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sábado, 17 de setembro de 2011

#355 Monobloco, "Ao vivo"

A mistura de batucada com pop e mpb foi uma das grandes sacadas da música nesses últimos anos (põe aí uns 10 anos nisso), e um dos grandes méritos disso foi de Pedro Luís (do grupo Pedro Luís e a Parede) ao criar o conceito do Monobloco. Outros grupos seguiram a mesma idéia, mas a grande sacada do Monobloco foi jogar mais pra torcida do que para o time: focar em grandes sucessos da música brasileira, aqueles que numa festa levam todos para a pista de dança.

Mas para que a idéia desse certo, eles precisavam de uma bateria de escola de samba. Ao invés de ir nas principais escolas de samba do Rio, decidiram abrir uma oficina de percussão e formar sua própria bateria. A idéia foi um sucesso e se alastrou pela cidade, onde hoje existem dezenas de oficinas de percussão com o mesmo intuito. Com tudo isso, em pouquíssimo tempo os "ensaios" do Monobloco passaram a ser super concorridos. Lançar um disco / DVD com as versões Monobloco das músicas era questão de tempo.

Esse CD foi lançado quando o Monobloco deu um salto considerável de popularidade, em 2006. Coincidentemente, foi o ano que eu fiquei solteiro após muitos anos namorando, e quando me joguei de cabeça na folia momesca carioca (antes disso a cidade ficava deserta, quase todo mundo passava carnaval em outras cidades). Mais um que eu ouvi até gastar o disco

A música que mais ouvi neste disco
"Os orixás / Anunciação"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Nessa época, faziam parte da banda Serjão Loroza (que também tem uma consistente carreira de ator e agora segue carreira com o grupo Serjão Loroza e Us Madureira) e Rodrigo Maranhão, que agora se dedica só ao grupo Bangalafumenga e a sua carreira solo.

Um pedacinho do disco:



sábado, 25 de junho de 2011

#271 Jorge Ben, "África Brasil"

Durante anos, música brasileira sofisticada era sinônimo de Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, Baden Powell e outras feras. No entanto, acredito que foi Jorge Ben e Tim Maia que fizeram canções altamente elaboradas e com fortíssimo apelo popular. Enquanto Tião Marmiteiro (futuro Tim Maia) era mestre no soul com alma brasileira, Balbulina (vulgo Jorge Ben) encontrou a fusão perfeita entre o samba e o rock, do qual nasceu o indispensável "África Brasil".

Com uma musicalidade extraordinária, Jorge cantou o amor e temas do cotidiano do povão. No repertório, tinha amor, musas e muito futebol. "Ponta de Lança Africano (Umbabarauma) " atravessou as fronteiras e ganhou o mundo. "O Camisa 10 da Gávea" carimbou a devoção de Jorge ao Flamengo e concedeu ao magistral Zico a maior homenagem da sua vitoriosa carreira.

E ainda tem "Taj Mahal", "Hermes Trismegistro", "O Plebeu", "Xica da Silva" e muitos outros. O LP foi remasterizado pelo sagaz Titã Charles Gavin. Eu, particularmente, considero "África Brasil" um daqueles CDs lendários, míticos, únicos. Coisa fina!


A música que mais ouvi neste disco
Por curtição, "Ponta de Lança Africano (Umbabarauma) ". Por devoção e rubro-negrismo, "O Camisa 10 da Gávea".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"Ponta de Lança Africano (Um "Umbabarauma) " está na lista do jornal The Guardian e no livro "The Book of Playlists", na categoria "as melhores músicas sobre esportes".
Sempre me arrepio quando ouço "O Camisa 10 da Gávea". Brilhante homenagem ao Galinho. O engraçado é que Jorge tentou fazer o mesmo tributo ao atacante Fio Maravilha, que não entendeu o espírito da coisa e processou Jorge.


Um pedacinho do disco

sexta-feira, 25 de março de 2011

#179 Wilson Pickett, "Take Your Pleasure Where You Find It"

Conheci Wilson Pickett no filme "The Commitments", sobre uma banda irlandesa que tenta o sucesso tocando soul. Entre muitas sequências musicais, eles tocam "Mustang Sally" e "In The Midnight Hour", cássicos de Pickett. Eis que um belo dia, eu estava em um daqueles supermercados gigantes da Barra da Tijuca e passei por um baú de CDs a preços mínimos. Sobre uma pilha de sertanejos e bandas baianas que saíram da moda, eu achei "Take Your Pleasure Where You Find It" por menos de R$ 2,00. Mais barato que passagem de ônibus.

A capa já é qualquer nota. Em frente a uma mesa de sinuca, Wilson veste um terno cafetão-fashion ao lado de um mulata com boca-mole-sensual. Já valeria a compra só pela foto. Mas o disco vai além da foto maneira. São 20 faixas de autênticos soul, funk e R&B. Em cada faixa, o DNA da Black music americana: guitarras swingadas, teclados lascivos, naipe de metais, linha de baixo arrasadora e Wilson Pickett alternando graves, agudos e uivos. Fecho os olhos e imagino o negão vestindo um paletó violeta com detalhes prateados, chapéu inclinado, anéis e óculos escuros imensos deslizando no palco ou dirigindo um Lincoln vermelho.

A faixa que mais ouvi neste disco
Já pelo título, a faixa que me mais me chamou a atenção foi "Smokin in the United Nations" (algo como "fumando na ONU").

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Na verdade, "Take Your Pleasure Where You Find It" é um coletânea com as algumas músicas bem-sucedidas em seu contrato com RCA, durante os anos 1970s.

Um pedacinho do disco

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

#147 Lenny Kravitz, "Are You Gonna Go My Way"

No comecinho dos anos 1990, a MTV era uma novidade colossal. O conceito de música na televisão era uma novidade para nós arborígenes da América do Sul. O próprio tempero brasileiro na emissora era um diferencial. O clima levemente amador da primeira formação de VJs (Gastão, Astrid, Cuca, Thunderbird etc) aumentava a atmosfera de ineditismo. Foi nessa época, que conheci o Lenny Kravitz - ainda com o repertório do excelente "Mamma Said".

Naquele tempo, Lenny usava dreads e o mesmo visual chic-sujo-botique. Uma das músicas mais tocadas era a mela-cueca "It Ain't Ovet 'Til It's Over". Pois bem, Lenny ficou fora da cena brasileira por alguns anos e reapareceu no fim dos 1990s com o sucesso-chiclete "Fly Away". Relembrei do cara e decidi comprar um dos seus discos antigos. No caso, foi o "Are You Gonna Go My Way", terceiro da sua discografia e lançado em 1993.

Neste disco, Lenny é um poço de possibilidades. Mesmo pop até a última molécula dos seus dreads, o cara transita livremente pelo rock, pelo reggae, pelo R&B e pelo blues sem pedir licença. Mesmo versátil, o repertório se agarra muito às baladinhas "vem-cá-minha-nega". É o caso de "Heaven Help", "Sister", "Believe" e "Just Be a Woman". As surpresas ficam por conta de "Sugar" e "Black Girl", que têm a Motown no seu DNA. A última faixa, "Eleutheria", é uma visitinha rápida ao reggae. Enfim, tem que gente que o considera versátil e outros o consideram oportunista. Lenny está morrendo de preocupação e continua fazendo música e farpando a mulherada.

A música que mais ouvi neste disco
"Are You Gonna Go My Way", a faixa-título, é muito legal. Clica no clipezinho abaixo e confira.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Em 2005, Lenny fez um show gratuito nas areias de Copacabana. Se não me falha a memória, foi em comemoração ao aniversário do Rio de Janeiro. Eu e mais 500 mil pessoas estivemos lá.
Neste show, Lenny não usava dreads. Estava na fase chapinha.
Tenho uma séria dúvida sobre quem pega mais mulher: o Lenny ou o Falcão (O Rappa)? Vote aqui.

Um pedacinho do disco

sábado, 5 de fevereiro de 2011

#131 Red Hot Chili Peppers, "Blood Sugar Sex Magic"

Depois das doces cafonices dos 80's, os primeiros anos da década de 1990 arrumaram a casa da música e do pop vigente. Foi o tempo da afirmação do Nirvana, Faith no More, Guns'n'Roses, Pearl Jam, R.E.M., Smashing Pumpkins, Soundgarden e dos californianos do Red Hot Chili Peppers. Era uma overdose musical para mim, um moleque de 12 ou 13 anos em busca de popularidade e bons sons.

No batente desde 1983, o Red Hot Chili Peppers encontrou o sucesso no seu 5º disco, "Blood Sugar Sex Magic". No Brasil, o funk-metal de Anthony Kieds, Flea, John Frusciante e Chad Smith chacoalharam a estrutura local. A baladinha "Under the Bridge" e a suingada "Give It Away" estavam onipresentes: MTV, rádio, trilha de novela da Globo, Hollywood Rock, boates e o escambau. Do pagodeiro ao cabeludo de camisa preta, todo mundo ouvia Red Hot Chili Peppers.

Além das óbvias músicas citadas, "Blood Sugar Sex Magic" ainda reservava "Suck My Kiss", "Naked in the Rain", "The Power of Equality" e a sensacional "Breaking the Girl". Foi uma terapia de desintoxicação pós-80!

A faixa que mais ouvi neste disco
"Under the Bridge" animou muitas festas americanas em minha adolescência. Ainda hoje, acho esta canção muito bonita. Menção honrosa a "Breaking the Girl".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
O diretor holandês Gus Van Sant ("Gênio Indomável" e "Milk", dentre outros) foi o fotógrafo do encarte do disco e diretor do clipe "Under the Bridge".
Ainda hoje, acho a capa de "Blood Sugar Sex Magic" uma das mais legais de todos os tempos.
Nas minhas festinhas adolescentes, havia um momento para músicas lentinhas. Quando "Under the Bridge" ou "Spending my Time", do Roxette, tocavam, era a deixa para o approach.

Um pedacinho do disco

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

#101 Rage Against the Machine, "Rage Against the Machine"

Conheço Ouro Preto de outros carnavais - literalmente falando. Porém, foi em 2007 que consegui entrar em uma famigerada festa de república. Aos que não conhecem a mais famosa folia do estado de Minas, uma breve explanação: durante o agito, as ladeiras da cidade são tomadas pelos foliões. Enquanto isso, as repúblicas estudantis promovem festas homéricas, reservadas apenas aos seus hóspedes. Sempre tive vontade de penetrar (no bom sentido e no mal também), mas nunca conseguira. Até este ano.

Bom, fiz amizade com os músicos de uma banda e consegui um passe para entrar como staff. Parêntesis: carnaval é o máximo mesmo. Só nesta época do ano uma pequena banda consegue o privilégio de ter até staff. Continuando, a banda tocava de tudo e a moçada se esbaldava com cerveja e um XingLing Ice (isto é, um genérico do Smirnoff Ice). Madrugada adentro, quando todo mundo estava alucinado, o dono da festa berrou: "toca Rage Against! Quebra tudo nessa porra!". A banda se reorganizou e mandou "Killing in the Name" para a alegria da comunidade. Eu balancei tanto a cabeça que fiquei com torcicolo por dias.

"Killing in the Name" é uma das faixas do sensacional disco de estreia dos californianos do Rage Against the Machine. Criativo, panfletário e violento, eu considero este como um dos melhores álbuns da década de 1990. Foi muito inovador ao misturar rock, rap e funk. No repertório, ainda tem "Wake Up", "Bombtrack", "Bullet in the Head" e "Take the Power Back". Virou clássico!

A faixa que mais ouvi neste disco
"Killing in the Name" no talo! Mas, também rola "Bombtrack".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"Wake Up" entrou entrou na trilha sonora de "Matrix". Mais exatamente, nos créditos finais.
Segundo os nossos amiguinhos da Wikipedia, a capa tem uma historinha macabra: "A capa representa Thích Quảng Đức, um monge Budista do Vietnam, que se imolou até a morte em Saigon em 1963. Thích protestava contra a opressão que os Budistas sofriam por parte da administração do então Primeiro Ministro Ngô Đình Diệm".

Um pedacinho do disco


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

#045 Rolling Stones, "A Bigger Band"

Ouvi "A Bigger Band" há poucas semanas, isto é, em meados de junho de 2010. Sendo assim, descobri este CD com cinco anos de atraso e me sinto como um sujeito que chega tarde a uma festa muito boa. Provavelmente, eu ficaria mais cinco anos sem descobri-lo, se não fosse uma visita boboca às Lojas Americanas (sempre ela) e uma olhadinha rápida na prateleira de CDs. Tcham, num passe de mágica, Rolling Stones por 8 merrecas. Perfeito!

Independente à comparação aos grandes discos dos Stones de idos tempos, "A Bigger Band" não faz feio. Mick, Keith, Ron e Charlie apresentaram um álbum de estúdio com canções inéditas muito legais e que não pagam mico na discografia da banda. Cada uma das músicas tem pegada, tem arrojo e energia e a autorreferências às diferentes fases de sua carreira.

Tem rock clássico ("She Saw me Coming"), blues ("Back of my Hand"), baladinhas para tocar na rádio FM ("Streets of Love") e muitas guitarras ao pleno service da diversão. E, convenhamos, diversão é algo que os Rolling Stones fazem com perfeição.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Rain Fall Down" transpira sensualidade. A levada funkeada e a melodia saliente tornam essa música irresistível.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Não chega a ser uma presepada, mas costumo colocar esse CD para cozinhar. Sei lá, acho que ele desperta dotes culinários. Vai entender, né?
Momento confissão: gosto mais de Rolling Stones que Beatles.

Um pedacinho do disco: