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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

#361 Legião Urbana, "As quatro estações"

Depois de tantas rotações deste humilde blog, vocês já devem ter percebido que o Legião é uma das bandas queridinhas da casa. Eu quase ouso dizer que é o R.E.M. brasileiro, só não ouso porque me termos musicais acho eles mais parecidos com os Smiths. E coube a mim o privilégio de falar sobre um dos discos mais fodas da banda (senão o mais).

Este disco foi lançado num momento delicado da banda: pouco depois do fatídico show no Estádio Mané Garrincha, onde houve tumulto e pessoas feridas. Por conta desse show, a banda naturalmente se retraiu e fez um trabalho mais introspectivo. Nesse processo, houve um desentendimento entre o baixista Renato Rocha e o resto da banda (principalmente com o baterista Marcelo Bonfá) que culminou na saída de Renato da banda. Mesmo assim, este disco de 11 faixas é considerada por muitos fãs e pela própria banda como o melhor trabalho feito pelo Legião.

Do lado de cá, eu passava por um dos momentos mais impactantes da minha vida: a doença e morte de meu pai. Logo, a aura introspectiva do disco veio muito a calhar naquele momento. Depois de um bom tempo ouvindo uma coletânea do Supertramp, o "Quatro estações" se tornou o habitante principal da minha vitrola. E mesmo alguns anos depois, músicas desse disco me fizeram companhia em momentos diversos, especialmente "Há tempos", "Monte Castelo", "Se fiquei esperando o meu amor passar" e "Quando o sol bater na janela do meu quarto".

A música que mais ouvi neste disco
"Se fiquei esperando o meu amor passar", especialmente na segunda metade dos anos 90

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Já falei aqui que "Quando o sol bater na janela do meu quarto" é A música que me lembra meu pai, quando falei de um disco do Barão Vermelho ano passado. Então vamos com outra: "Se fiquei esperando o meu amor passar" me lembra uma ida com amigos e amigas pra Friburgo em 1997, para um dos festivais da cidade. Ficamos bebendo vinho e maldizendo a sorte (ou a falta de) em relacionamentos, com esse disco (e essa música) como trilha sonora.

Um pedacinho do disco:

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

#339 Titãs, "Õ Blésq Blom"

Assim como em toda cena musical, quando você observa o surgimento de 2 ou mais bandas muito boas, os fãs naturalmente se polarizam e criam legiões de fãs apaixonados, praticamente uma religião. É assim desde Beatles x Stones e depois veio com Sabbath x Purple, Oasis x Blur, MC Hammer x Vanilla Ice e por aí vai (ok, forcei um pouco a barra nos exemplos, mas foi só pra dar uma idéia). Com o rock nacional tivemos aqui os ardorosos fãs do Legião, do Titãs e do Paralamas. O embate nem era tão fanático, mas eu percebia claramente entre meus amigos os que puxavam a sardinha pra cada um deles. Eu particularmente era mais fã dos Paralamas, gostava do Legião e tinha uma certa implicância com o Titãs.


Eis que os paulistas do Titãs dão uma guinada e lançam um disco musicalmente bem diferente dos anteriores. Depois da clara influência new wave do disco de estréia "Televisão" e dos toques de punk rock de "Cabeça Dinossauro" e "Jesus não tem dentes no país dos banguelas", resolvem flertar com o pop e o tropicalismo no excelente "Õ blésq blom". Foi aí que eu finalmente me rendi ao som da banda, e pude mergulhar mais fundo no experimentalismo das letras e músicas de Arnaldo Antunes, ainda a principal influência da banda. Acho que as únicas que eu não ouvia muito eram "Medo" e "Natureza morta", o resto do disco INTEIRO rodou até cansar na vitrola lá de casa. Um disco obrigatório pra quem curte o pop rock nacional

A música que mais ouvi neste disco
"Miséria" (emendada com a introdução de Mauro e Quitéria) e também a excelente "Flores"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
O nome do disco é estranho, né? Esse nome é invenção de Mauro e Quitéria, casal de repentistas que os integrantes da banda conheceram numa viagem a Pernambuco. Nos repentes, eles misturam palavras de vários idiomas (como se pode reparar na primeira e última faixa do disco). E segundo eles, õ blésq blom significa "os primeiros homens que andaram sobre a terra"(!?).

Um pedacinho do disco:


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

#331 Vários, "Back to new wave - parte 2"

Falei do volume 1 e deixei esse de lado, que injustiça! É mais um CD com verdadeiras pérolas do pop / rock / new wave nacional dos anos 80, mas que é bem difícil de achar. Se fosse relançado hoje, fatalmente estaria relacionado a Festa PLOC, pois é base para o que tocam nessas festas. Mais do que musicalmente bem feitas, as músicas dessa época eram em sua maioria cheias de bom humor.


O volume 1 foi o que eu mais ouvi pois foi o primeiro que comprei, mas analisando friamente acho esse aqui bem melhor. Léo Jaime aparece logo com duas músicas: a melosa "A vida não presta" e o melô do bambolê "Conquistador barato". Rádio Táxi também tem 2 músicas nessa coletânea, ambas de trilhas sonoras de filmes nacionais: "Garota dourada" (da trilha do filme de mesmo nome) e "Dentro do coração", que toca em um dos momentos mais engraçados de "Os normais - o filme". Completam o CD a impagável "Menina veneno" de Ritchie, o clássico "Ti ti ti" da banda Metrô, o "Olhar 43" do RPM, a controversa "Masculino e feminino" de Pepeu Gomes e a divertida "Eh! Oh!" de Dr. Silvana e Cia. Não parece repertório de festa anos 80 ?

A música que mais ouvi neste disco
A mais brega de todas, "Menina veneno"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
A ex-VJ Babi (Xavier) faz uma ponta em um dos videoclipes de Léo Jaime nos anos 80. Enquanto ele chora as mágoas, ela aparece sem roupa, só com uma guitarra cobrindo o corpo, cigarro no canto da boca, e cara de poucos amigos. Chega a ser constrangedor de tão tosco. Eu tenho quase certeza que é da música "A vida não presta", mas não achei no Youtube... :(

Um pedacinho do disco:


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

#317 Ultraje a Rigor, "Nós vamos invadir sua praia"

Já confessei aqui que esqueci de falar de alguns discos, certo? Mas nesse caso eu deixei mais para o final de propósito. Porque o "Nós vamos invadir sua praia" é mais do que um disco marcante na minha discografia, é o grande marco de passagem da minha infância para minha adolescência. E talvez por isso eu fui deixando pra ficar mais inspirado a falar dele.


Nessa época, a Blitz já era uma realidade no cenário pop rock nacional (que nos anos 80 se convencionou chamar de BRock). Mas o Ultraje trouxe às paradas uma irreverência mais apimentada, e com som bem mais calcado no rock, no punk e até mesmo no rockabilly. E cá entre nós, é um discaço repleto de hits! Eu estava mudando de colégio, entrando para o chamado "ginásio" (atual segunda parte do ensino fundamental, ou seja, do 6º ao 9º ano).

Era um mundo totalmente novo para mim: novos amigos, novos inimigos (o principal deles - o bullying), alguns interesses amorosos - nenhum deles correspondido (ps: típico!), festinhas surgindo, e todo aquele disse-me-disse a respeito das festas passadas e também das futuras. Tinha tudo quanto é tipo de som embalando essa época, mas com certeza naquele 1985 e nos 2 anos seguintes predominavam as músicas desse disco. Virou corriqueiro falar de uma vida moderninha ("Ciúme"), chamar as meninas de vaca e galinha ("Marylou"), relacionar praia a farofa e galinha ("Nós vamos invadir sua praia") e pensar no dinheiro (teoricamente) fácil de quem tem uma banda de rock ("Mim quer tocar"). Bons tempos after all... E o disco não tem NENHUMA música mais ou menos (talvez só a "Se você sabia").

A música que mais ouvi neste disco
"Ciúme", que eu adoro até hoje

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Já entreguei todas as presepadas possíveis (e publicáveis, claro) no texto, né? Então uma curiosidade: segundo o produtor Pena Schmidt, o título do disco é uma provocação dos paulistas do Ultraje ao mercado carioca, como que anunciando o sucesso de bandas paulistas nesse mercado (valeu amigo wiki!)

Um pedacinho do disco:


domingo, 3 de julho de 2011

#279 Vários, "Rei - Tributo a Roberto & Erasmo"


Eu normalmente curto muito tributos. Na maioria das vezes, são músicos influenciados por algum artista fodão que se juntam para fazer releituras de seus sucessos. No entanto, muitos desses tributos se perdem por serem meros covers do artista original, ou por excesso de licença poética nas adaptações. Esse aqui no entanto acertou na mão em cheio!


Na época que esse CD era vendido, a imprensa fez pouco alarde na minha opinião. Três músicas até tocaram nas rádios e festas: "É proibido fumar", com o Skank, "Quando", tocada pelo Barão Vermelho e "Todos estão surdos", tocada por Chico Science & Nação Zumbi. Mas o fato das músicas serem de Roberto & Erasmo quase não era citado, como se tivessem vergonha. Talvez fosse o grande viés brega do Rei na época, sei lá. Como não era meu caso, cacei esse CD nas lojas até levá-lo para minha prateleira.

Na boa, acho que era uma das melhores coletâneas da minha prateleira! Além dessas 3 músicas que eu falei, vale lembrar João Penca & Miquinhos tocando "Eu sou terrível", a versão honesta de Marina Lima para "Por isso eu corro demais" e a divertida versão de "Cavalgada" tocada pela banda Vexame.

A música que mais ouvi neste disco
"Todos estão surdos" (Chico Science) e "As curvas da estrada de Santos" (Kid Abelha), empatadas

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Repararam no traço do desenho da capa do disco? Pra quem conhece um pouco do cartum nacional, fica fácil saber quem fez: Angeli (autor das tiras Bob Cuspe, Rê Bordosa, Mara Tara, etc)

Um pedacinho do disco:

domingo, 26 de junho de 2011

#272 Blitz, "Radioatividade"


Depois de um senhor disco de estréia, a Blitz volta com um disco ainda melhor que o anterior. Mais uma vez mirando e acertando em um dos grandes trunfos do primeiro disco: melodias pop flertando com o new wave, usando e abusando de letras teatrais (geralmente cômicas e com algum duplo sentido). Eu quase diria que foram os precursores dos Mamonas, mas não ousaria.


O que eu posso dizer desse disco? Eu ainda um mero pirralho quando ele foi lançado, e esse eu não cheguei a ganhar de presente na época (eu sequer tinha mesada ou coisa parecida). Conheci praticamente todas as músicas pelas rádios. Primeiro a clássica "A dois passos do paraíso", e depois uma sucessão de sucessões : "Weekend", "Betty Frígida", "Ridícula", "Apocalipse não", "O tempo não vai passar", "Meu amor que mau humor"... Ajudou muito o fato da Globo ter feito um especial com a Blitz na época, onde a base foi esse disco. Uma coisa tosca de se ver hoje, mas que na época eu adorei :D

A música que mais ouvi neste disco
"Biquini de bolinha amarelinha tão pequenininho" (clássica, não?)

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Uma das coisas que eu me orgulhava na adolescência: saber a fala da rádio (no final de "A dois passos do paraíso") inteirinha, inclusive imitando as palhaçadas do Evandro Mesquita. Em rodinhas de violão isso fazia um sucesso (tolinho, eu.... :D)

Um pedacinho do disco:


sexta-feira, 3 de junho de 2011

#249 Lulu Santos, "Acústico MTV"


Antes de falar desse disco, um pequeno desabafo: pra mim Lulu Santos é um dos grandes desperdícios da música brasileira #prontofalei (ou seja, um cara muito bom musicalmente mas que vulgarizou a própria carreira pra se manter "na moda"). Dito isso, vamos em frente.


Lulu Santos também embarcou no filão dos acústicos da MTV e tenho que confessar: o dele ficou MUITO bom! Dono de um bom repertório nas décadas de 70 a 90, na minha humilde opinião Lulu começou a se perder no final da década de 90 ao querer investir demais no pop e deixar o rock de lado. Felizmente nesse acústico, ele resgata seus grandes sucessos na carreira com o padrão "acústico MTV" de qualidade: bons arranjos e músicos competentes acompanhando.

Pra mim, uma das marcas registradas desse disco duplo é o uso de pout-pourris, com um em cada disco: "Toda forma de Amor / Um certo alguém / O último romântico" no 1º e "Sereia / De repente Califórnia / Como uma onda" no 2º. Além dessas, outras que ouvi bastante nos 2 discos: "A cura", "Apenas mais uma de amor", "Satisfação" e "Tão bem".

A música que mais ouvi neste disco
A deliciosa "Apenas mais uma de amor"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Esses CDs foram a trilha sonora de uma viagem que fiz a Arraial do Cabo em 2000, quando fiz as pazes com o mergulho. Havia ficado 5 anos longe do mar, e aquele fim de semana foi verdadeira bênção na minha vida. Aproveitando, vai uma curiosidade: a música "Sereia" foi escrita por Lulu para o especial infantil "Plunct Plact Zuum" (cantada por Fafá de Belém), mas gostou tanto do resultado que a incorporou em seu próprio repertório.

Um pedacinho do disco:


terça-feira, 26 de abril de 2011

#211 Barão Vermelho, "Álbum"


Se você não morou anos numa ilha do Pacífico, sabe muito bem o sucesso arrebatador que fez o Barão Vermelho por muitos anos. A banda perdeu um vocalista icônico, e mesmo assim pôs o guitarrista pra cantar e segurou a peteca. Por essas e outras, que eu curto pacas o som do Barão. E quando anunciaram que lançariam um disco de "homenagens", fiquei ansioso.


Da promessa às lojas, estava lá o "Álbum" à venda. Puxando os consumidores, uma versão bem divertida de um sucesso do Bezerra da Silva tocando em tudo quanto era rádio (sem falar na MTV, que na época ditava tendências musicais também). Comprei o CD e pus pra tocar. De cara, ouvi logo as 3 mais famosas: "Malandragem dá um tempo" (do Bezerra), "Jardins da Babilônia" (da Rita Lee) e "Amor, meu grande amor" (da Ângela Ro Ro). Todas excelentes.

Eis que fui numa festinha, levei o CD e esqueci na casa do meu amigo. Enrola de lá, enrola de cá, fiquei MESES sem ouvi-lo (isso porque eu o via quase todo dia, já que ele era o proa do meu dois sem). Depois desse tempão, peguei o CD de volta e resolvi escutar música a música. Confesso que era melhor eu ter ficado com a experiência anterior, pois eu achei o CD irregular pra caramba. Das outras, ainda se salvam "Perdidos na Selva" (Gang 90 e as Absurdetes) e "Vem quente que eu estou fervendo" (Erasmo Carlos). E só.

A música que mais ouvi neste disco
"Amor, meu grande amor"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
As músicas foram escolhidas por fazerem parte da infância dos integrantes da banda. E esse foi um dos primeiros discos de uma moda passageira: faixa multimídia. Se você colocasse o disco num CD-ROM, encontraria alguma surpresinha em anexo. No caso desse aqui, entrevistas com integrantes da banda falando da gravação do disco.

Um pedacinho do disco:


quinta-feira, 31 de março de 2011

#185 Blitz, "As aventuras da Blitz"

O ano de 1982 foi cheio de fortes emoções. Guerra das Malvinas, Paolo Rossi eliminando uma das melhores seleções que o Brasil apresentou em Copas do Mundo (das que eu vi jogar, a melhor), primeiras eleições pra governador no Brasil após anos de ditadura, o fantástico Gilles Villeneuve morria nas pistas de F1 pilotando sua Ferrari... E eu era um fedelho que achava que estava virando gente :D Neste ano, começou o grande boom de bandas de pop / rock / new wave que mudaria completamente o cenário musical do nosso país. E um dos responsáveis foi uma tal de Blitz.

Mesmo com o fantasma da censura rondando o meio artístico, o músico Lobão e alguns integrantes do grupo de teatro Asrúbal Trouxe o Trombone formaram essa banda de som animado e letras bem humoradas. Lobão pulou fora assim que lançaram este primeiro disco, por não querer assinar com a EMI. Eis que o fedelho aqui ouviu na rádio recém apresentada por uma de suas irmãs e assim ficou fascinado pelo som da banda.

Ganhei o disco de presente, e considero-o como meu rito de passagem: foi meu primeiro disco não-infantil. No vinil, as marcas do bom humor da Blitz versus a ferocidade da censura ainda existente: duas faixas vieram inutilizadas, por determinação da censura: "Ela quer morar comigo na Lua" e "Cruel cruel esquizofrenético blues". (ah se eles soubessem que anos depois lançariam 'Cerol na mão', 'Tô atoladinha', 'Fogão Dako' e outras piores...).

Não sei se é por influência dessa memória afetiva, mas eu acho o disco muito bom e muito divertido até hoje. E vou dizer a vocês: não tem UMA MÚSICA que eu não tenha ouvido muito! O grande sucesso do disco foi a clássica "Você não soube me amar", mas eu gosto de todas as outras, quase que na mesma intensidade.

O vinil eu não tenho mais, nem o CD, mas as músicas seguem firmes e fortes no meu HD. Algumas, também no iPod e no celular.

A faixa que mais ouvi neste disco
Acreditem ou não: "Totalmente em prantos" e "Volta ao mundo", divertidíssimas

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
O nome da banda surgiu segundo Lobão de uma analogia ao The Police, que fazia um senhor sucesso na época: "Se eles são a polícia, nós somos a blitz"

Um pedacinho do disco:

terça-feira, 8 de março de 2011

#162 Paralamas do Sucesso, "Selvagem?"


Esse foi o disco de estúdio dos Paralamas que mais vendeu por aí, e mostrou uma boa guinada na carreira da banda. Representou uma fase mais madura da banda, cujas letras agora abordam temas mais amplos, como se seus integrantes tivessem superado a adolescência de "Cinema Mudo" e "O Passo do Lui". Além disso, o ritmo das músicas flerta ainda mais com ritmos tropicais e se torna, na minha humilde opinião, bem mais brasileiro.


Desde o início, curti bastante "Alagados". Pra mim na época, seria o suficiente para comprar o disco e descobrir as outras músicas. De lambuja, ainda levaria "A novidade", que é uma das minhas prediletas da banda. Na época acabei não comprando, pois apesar da euforia consumista gerada pelo Plano Cruzado, minha mesada não permitia grandes estravagâncias e eu já tinha os discos do A-Ha na minha mira. Só conferi esse disco alguns anos depois.

E na boa, podia esperar até mais. Tirando as que eu falei e a versão da banda para "Você", do Tim Maia, achei esse disco bem mais fraco que seu antecessor, por exemplo. Talvez por ser um disco de transição, talvez pela pura implicância que eu tenho com a faixa título. Mas pra mim eles tem discos bem melhores

A faixa que mais ouvi neste disco
"A novidade", seja pelos Paralamas, seja pelo Gilberto Gil, seja nos shows do Banga

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
O moleque na capa do CD é irmão do baixista Bi Ribeiro

Um pedacinho do disco:


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

#120 Ira!, "Acústico MTV"


O Ira! está no rol das bandas mais subestimadas da geração 80s brasileira. Talvez por conta dos inúmeros problemas internos de relacionamento, ou pela postura não tão comercial. Só sei que a banda sempre teve grandes sucessos, ótimos músicos, mas não atingiu o sucesso de outras da mesma época (exemplo: Titãs, Paralamas e Legião). Ao meu ver, o Ira! não deve NADA a nenhuma dessas bandas.

Quando o filão 'Acústico MTV' surgiu na década de 90 e tirou um monte de artistas bons mas decadentes do ostracismo, muita gente aguardava com uma certa ansiedade a vez do Ira! embarcar nessa. Acabou só fazendo isso bem depois das demais bandas (mais precisamente em 2004), quando o formato estava já bem desgastado. E mais uma vez não decepcionou: o disco é EXCELENTE! Com participações de Samuel Rosa (vocalista do Skank), Pitty e Paralamas, o disco faz um belo apanhado da discografia da banda.

A música que mais ouvi neste disco
"Tarde vazia", que conta com participação de Samuel Rosa

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Desde que a ouvi pela primeira vez, achei que a música "O girassol" era uma ótima música pra se dedicar a uma mulher. Só que o verso ideal para isso é um tanto restritivo:

"[...]Você é meu sol, 1,65m de sol, E quase o ano inteiro os dias foram noites, Noites para mim[...]
Resultado: tive uma verdadeira obsessão por encontrar uma mulher de 1,65m pra cantar esses versos. Até que desisti e resolvi fazer uma adaptação: cantei pra uma de 1,75m :D

Um pedacinho do disco:

domingo, 23 de janeiro de 2011

#118 Vários, "Back to new wave - parte 1"

Bem antes de começar a febre das festas PLOC e afins, saíram 3 coletâneas de músicas dos anos 80 em CD com o nome 'Back to New Wave'. As músicas não são necessariamente new wave (ou seja, você não vai achar assim taaaanta semelhança com B-52s, Bangles e afins), mas quem viveu essa época vai imediatamente lembrar dessas músicas. Especialmente quem ouvia muito rádio na época

Eu particularmente ouvi muita música pop / rock / new wave / whatever na década de 80, especialmente na primeira metade. Em outras palavras, foi meu estilo predileto tão logo abandonei os discos do Balão Mágico. Enquanto não tomava gosto por Smiths, The Cure, Simple Minds, U2 e afins, eu era um ávido apreciador de tudo quanto era banda brasileira que aparecia. E nesse disco tem uma boa amostra de boas bandas da época, embora a maioria tenha uma ou duas músicas de sucesso no máximo.

A coletânea não é assim tãããão pop rock... Tem um pé forte no brega, e por isso tem tudo a ver com as festas PLOC, onde predomina o que costumam chamar de trash 80s. De nome, só a do Roupa Nova, mas algumas outras músicas tem forte apelo brega, como por exemplo "Casanova", do Ritchie e "Sem pecado e sem juízo", da Baby Consuel0 (atual Baby do Brasil). Mas pra quem curte o som daquela época, o disco é um achado!

A música que mais ouvi neste disco
"Adelaide", do Inimigos do Rei

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
A minha principal motivação de comprar esse CD na época foi a caricatura da capa: IGUAL a um amigo dos tempos de faculdade! Mas depois de ver as músicas vi que nem ia ser sacrifício tê-lo na prateleira (e no CD Player)

Um pedacinho do disco:


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

#114 Skank, "O samba poconé"

Meu amigo Surfista conceituou muito bem no post do dia 12/01 a banda: como bons mineiros, conquistaram seu espaço entre os tops da música nacional sem fazer muito alarde. Lembro de ter ouvido falar da banda nos posts da extinta versão brasileira da FIDO Net (rede de mensagens entre BBSs, no período pré-internet da comunidade nerd brasileira), onde a mineirada já idolatrava a banda. Naquela época, um grupo independente que tocava basicamente reggae. Bancaram o primeiro CD do próprio bolso, fizeram muito sucesso, e o resto é história.

Samba poconé é o terceiro trabalho do grupo. Graças ao sucesso de "Jackie Tequila", "Te Ver" e do cover de "É proibido fumar", esse disco foi muito aguardado por fãs e pela mídia especializada. Lembro de ter comprado na semana que lançou, pelo preço cheio. Fazia isso com poucos artistas, a maioria eu esperava dar uns 3 meses pra comprar um pouco mais barato. Cumpri o ritual de ouvir o CD inteiro, acompanhando as letras pelo encarte. Alguns hits grudaram no ouvido logo na primeira audição, enquanto outras eram bem menos inspiradas. Não tem a mesma pegada de "Calango" (o segundo CD), mas tem alguns bons momentos. Rendeu alguns bons clipes ("Garota nacional", "É uma partida de futebol")

A música que mais ouvi neste disco
"Garota nacional", tanto no disco quanto na MTV, e "Tão seu" (excelente)

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
O cantor francês Manu Chao participa de 3 faixas do disco: "Zé Trindade", "Sem Terra" e "Los Pretos". Na minha opinião, um desperdício.

Um pedacinho do disco:

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

#106 Cidade Negra, "Diversão (ao vivo)


O verão carioca de uns anos pra cá voltou a ser a grande estação de boas atrações musicais. Muitas delas estão na grade de programação de algum evento para toda a estação, sempre aos fins de semana em local fixo. É o exemplo do Oi Noites Cariocas, que começou no Morro da Urca mas depois passou para o Pier Mauá. Em 2008, fui com uns amigos num desses, para um show do Cidade Negra, que eu não via desde os saudosos shows gratuitos da praia de Ipanema, relativamente comuns na década de 90.

Há muito não acompanhava o Cidade Negra de perto, então fui meio às cegas, sem saber o mote do show. Estavam lançando o disco "Diversão", uma coletânea de covers de músicas brasileiras de várias épocas ao estilo meio reggae meio pop da banda. Foi um show excelente, não só pela competência da banda mas também pela boa presença de palco de Toni Garrido. Não deu outra, na semana seguinte comprei o CD.

Dentre as homenagens feitas no CD, regravações de Pepeu Gomes, Chico Buarque, Belchior, Legião Urbana, Lulu Santos, entre outros. Todas ao meu ver bem interessantes, e algumas até melhores que a versão original (como por exemplo "Meu coração", de Pepeu Gomes)


A música que mais ouvi neste disco
"Meu coração" (do Pepeu) e "Me liga" (Paralamas)

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"A Palo Seco", originalmente do Belchior, é uma música que eu escuto muito quando quero pensar antes de tomar uma decisão difícil. Foi assim inclusive ao fim de um namoro, no mesmo 2008 que eu comprei esse disco.


Um pedacinho do disco: