É o sonho americano vestindo Armani. Mas (graças a Deus, sempre existe o "mas"), curto alguns representantes do estilo, como os Beastie Boys, o Snoop Dogg (o Mr. Catra made in USA), Orishas, Ice-T e o Public Enemy. Em ondas sonoras brasileiras, alguns conterrâneos se aventuraram por este estilo. Na minha opinião, os dignos de nota são os Racionais MC's, o Gabriel O Pensador e o Marcelo D2 - ao qual dedico esta resenha.

Na boa, Marcelo D2 ganhou meu respeito pela maneira como absorveu o que há de melhora da black music nacional (incluindo o samba) e processou tudo em um rap brasileiríssimo. O resultado foi o disco "À Procura da Batida Perfeita", lançado em 2003 e já um clássico. Com letras divertidas, musicalidade show de bola e sotaque (exageradamente) carioca, Dr. Marcelo rompeu o cordão umbilical com o Planet Hemp e conquistrou a sua emancipação artística e aceitação popular. O cantor bombou em rádios, MTV e foi convidado de programas de auditório. Algo impensável para alguém que foi preso por "apologia às drogas" no final dos 1990s.

No mainstream desde então, Marcelo D2 virou referência nacional e internacional. Ficou amigo de medalhões do cancioneiro gringo (como o Black Eye Pea Will.I.Am) e continua fazendo o que sempre fez: tirando onda.

A música que mais ouvi neste disco
"Qual É?". E eu te pergunto: "qual é, neguinho? Qual é?".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Não posso me queixar da sorte. Já ganheiro prêmios em sorteio de festa da empresa e em promoção de rádio. Numa dessas, ganhei a discografia do Marcelo D2 em uma ação da OI Fm. além de três CDs, descolei um DVD na faixa.

Um pedacinho do disco

domingo, 10 de julho de 2011

#286 Jorge Ben, "23"

Por um desses fenômenos inexplicáveis da indústria fonográfica, Jorge Ben desapareceu na purpurina dos anos 1980. Toda a magia criativa dos anos 1960 e 1970 foi esquecida. Verdade seja dita, muito graças a ele próprio. Pois tão súbito quanto sumiu do mapa, Jorge voltou. Trocou o Ben por Ben Jor e caiu nas graças da moçada lá pelo comecinho dos anos 1990. O CD que impulsionou este retorno foi o "23".

Vamos ser francos e limpinhos, "23" é legalzinho, mas não chega aos pés de "África Brasil". Claro que um artista com a criatividade do Jorge não faria feio, mas "23" é um disco assim-assim. Bom, dito isso, posso esquecer as nuances pseudo-críticas e me jogar na nostalgia. Eu fui um dos muitos garotos e garotas que descobriram o Ben Jor por este disco. Era um fase divertida, de tomar catiripapos na escola e buscar assiduamente os peitinhos das coleguinhas. Um dos diferenciais competitivos era justamente ser musicalmente descolado, pois eu era magrinho, cabeçudo e usava óculos. Aparecer no colégio com uma fitinha K7 da melhor banda de todos os tempos da última semana despertava a atenção.

Pois então, "23" era um desses discos que levantavam o popularômetro do indivíduo sub-15. E ainda mais se rolasse "Engenho de Dentro" na festinha americana – mesmo com uma das letras mais non-sense de toda a história da MPB. Ou então a biológica "Spyrogyra Story", com seus belos plânctons. Jorge podia não dizer coisa nenhuma, mas tinha um balanço contagiante. E para perceber isso, não precisava ser um contemporâneo de "Samba Esquema Novo". Jorge Ben Jor é universal e atemporal.

A música que mais ouvi neste disco
"Engenho de Dentro", com seu refrão djavaniano (ou seja, nada com anda) "Engenho de Dentro / Quem não saltar agora / Só em Realengo".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
A banda de apoio que participa de "23" é qualquer nota: Paula Lima nos vocais, Simoninha nos teclados, Leo Gandelman no sax, Ivo Meirelles na percussão, Bi Ribeiro no baixo e o síndico Tim Maia.
Aliás, foi neste disco que o povão descobriu que Tim Maia era síndico.
O trio formado por Jorge Ben Jor, Tim Maia e Bi Ribeiro foi candidamente batizado de BenTimBi.
Acbo que foi a partir deste disco que São Jorge ficou pop. Na capa, há a inscrição "Santo também é muso".
23 de abril é o dia de São Jorge. Virou feriado no Rio.

Um pedacinho do disco

sábado, 25 de junho de 2011

#271 Jorge Ben, "África Brasil"

Durante anos, música brasileira sofisticada era sinônimo de Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, Baden Powell e outras feras. No entanto, acredito que foi Jorge Ben e Tim Maia que fizeram canções altamente elaboradas e com fortíssimo apelo popular. Enquanto Tião Marmiteiro (futuro Tim Maia) era mestre no soul com alma brasileira, Balbulina (vulgo Jorge Ben) encontrou a fusão perfeita entre o samba e o rock, do qual nasceu o indispensável "África Brasil".

Com uma musicalidade extraordinária, Jorge cantou o amor e temas do cotidiano do povão. No repertório, tinha amor, musas e muito futebol. "Ponta de Lança Africano (Umbabarauma) " atravessou as fronteiras e ganhou o mundo. "O Camisa 10 da Gávea" carimbou a devoção de Jorge ao Flamengo e concedeu ao magistral Zico a maior homenagem da sua vitoriosa carreira.

E ainda tem "Taj Mahal", "Hermes Trismegistro", "O Plebeu", "Xica da Silva" e muitos outros. O LP foi remasterizado pelo sagaz Titã Charles Gavin. Eu, particularmente, considero "África Brasil" um daqueles CDs lendários, míticos, únicos. Coisa fina!


A música que mais ouvi neste disco
Por curtição, "Ponta de Lança Africano (Umbabarauma) ". Por devoção e rubro-negrismo, "O Camisa 10 da Gávea".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"Ponta de Lança Africano (Um "Umbabarauma) " está na lista do jornal The Guardian e no livro "The Book of Playlists", na categoria "as melhores músicas sobre esportes".
Sempre me arrepio quando ouço "O Camisa 10 da Gávea". Brilhante homenagem ao Galinho. O engraçado é que Jorge tentou fazer o mesmo tributo ao atacante Fio Maravilha, que não entendeu o espírito da coisa e processou Jorge.


Um pedacinho do disco

sábado, 7 de maio de 2011

#222 Gilberto Gil, "Expresso 2222"

222 rotações com o "Expresso 2222". Chega a ser quase cabalístico!

Sempre fui um cara interessado em música, mas só me tornei um real explorador dos bons sons depois dos três anos e meio em que trabalhei na produtora do digníssimo Gilberto Passos Gil Moreira, resumindo: Gilberto Gil. E o projeto era o finado e saudoso site Expresso 2222, que veio antes mesmo do camarote carnavalesco e do trio elétrico.

Naquela época, eu trabalhava produzindo conteúdo, fruto de entrevistas, resenhas, releases, coletivas e por aí vai. Sem exagero, eu vivia música das 9h às 18h e ainda tinha o prazer de prosear com o próprio Gilberto Gil. Eram papos curtos, mas bem divertidos. Ele sempre tinha inúmeros compromissos, mas dedicava uns minutinhos para papear sobre o site, sobre música e sobre a coincidência de eu fazer aniversário no mesmo dia do Chico Buarque. Gil era para mim a humanização do ídolo, o gênio criativo em carne, osso e simplicidade. Cada minuto era uma aula e um privilégio.

Ah, o disco? Putz, quase esqueci. "Expresso 2222" marcou o retorno de Gil ao Brasil após o exílio na Europa. Talvez por isso, o álbum é tão "abrasileirado", tão cheio de raízes. Tem participação da Banda de Pífanos de Caruaru ("Pipoca Moderna"), a emblemática "Back in Bahia", a bossa de "Chiclete com Banana", o dueto tropicalista com Gal Costa em "Sai do Sereno" e o embalo nordestino de "O Canto da Ema". No topo, a es-pe-ta-cu-lar "Expresso 2222", que tem uma das introduções mais formidáveis da MPB.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Expresso 2222". 1, 2, 3, 4, 10, 1000, 2222 vezes! Linda, vigorosa, brasileira, imortal. Um clássico que parte direto de Bonsucesso para depois. Fico encantado a cada vez que ouço a crescente instrumental, que começa apenas com o violão de Gil e termina com uma banda em pleno carnaval de sons. "Começou a circular o Expresso 2222..."

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Caramba! Podem apedrejar, mas acho que é um sacrilégio que a belíssima "Chiclete com Banana" tenha virado nome de banda de axé.
Segundo Gil, "Expresso 2222" começou a ser composta em uma viagem lisérgica em Londres. No meio da onda, o primeiro rascunho foi escrito e esquecido em uma gaveta. Um ano depois, o artista achou os manuscritos e finalizou a música.
O CD que tenho vai além das nove faixas originais. Foram resgatadas "Cada Macaco no Seu Galho", " Vamos Passear no Astral" e "Está na Cara, Está na Cura", todas com pitadas experimentais.
A versão redux que tenho foi concebida pelo cracaço musical Marcelo Fróes.

Um pedacinho do disco

terça-feira, 19 de abril de 2011

#204 Los Hermanos, "Ventura"

Após o belíssimo "Bloco do Eu Sozinho", os cariocas do Los Hermanos se firmaram na primeira divisão da música brasileira e conquistaram multidões de fãs. Os caras viraram os queridinhos dos descolados, dos cultos, dos universitários e dos frequentadores do circuito Estação (rede de cinemas com filmes alternativos). Com canções elaboradas e letras sofisticadas, o quarteto barbudo abriu mão do popularesco, mas continuou fazendo sucesso. "Ventura" foi mais uma evidência de que Camelo, Amarante, Barba e Bruno Medina não estavam para brincadeira.

Sou muito fã de "Ventura". Seguindo a linha "poesia-cotidiana-simples", Camelo e Amarante continuavam afiadíssimos. Acho "O Vencedor" uma preciosidade, da mesma forma que "Tá Bom" é comovente. "Último Romance" é de uma honestidade cortante, com os versos "até quem me vê / lendo o jornal / na fila do pão / sabe que eu te encontrei". "Cara Estranho", o single de "Ventura, ganhou as rádios e a MTV transmitindo em sua poesia o sentimento de loser que há em cada pessoa. Sem galãs ou marombados, os caras do Los Hermanos se tornaram os porta-vozes de todos os tímidos que escrevem versinhos apaixonados no caderno da escola.

A faixa que mais ouvi neste disco
Canta comigo: "eu que já não quero mais ser um vencedor / levo a vida devagar pra não faltar amor". Sim, "O Vencedor" é de uma "fofice" ímpar.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"Ventura" foi mais um disco que ganhei na época em que trabalhava com música. Por causa dele, eu entrevistei os Los Hermanos. Foi uma conversa especial, pois era um papo com meus antigos amigos de faculdade. Foi um compromisso profissional, mas teve um ar de reencontro e oportunidade para botar o papo em dia. Nunca mais conversei com eles.

Um pedacinho do disco

segunda-feira, 11 de abril de 2011

#196 Teresa Cristina, "A Música de Paulinho da Viola"

Com o advento do pagode-power-ranger (aquele com cinco ou seis caras tocando músicas de corno), me afastei consideravelmente do samba. Aliás, nunca fui um grande seguidor do batuque carioca. Só que sou um fã de carteirinha do Zeca Pagodinho, Martinho da Vila e Paulinho da Viola. Dentre os citados, poucos conseguem ser tão elegantes quanto Paulinho da Viola. Talvez apenas o incomparável mangueirense Cartola, mas é briga de cachorro grande. Dentre a nova geração da MPB, a talentosa Teresa Cristina estreiou com um disco ousado: um tributo à obra do nobre portelense.

No Rio de Janeiro, a Lapa é um tipo de universidade do samba. Novos artistas surgem ou desaparecem nas vielas e bares do bairro. Teresa Cristina é criada, graduada, pós-graduada e mestra na Lapa. Com talento e sensibilidade, ela abraçou a obra de Paulinho como quem tem a certeza de que estava com a oportunidade da sua vida. Ao lado do fiel Grupo Semente (também originário do centro do Rio), Teresa cria no álbum duplo "A Música de Paulinho da Viola" uma homenagem à altura do mestre.

Teresa achou o ponto certo para ser uma versão de saias de Paulinho. Até vascaína ela é. O repertório também foi corretíssimo. Além das imortais "Meu Mundo É Hoje", "Pecado Capital", "Para Ver as Meninas", "Guardei Minha Viola", "Argumento" e "Coração Leviano", a cantora e sua banda resgataram chorinhos deliciosos como "Inesquecível". No fim das contas, vejo "A Música de Paulinho da Viola" como o encontro das criações de um ícone da nossa música com a sensibilidade de um talento real da MPB.

A faixa que mais ouvi neste disco
Adoro "Para Ver as Meninas", que ainda conta com a participação luxuosa do grupo Época de Ouro.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Um dia, entrevistei Teresa e tietei. Meu disco tem um autógrafo da moça que diz assim: "Douglas, que a música possa trazer à tona um pouco mais de paz e alegria. Um grande abraço. Teresa Cristina".
Teresa não gravou "Dança da Solidão". Segundo ela, Marisa Monte interpretou a versão definitiva desta canção.

Um pedacinho do disco

quinta-feira, 7 de abril de 2011

#192 Vinicius de Moraes, "Grabado en Buenos Aires"

Quando trabalhei escrevendo sobre música, tive a oportunidade de conhecer (e fuçar) uma cacetada de discos. Em um projeto sobre Vinicius de Moraes, encontrei um disco célebre e raro: "Vinicius de Moraes - Grabado en Buenos Aires".

Registrado (dãããããã...) na capital argentina, álbum foi gravado em estúdio, mas ao vivo. Como assim, Bial? Segundo o textinho do encarte, Vincius reuniu Toquinho, Maria Creuza, alguns músicos argentinos e vários litros de Johnnie Walker durante duas noites de folia e música. O resultado é uma festa musical com um clima de happy hour.

"Grabado en Buenos Aires" começa tirando onda. Na primeira faixa, Vinius e companhia sacaneam os hermanos cantando "A Taça do Mundo É Nossa". Ah, esqueci de mencionar que o projeto rolou em 1970, pouco tempo depois da conquista do tri pela seleção canarinho. No restante do disco, clássicos da bossa nova e da MPB, como "Eu Sei que Vou Te Amar", "Que Maravilha", "Irene", "Canto de Ossanha" e por aí vai. Vinicius canta, bebe e se diverte.

A faixa que mais ouvi neste disco
CD divertido de ponta a ponta. Gosto muito de "Irene" e "Que Maravilha"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Não tenho certeza, mas acho que este é um disco raro. Eu o achei em um promoção mandrake da extinta Gramophone e nunca mais.
Pelo que lembro, ele não constava na discografia oficial do Vinicius e quando desenvolvemos o site, este CD entrou por minha indicação. Foi a minha humilde contribuição ao belo site oficial do Poetinha.
Ah, pelo que recordo, a família do Vinicius detestava quando ele era chamado de "Poetinha".

Um pedacinho do disco

segunda-feira, 28 de março de 2011

#182 Zeca Pagodinho, "Acústico MTV"

O projeto Acústico da MTV, depois de revitalizar a carreira de muita gente boa do pop rock brasileiro dos anos 80, partiu para outras praias. Entre elas, o samba de raiz. Sim, porque eu não consigo rotular o som de Zeca Pagodinho e colocar no mesmo balaio com trocentos outros grupos de pagode, muito inferiores na minha opinião.

Como o polêmico Zeca tem uma longa estrada de músicas de sucesso, esse acústico MTV caiu como uma luva para fazer uma estilosa retrospectiva de sua carreira. Foi lançado em 2003, mas eu só vim a comprar no final de 2005, numa fase bastante instável da vida. E aí que digo que ele é um diferencial: suas músicas de um modo geral passam uma mensagem otimista, de bem com a vida, e posso até dizer que muitas das músicas mostram o que é ser autenticamente carioca. Taí, o Zeca é um dos meus estereótipos de carioca!

Já tinha visto um show do Zeca no ano 2000, mas nada de ter um CD dele. Talvez estivesse esperando uma coletânea, e se foi isso me dei muito bem. Praticamente todas as principais músicas dele estão lá. Desde a clássica "Quando eu contar (Iaiá)" até a bem humorada "Não sou mais disso", passando pelo "hino" da conquista do pentacampeonato mundial da Seleção Brasileira "Deixa a vida me levar (vida leva eu)". Ok, uma exceção: "Faixa amarela", que eu me amarro. Mas não deixa a desejar por isso. Se você curte samba de raiz, esse disco é OBRIGATÓRIO! Mesmo se você abominar pagode.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Seu balancê", uma bela canção de Toninho Geraes

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"Vai vadiar" é uma das poucas músicas do tipo dor de cotovelo que eu gosto, talvez por demonstrar alguma atitude. Ou talvez por eu ter descoberto quando terminei um namoro longo sem ficar lamentando o próprio destino ;)

Um pedacinho do disco:


segunda-feira, 7 de março de 2011

#161 Caetano Veloso "Muitos Carnavais"

Se você está lendo esta resenha no dia exato da publicação, acredito em duas hipóteses:

a) Você abomina o Carnaval e está curtindo o feriado em algum recanto off-folia.

b) Você está naquele momento de repouso entre um bloco e outro.

Seja lá qual for a opção, a certeza que tenho é que hoje o Brasil está naqueles dias de catarse em que escolas de samba, trios elétricos, blocos e foliões estão por todos os cantos. Em algum momento das transmissões da Globo ou da Band Folia, Caetano Veloso vai aparecer – seja na Marquês de Sapucaí (Rio) ou no Circuito Barra-Ondina (Salvador). Caê se amarra neste período do ano e já gravou um disco inteiro dedicado à festa de Momo. "Muitos Carnavais" reúne 12 marchinhas (a maioria de sua autoria) para animar pistas e avenidas.

Confesso que ouvi poucas vezes este disco. Na verdade, comprei porque estava barato e também por curiosidade. Enfim, comprei, ouvi e guardei. Após anos, tirei da gaveta para escrever este texto. A impressão que tive é que é um álbum com melodias suaves e com letras festivas. O espírito é dos bloquinhos do Rio e não das megaproduções baianas. Não senti a energia over dos blocos da Ivete ou das baterias das escolas de samba. É um som meio retrô, meio clube. Tem até um sambinha com ares de bossa nova ("Hora da Razão"). Vale um confere.

A faixa que mais ouvi neste disco

Nenhuma em especial. Tem que escolher uma? Então tá: "A Filha da Chiquita Bacana"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade

A letra de "Deus e o Diabo" tem uma passagem profana que acho que sintetiza bem o espírito do Carnaval brasileiro: "O carnaval é invenção do diabo / Que Deus abençoou".

Tive uma namorada muito culta, fã do Caetano. Em um Carnaval, eu lhe dei uma cópia de "Muitos Carnavais".

Em uma coletiva de imprensa, Caetano declarou que tem um projeto de gravar um novo disco carnavalesco. Dessa vez, só com músicas do Carnaval da Bahia.

"Atrás do Trio Elétrico" virou um dos hinos do Carnaval de Salvador.

Um pedacinho do disco

domingo, 6 de março de 2011

#160 Cartola, "Cartola (1974)"


Como disse aqui ao falar do último disco do Bangalafumenga, o samba pra mim é uma novidade recente. Embora eu tenha curtido alguns carnavais acompanhando desfiles de escolas de samba quando meu pai ainda estava vivo, eu nunca dei muita bola pro estilo. Depois de um hiato de alguns anos, acompanhei a escalada do Salgueiro rumo ao título do carnaval de 1993, e voltei a ignorar o ritmo.


Eis que há cerca de 3 anos, conheci uma menina bem intelectualizada, mas que dizia adorar Cartola. Achava que isso só podia ser um discurso pronto, numa de querer parecer uma pessoa cult. Passado algum tempo, comecei a presenciar como batuqueiro como é uma arte fazer um bom samba, e numa rodinha com amigos (na qual estava tocando ganzá, que nem é um dos instrumentos que normalmente toco) descobri finalmente Cartola. Daí, fui correndo atrás da obra dele, e me deparei com essa preciosidade, lançada no ano que eu nasci.

Disco recheado de grandes sucessos da vida de Cartola, com algumas músicas em parceria com outros grandes sambistas, só foi lançado quando o músico tinha 65 anos, buscando fazer justiça a grande contribuição dele para a nossa música. Duvida disso? Então me diga o que acha de "Preciso me encontrar", de Marisa Monte. Pois é, mais uma dele!

A faixa que mais ouvi neste disco
"O sol nascerá"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Cartola nasceu e viveu a infância na minha querida Laranjeiras, até se mudar para a favela da Mangueira em virtude de dificuldades financeiras de sua família. Foi um dos fundadores da escola de samba Estação Primeira de Mangueira através do seu bloco dos arengueiros, mas ficou muitos anos afastado da cena musical por desavenças na comunidade e por ter ficado muito doente. Foi encontrado por acaso pelo jornalista Sérgio Porto no final da década de 50 trabalhando como lavador de carros em Ipanema, e daí pode retomar contato com a música, servindo de influência para toda uma nova geração


Um pedacinho do disco:

terça-feira, 1 de março de 2011

#155 Chico Buarque, "Chico no cinema"

Estou longe de ser capacitado pra falar com propriedade da discografia do Chico Buarque. Demorei pacas a mergulhar na obra do "carioca" cujos olhos causam suspiros em 8 entre 10 mulheres. Felizmente a idéia aqui é falar de um disco, e não da discografia (senão a Maria poderia falar muito melhor disso do que eu)


Resolvi falar desse aqui pois foi justamente assim que tomei conhecimento das músicas de Chico: pelas músicas feitas para filmes. Começou lá atrás, na trilha sonora do filme "Os saltimbancos trapalhões" (da qual falarei mais pra frente). Depois, o desfecho perfeito que a música "Futuros amantes" deu ao filme "Pequeno dicionário amoroso". E catando músicas aqui e ali, cheguei a essa coletânea feita só com sucessos de Chico que figuram em vários filmes nacionais.

Muitas dessas músicas eu tive o privilégio de tocar em blocos de carnaval ou ouvir versões interpretadas pelas queridas amigas do Mulheres de Chico. E foi graças a esse disco que me joguei mais fundo na discografia dele, e que se acentuou minha paixão pelo carnaval

A faixa que mais ouvi neste disco
Esse disco tem pelo menos umas 10 músicas que ouço muito, mas a que mais ouvi foi com certeza "Não sonho mais", num delicioso ritmo de coco

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Desde que voltei a curtir o carnaval no Rio, em 2006, que "A noite dos mascarados" se tornou um hino pra mim. Basta ouvir os primeiros versos de Chico e Elis pra imaginar os bons blocos, e imaginar como foram os grandes carnavais cariocas dos anos 50 e 60, época das grandes marchinhas e da doce inocência pré ditadura militar


Um pedacinho do disco:


sábado, 19 de fevereiro de 2011

#145 Cássia Eller, "Cássia Eller"

Era uma vez 1994...

Eu cheguei do colégio e encontrei sobre a mesa da cozinha um pacote branco. Pelo formato, consegui verificar que eram CDs. Minha mãe fazia esse tipo de coisa comigo: comprava discos e deixava em algum lugar da casa para que eu tivesse a sensação de descoberta, de surpresa. Eram quatro discos: duas coletâneas que se perderam no limbo, um tributo ao Queen liderado pelo George Michael e um álbum de uma tal Cássia Eller.

Na época, Cássia Eller conseguira um certo destaque na TV ao gravar com Edson Cordeiro um mash-up entre "Satisfaction", dos Rolling Stones, e "Rainha da Noite", do Mozart. Essa versão não estava no repertório do disco comprado pela minha mãe. Definitivamente, não fez falta. Além de "Malandragem", que se tornaria um hino de Cássia, a seleção mostrava o quanto a cantora era talentosa e versátil. Ao escrever as tags de post, percebi isso. Tinha MPB ("Socorro"), Rock ("Metrô Linha 743"), Soul ("Try a Little Tenderness"), Samba ("Na Cadência do Samba"), Blues ("Blues do Iniciante") etc. Tudo misturado e sem perder a pegada.

A música que mais ouvi neste disco
"Malandragem", sensacional cartão de visitas da Cássia Eller e uma pequena amostra do que viria nos anos seguintes. "Quem sabe eu ainda sou uma garotinha..."

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Nada de mais. Só acho a capa deste disco uma das mais bonitas do Rock brasileiro (ou MPB ou whatever...)

Um pedacinho do disco

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

#143 Los Hermanos, "Bloco do Eu Sozinho"

Nos idos (e bons) tempos de faculdade, eu escrevia para um jornalzinho interno chamado "Tio Maneco". Distribuido gratuitamente, o veículo fazia piadinhas sobre o cotidiano da PUC, dava dicas culturais e relatava os micos dos colegas. O staff era formado por mim e três amigos. Um deles era o então estudante de comunicação Marcelo Camelo,

Eis que no verão de 2000, "Anna Julia" virou um febre repetida insuportavelmente por rádios e TVs. O Los Hermanos, banda que eu já tinha ido ver em shows pequenos no Empório (ótimo rock-bar na Rua Maria Quitéria, em Ipanema) agora estava nas rádios, na MTV e no programa do Faustão. Sem demagogia, torço muito pelo sucessos dos amigos e, até então, Marcelo era um amigo relativamente próximo.

Em 2001, "Bloco do Eu Sozinho" foi lançado sob muita expectativa. Haveria nele outro hit avassalador como "Anna Julia". Tcha-ram! Não tinha. Mas, em compensação, o CD apresentou uma banda mais barbuda e com um repertório consistente. A partir daquele álbum, o Los Hermanos desisitiu dos programas de auditório e da Ilha de Caras para se comprometer com a qualidade musical. Nas suas 14 faixas, o ouvinte encontra rock, MPB, pitadas de samba e ótimas letras, com destaque para as belas "Todo Carnaval Tem Seu Fim", "A Flor", "Sentimental" e "Casa Pré-Fabricada". Camelo, Amarante, Barba e Medina fugiram do sucesso insípido e se tornaram uma das bandas mais respeitadas do país.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Todo Carnaval Tem seu Fim".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Segundo nossos amiguinhos do Wikipedia, "Bloco do Eu Sozinho" foi o disco que menos vendeu na discografia da banda. Curiosamente, eu acho o melhor de todos.
Desde 2007, banda está de "férias". Neste período, Camelo seguiu carreira solo, Amarante toca no Little Joy, Medina é colunista do G1 e Barba... não sei o que ele faz. Em eventos especiais, eles voltam ao palco. A última vez que os vi foi na abertura do show do Radiohead, em 2009.
Maria Rita regravou "Casa Pré-Fabricada".

Um pedacinho do disco

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

#099 Paulinho da Viola, "Dança da Solidão"

"Desilusão, desilusão. Dançou eu, dança você na dança da solidão"

Muitos conhecem os versos de "Dança da Solidão" na voz de Marisa Monte. Porém, esta pérola da MPB é de autoria de Paulinho da Viola e batiza um dos melhores discos de samba da nossa música – na opinião humilde do blogueiro, é claro.

Lançado em 1972, "Dança da Solidão" é um álbum de samba diferente. Mesmo completamente popular e com todas as influências dos sambistas da Portela, o repertório é altamente elegante. Paulinho elevou o samba a um nível superior e muitas das 12 faixas gravadas são clássicas até hoje. Exemplos? Anota aí: "Acontece" (Cartola), "Coração Imprudente", "Guardei a Minha Viola", "Meu Mundo É Hoje" e "No Pagode do Vavá".

Olha só, amigo(a) aí do outro lado da telinha, vou abusar da sua paciência e ser bem taxativo: "Dança da Solidão" é um álbum imprescindível na estante de quem quer compreender o samba e a música brasileira. É um marco, um ícone, sei lá. E outra: você encontra esse disquinho em muitas lojas de departamentos e supermercados da vida. Tá esperando o quê?

A faixa que mais ouvi neste disco
"Dança da Solidão" e "Acontece". Empate técnico.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Teresa Cristina, uma das grandes discípulas de Paulinho gravou um disco duplo com os seus melhores sambas. Entre as canções, ela não cantou "Dança da Solidão", pois acreditou que Marisa Monte foi a intérprete definitiva da música.
Certo dia, tive o prazer de assistir a um jogo do Vasco ao lado de Paulinho da Viola. Foi uma partida entre Vasco e Fluminense em uma decisão de Taça Guanabara. Pois bem, naquela tarde, eu, rubro-negro convicto e fidelíssimo, torci pelo Vasco. Confessei...


Um pedacinho do disco

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

#095 Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, "Tribalistas"

Conheci "Tribalistas" (o disco completo, eu quero dizer) por acaso. No Rio, Quando a polícia civil resolve descer a borracha nos camelôs é um salve-se-quem-puder. No meio de uma dessas quizumbas, um pobre ambulante fugiu deixando cair parte do seu estoque de CDs piratas. Aos pés do meu irmão, que trabalhava no Centro, caiu um exemplar Jack Sparrow do então lançamento. Naquela noite, ganhei de presente o meu primeiro (e único) disco piratão.

Na opinião do blogueiro, "Tribalistas" é a "Bruxa de Blair" do mercado fonográfico brasileiro. Opa, contextualizemos a parada: assim como o filme, o disco foi um projeto sem qualquer pretensão de um grupo de amigos que acabou se tornando um retumbante sucesso. Aliás, o próprio grupo de amigos em questão era totalmente diferente entre si. No pacotão, tinha a sofisticação de Marisa Monte, a folia de Carlinhos Brown e os experimentalismos de Arnaldo Antunes. Não é que esta mistureba deu certo?

"Tribalistas" é um trabalho muito bacana. Tem muita criatividade, canções interessantes, músicos competentes e uma harmonia incrível entre os três artistas. No repertório, "Velha Infância", "Carnavália", "Mary Cristo" e o hit "Já Sei Namorar", que tocou, tocou, tocou incansavelmente nas rádios.

"Cuíca gemeu, será que era eu, quando ela passou por mim"

A faixa que mais ouvi neste disco
"Já Sei Namorar" foi a mais ouvida, mas "Velha Infância" foi a minha preferida.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Marisa Monte tem um apelido no trio. Na lisérgica músicas "Tribalistas", eles revelam que são "Arnaldo, Carlinhos e Zé". Sim, Zé é ela.
Mesmo com o sucesso aburdo do álbum, Marisa, Arnaldo e Carlinhos nunca fizeram um turnê do disco. Pelo que sei, a única apresentação do trio foi em Paris.
Vem fácil, vai fácil. Perdi o piratão dos "Tribalistas" em uma viagem ao Pará. Anos depois, comprei um CD bonitinho e legalizado.
"Já Sei Namorar" foi hit do Carnaval de 2003. Virou um hino da pegação!
A arte do disco é assinada por Vik Muniz.

Um pedacinho do disco


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

#088 Vários, "Rio by night"


Virada do milênio: reveillon pra lá de disputado nas areias de Copacabana, e um verão com grande presença de estrangeiros na Cidade Maravilhosa. Depois de um janeiro conturbado, fim de um namoro relativamente longo (o mais longo até então). Nesse tipo de situação, fica difícil recorrer aos CDs que você já tem, pois muita coisa que você ouve remete ao relacionamento.

Naquele momento clássico de afogar as mágoas com os amigos, achei esse CD na prateleira. Fez parte de uma leva de CDs que minha mãe comprou, não gostou muito e estava se desfazendo. Levei para a casa de um amigo músico (já falecido), e colocamos pra tocar enquantos bebíamos e discorríamos sobre as mazelas da vida. Eu até então só ouvia música estrangeira, abrindo algumas raras exceções. Mas ao ouvir esse CD, fiquei fascinado com a qualidade das músicas. Ouvi depois sóbrio pra tirar a prova, e vi cair por terra mais uma das minhas (burras) implicâncias musicais. Eu ali fazia as pazes de vez com a música brasileira.

Mesmo assim, é preciso dar valor a qualidade desta coletânea: tem com certeza uma coleção incontestável de sucessos. Já começa com 'Chega de saudade' (João Gilberto), emendando em 'Conversa de botequim' na voz de Dóris Monteiro, e depois 'Garota de Ipanema', tocada pelo Milton Banana Trio. Ao todo, são 21 músicas de variados estilos, mas com a cara do Rio. Destaque para 'Pedacinho do céu' (Waldir Azevedo), 'Coração leviano' (Paulinho da Viola), 'Noites cariocas' (Déo Rian) e 'Canto das três raças' (Clara Nunes)


A faixa que mais ouvi neste disco
'Pedacinho do céu', belíssima composição de Waldir Azevedo

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Esse CD é uma homenagem ao meu falecido pai, que hoje faria 73 anos, adorava música brasileira e mesmo tendo convivido comigo somente 15 anos, me influenciou bastante musicalmente


Um pedacinho do disco: