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terça-feira, 20 de setembro de 2011

#358 Green Day, "Insomniac"

Sinceramente, não acho "Insomniac" nem de longe um dos melhores discos do Green Day. É um CD legalzinho e tals, mas nada de "oh, meu Deus. Minha vida mudou". Só que este álbum representa memórias afetivas muito significativas.

Era uma vez, 1995...

Era o meu último ano do colégio e logo eu estaria na faculdade. Durante todo meu período escolar, eu sofri tanto bullying que hoje em dia eu poderia ser um maníaco talibã. Só que o meu 3º Ano foi tão formidável que deixei de lado os pescotapas que levei ao longo da vida letiva. Aliás. o meu 3º Ano foi a vingança, a revanche do nerd. Minha autoestima superou o Everest, fiquei confiante e peguei até umas menininhas da turma. Era a glória!

Em um dos últimos dias daquele ano, alguns amigos e eu nos reunimos para tomar uns gorós noite adentro na casa de um deles. Era uma despedida daquela fase. Uma das meninas fez strogonoff e passamos aquela noite bebendo e comendo o tal strogonoff (mais bebendo que comendo). Na vitrola, só havia um disco. Qual? Qual? Qual? "Insomniac". A gente celebrou aquele último encontro da turma no colégio com strogonoff, cerveja clandestinamente comprada e Green Day. Bons tempos!

A música que mais ouvi neste disco
Mesmo escondida na última faixa do CD, "Walking Contradiction" é a minha favorita.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Na tal noite de despedida, já chumbados de birita, a gente simulou uma air-band, isto é, todo mundo simulando instrumentos. Então tinha um air-bass, air-drums e air-guitar do Green Day.

Um pedacinho do disco

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

#317 Ultraje a Rigor, "Nós vamos invadir sua praia"

Já confessei aqui que esqueci de falar de alguns discos, certo? Mas nesse caso eu deixei mais para o final de propósito. Porque o "Nós vamos invadir sua praia" é mais do que um disco marcante na minha discografia, é o grande marco de passagem da minha infância para minha adolescência. E talvez por isso eu fui deixando pra ficar mais inspirado a falar dele.


Nessa época, a Blitz já era uma realidade no cenário pop rock nacional (que nos anos 80 se convencionou chamar de BRock). Mas o Ultraje trouxe às paradas uma irreverência mais apimentada, e com som bem mais calcado no rock, no punk e até mesmo no rockabilly. E cá entre nós, é um discaço repleto de hits! Eu estava mudando de colégio, entrando para o chamado "ginásio" (atual segunda parte do ensino fundamental, ou seja, do 6º ao 9º ano).

Era um mundo totalmente novo para mim: novos amigos, novos inimigos (o principal deles - o bullying), alguns interesses amorosos - nenhum deles correspondido (ps: típico!), festinhas surgindo, e todo aquele disse-me-disse a respeito das festas passadas e também das futuras. Tinha tudo quanto é tipo de som embalando essa época, mas com certeza naquele 1985 e nos 2 anos seguintes predominavam as músicas desse disco. Virou corriqueiro falar de uma vida moderninha ("Ciúme"), chamar as meninas de vaca e galinha ("Marylou"), relacionar praia a farofa e galinha ("Nós vamos invadir sua praia") e pensar no dinheiro (teoricamente) fácil de quem tem uma banda de rock ("Mim quer tocar"). Bons tempos after all... E o disco não tem NENHUMA música mais ou menos (talvez só a "Se você sabia").

A música que mais ouvi neste disco
"Ciúme", que eu adoro até hoje

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Já entreguei todas as presepadas possíveis (e publicáveis, claro) no texto, né? Então uma curiosidade: segundo o produtor Pena Schmidt, o título do disco é uma provocação dos paulistas do Ultraje ao mercado carioca, como que anunciando o sucesso de bandas paulistas nesse mercado (valeu amigo wiki!)

Um pedacinho do disco:


domingo, 12 de dezembro de 2010

#076 Ramones, "Ramonesmania"

Um verdadeiro clássico! Assim me falaram do disco "Ramonesmania", e assim que eu o guardo na memória. Resume muito bem a carreira da banda americana de punk rock em 30 faixas, totalizando 75 minutos de diversão. Lançado em 1988, compreende 20 anos de hits dos Ramones desde o início da banda, em 1967.

Na época, tudo o que eu conhecia da banda era o hit "Pet sematary", que sequer faz parte do disco. Ao seguir dicas de amigos, cheguei ao Ramonesmania. Acho que foi a fita cassete que eu mais ouvi na época, literalmente até gastar. Estava entrando no 2º grau (atual ensino médio) quando gravei essa fita, e devo ter ouvido até meu último walkman bater as botas. Me acompanhou em muitas viagens de ônibus pelo Rio de Janeiro, e também nas viagens de férias.

As músicas tem tudo a ver com o espírito da época: animação de sobra e poucas preocupações. Destaque para "I wanna be sedated", "Do you remember rock 'n roll radio?" e "Psycho therapy", que ganhou um cover muito bom do Skid Row na década de 90.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Rock 'n Roll Highschool", que resume bem o astral do disco

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"I wanna be sedated" era a música predileta de um amigo meu lá do remo. O cara de vez em sempre cantarolava alguns trechos. Com um porém: como ele não sabia a letra toda, ele empacava em um dos versos do refrão e ficava repetindo-os eternamente. Era mais ou menos assim: "Just get me to the airport, put me on a plane, Hurry hurry hurry... hurry hurry hurry, hurry hurry hurry, ...". Insuportável! Felizmente, não o suficiente pra eu enjoar da música. Só do refrão.

Um pedacinho do disco:



domingo, 21 de novembro de 2010

#055 Iggy Pop, "Best of... Live"

Ladies and Gentleman, Iggy Pop...

Tirem as crianças da sala, pois Iggy Pop está na vitrola – sobrevivendo a todos os excessos lisérgicos, químicos, etílicos, sexuais e musicais dos anos 1970. E neste disco, o cantor apresenta diferentes fases da sua carreira, como músicas da época dos Stooges e da parceria (entenda como quiser) com David Bowie. Tem "China Girl", "1969", "Raw Power" e "The Passenger", dentre outros petardos punks, gravados em uma penca de lugares diferentes durante a década de 1980.

Confesso que nunca acompanhei muito a carreira do Iggy. Eu o conheci em uma cinebiografia não-autorizada chamada "Velvet Goldmine", que tinha o Christian Bale e o Ewan MacGregor (como o Iggy Pop) no elenco. Confesso também que só comprei este disco porque reunia as músicas mais significativas da sua carreira. Evito coletâneas, mas esta caiu como uma luva. Passei a conhecer melhor a música do cara e me interessar pela sua trajetória.

Se um holocausto nuclerar varrer a face da terra, apenas sobreviverão as baratas e o Keith Richards. Possivelmente, o Iggy Pop também.

A faixa que mais ouvi neste disco
Ok, ok, "The Passenger" é a música mais pop do Iggy. Fez sucesso e ganhou até uma versão nacional do Capital Inicial. Mas, neste disco, adorei "Lust for Life". Em "The Best of... Live", o cantor começa a música dando um esporro em todos os nazistas do mundo. Docemente, ele manda todos os extremistas chuparem seu... bom, você entendeu. Grande Iggy Pop!

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Fico devendo.

Um pedacinho do disco:


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

#051 Raimundos, "Lavô Tá Novo"

Em meados dos anos 1990, o rock80 estava cada vez mais distante da molecada (em todos os sentidos). Barão, Paralamas e Legião continuavam firmes e fortes, mas havia a expectativa por uma novidade, caras novas na cena brasileira. E nessa onda, surgiram Planet Hemp, Pato Fu, O Rappa, Skank, Jota Quest e uma certa banda subversiva que misturava forró com hardcore em letras abarrotadas de palavrões, sexo, drogas e safadezas. Vindos de Brasília, os Raimundos logo se transformaram no terror das mães e caíram no gosto dos espinhentos cabeludos. Inclusive, no meu - e olha que eu nem era cabeludo.

Depois do relativo sucesso do disco de estreia, "Lavô Tá Novo" veio arregaçando! Rodolfo acelerava no repente sobre a cama de barulho criada por Fred, Digão e Canisso. A técnica musical nem era apurada, mas e daí? Os Raimundos queriam fazer a molecada pular e bater cabeça. Eu fui a dois shows da banda e, em ambos, saí encharcado de suor - fora alguns hematomas.

"Lavô Tá Novo" trouxe o sucesso nacional e uma avalanche de porradas, como a clássica "Eu Quero Ver o Oco"
e as frenéticas "Tora Tora" e "Pitando no Kombão". Nas rádios mais liberais, os Raimundos emplacaram "O Pão da Minha Prima" (mesmo com um palavrão cabeludo no final) e a non-sense "I Saw You Saying".

A faixa que mais ouvi neste disco
Na humilde opinião do blogueiro, "Eu Quero Ver o Oco" foi a música mais divertida do rock nacional dos anos 1990.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
O primeiro show que vi depois de 2000 foi dos Raimundos, no Citibank Hall (ex-Metropolitan, ex-Claro Hall, ex-ATL Hall e futuro ex-Citibank Hall).
Certo sábado, estava vendo Xuxa pela manhã e, de repente, quem aparece no palco: Rodolfo, Digão, Fred e Canisso com sorrisos pimpões. Eles cantaram "I Saw You Saying" e ainda atacaram um cover de "Ilariê". Coisa igual só vi quando os Ratos de Porão pintaram no palco da Mara Maravilha.
Zenilton, sanfoneiro cabra-macho do Nordeste, participa de "Lavô Tá Novo" em várias faixas. A curiosa "Tá Querendo Desquitar (Ela Tá Dando)" é de sua autoria.
Quando a banda estava no auge e era a maior do Brasil, Rodolfo se converteu ao protestantismo e saiu da banda para formar o Rodox. Pouco depois, pirou o cabeção e largou tudo para seguir carreira no gospel. Os Raimundos nunca mais se acertaram.
Rubro-negro fanático, Rodolfo gravou o clipe de "Puteiro em João Pessoa" com a camisa do Mengão! Não é desse disco, mas vale o comentário.

Um pedacinho do disco








sexta-feira, 5 de novembro de 2010

#039 The Offspring, "Americana"

Se o ótimo "Smash" botou a banda na Série A do rock, "Americana" abriu as portas das rádios FM, filmes adolescentes, Top 10 da MTV, trilhas de novelas e até boates da Zona Sul. De repente, uma camisa preta do Offspring virou uniforme da molecada. Acho que esta súbita entrada no mundo pop me causou uma considerável implicância com este disco. Isso graças ao sucesso cabuloso de "Pretty Fly (for a White Guy)".

Pois 10 anos após o seu lançamento, eu cedi e comprei o disco. Advinha onde? Numa prateleira de promoções das Lojas Americanas, é claro. O repertório eu já sabia de cor e salteado. Além do carro-chefe "Pretty Fly (for a White Guy)", o CD ainda tinha as maneiríssimas "The Kids Aren't Alright", "She's Got Issues" e "Staring at the Sun", dentre outras porradas.

No fim das contas, "Americana" é um CD bem legal. Eu que era rabugento mesmo.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Pretty Fly (for a White Guy)" é o escambau. "The Kids Aren't Alright" é rock'n'roll divertido, barulhento e com riffs pegajosos. Perdi a conta de quantas vezes ouvi esta faixa em mp3.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"Feelings", faixa 6 de "Americana", é a versão turbinada de um brega gravado pelo brasileiro Maurício Albert, mundialmente conhecido como Morris Albert. Pergunta outra música dele. Nem o próprio sabe.
De certa forma, o Offspring capricha nas capas feias. "Americana" é uma das capas mais medonhas da carreira da banda.

Um pedacinho do disco:



sábado, 16 de outubro de 2010

#019 The Offspring, "Smash"

"Smash" foi um dos discos que mais ouvi entre o 3º Ano do colégio e os primeiros semestres da PUC. Era como um atestado de "ser legal" nos dois ambientes. Sejamos francos, no pré-vestibular, ouvir música legal é um diferencial. Na faculdade, é uma obrigação. "Smash", do Offspring, animou os dois ambientes e se tornou um dos meus CDs favoritos em todos os tempos.

Bom, este precioso e barulhento disco surgiu na mesma safra do "Dookie", do Green Day. "Smash" catapultou a carreira da banda californiana com uma série de porradas da melhor qualidade. A diversão do disco começa com uma voz aveludada e grave, convidando o ouvinte a relaxar, esticar os pés e beber uma taça de vinho. Logo em seguida, "Nitro" é primeira de uma série de cacetadas sonoras, guitarras violentas e a voz estridente do Dexter Holland (que desperta ódio e admiração em diferentes públicos).

"Smash" é o tipo do disco que não permite pular faixas. No repertório, tem "Self Steem", "Bad Habbit", "Genocide", "Come Out and Play" e a estrondosa "Gotta Get Away". E ainda tem o ska "What in the World Happened to You". Todas convocam a rapaziada para pular. Eis um autêntico disco para "tirar o pé do chão".

A faixa que mais ouvi neste disco
"Come Out and Play" é f#%¨#. Sem mais!

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Fui a todos os shows que o Offspring fez no Brasil. O mais recente, em 2009, foi o mais fraco, reflexo do carente "Rise and Fall, Rage and Grace".
Em 1997, o Offspring fez um show memorável no Citibank Hall (ex-Metropolitan, ex-ATL Hall, ex-Claro Hall e futuro ex-Citibank Hall). A banda estava no auge e fez uma apresentação antológica, com direito a espinafrar as boybands do momento. Lembro que voltei para casa cheio de hematomas e com a camisa preta encharcada de suor. Não perdi nenhum dente.
No Rio, o Offspring era um clássico dos clipes de surf e dos CD-Players das casas de suco da praia. A moçada do skate também curtia horrores. Enfim, um discaço!


Um pedacinho do disco:



segunda-feira, 11 de outubro de 2010

#014 Green Day, "Dookie"

Quando eu tinha 16 anos, "Dookie" foi uma febre. Tinha clipe maneiro na MTV, tocava em todas as rádios teens, era trilha sonora de vídeos de surf e era exigência básica no walkman de qualquer garoto minimamente legal. Eu via que o CD do Green Day era o veículo escolhido para a rebeldia adolescente. Porém, mais do que fazer tipo, eu realmente gostava do disco.

"Dookie" acabou se tornando um clássico da banda. Entre as suas 14 faixas, o álbum imortalizou "Burnout", "She", "Basket Case", "Welcome to Paradise" e, a minha preferida, "When I Come Around". O Green Day vai bem, obrigado, mas acho que nunca mais fez um disco com a pegada de "Dookie". No fundo, acho que cheguei a essa conclusão porque lembro com muito carinho daquela época e o grupo está intimamente ligado. Parcialidade é fogo.

"She... She screams in silence / A sullen riot penetrating through her mind
Waiting for a sign / To smash the silence with the brick of self-control"

A faixa que mais ouvi neste disco
No colégio, na praia, no Bibi Sucos, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê, "She" e "Basket Case" eram onipresentes. Aliás, o disco todo bombava.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
No final do 3º Ano, os churrascos eram obrigatórios. Em um deles, eu já tinha tomado umas cervas a mais e estava alegrinho. No auge da felicidade, meus pais, que conheciam o dono da festa, apareceram para me levar para casa - um mico indescritível para um garoto de 16 anos em busca da popularidade e peitinhos alheios. Irritado, cheguei em casa e coloquei "Dookie" no último volume para mostrar bem a minha revolta. Tomei um esporro federal e fiquei de castigo por um bom tempo.

Um pedacinho do disco: