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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

#140 Kid Abelha, "Acústico MTV"


O Kid Abelha teve um momento bem produtivo e inspirado entre os anos 80 e 90. Vários hits, todos sempre tocados nas festinhas e nas boates. Mas confesso que depois de um tempo eu cansei da banda. Pode-se dizer que são os precursores do modelo "acústico" no Brasil, por causa do disco "Meio desligado". Mesmo assim, não podiam deixar de pegar carona no projeto da MTV, que deu um gás na carreira de uns e ressuscitou a de outros (o Capital Inicial que o diga).

Pra mim, o efeito foi exatamente esse: com o lançamento desse acústico da MTV, me empolguei de novo com a banda. Ainda estava com uma certa má vontade pra comprar o disco, mas pra ajudar coloquei como possível presente numa lista de amigo oculto. Acabei ganhando, mas acho que se não ganhasse acabaria comprando. Com a MTV martelando o clipe de "Nada sei" na programação, eu estava mesmo inclinado a isso.

O disco alterna ótimos momentos com outros nem tão bons assim. A releitura de antigos sucessos ficou excelente, mas algumas homenagens nem tanto. Sei lá, pra mim nada a ver colocarem "Quero te encontrar" (de Claudinho e Buchecha), mas esse sou eu implicando com o funk carioca. :) Um destaque especial para a participação de Edgar Scandurra (guitarra do Ira!) nas músicas "Como eu quero" e "Mudança de comportamento", que ficaram divinas, e para "Gilmarley song", que eu gosto bastante.


A música que eu mais ouvi deste disco
Praticamente um empate técnico: "Mudança de comportamento" e "Eu contra a noite"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Como disse, ganhei esse CD num amigo oculto, mas tempos depois acabei comprando-o. Eu deixava meus CDs originais no carro, até o dia que um meliante qualquer da Tijuca arrombou o meu Gol branco véio de guerra e levou todos os CDs que ficavam nele. Comprei de novo, mas passei a só andar com cópias no carro

Um pedacinho do disco:


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

#135 Kid Abelha, "Educação Sentimental"

Olha, eu gosto do Kid Abelha! Pronto. Falei. Acho bonitinho a Paula Toller cantando. Admito que as músicas são quase sempre bobinhas, mas percebo um adorável tempero de ingenuidade. Além do mais, eu era um teenager espinhento que se identificava com as suas poesias, especialmente "Educação Sentimental". Olha só: "É sempre a mesma cena / Só te ver no corredor / Esqueço do meu texto / Eu fracasso como ator / Só dou vexame / Fico olhando pros seus peitos / Escorrego na escada, / Acho que assim não vai dar jeito". Eu purinho aos 13 ou 14 anos!

Essa ingenuidade me encantou desde o começo. Enquanto as bandas de Brasília eram politicamente engajadas e os grupos paulistas bebiam em uma vertente mais punk, a moçada carioca era muito mais light. Paula Toller toda jeitosa, invadiu este Clube do Bolinha do Barão Vermelho, do Paralamas e do Blitz, e colocou o Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens na elite do BRock 80. Nem foi preciso que ela enfiasse o pé na porta. Bastaram os LPs "Seu Espião" e "Educação Sentimental", que considero o melhor da discografia de Paula, George Israel, Bruno Fortunato e, até então, Leoni.

Sem ambições ou pretensões, "Educação Sentimental" registrou em música diversos pensamentos e angústias adolescentes. "Os Outros", por exemplo, é um singela declaração de uma menina ao "seu melhor namorado" (olha só: "Depois de você, os outros são os outros e só"). Na mesma pegada de "Educação Sentimental", a faixa "Garotos" diz que "garotos perdem tempo pensando / Em brinquedos e proteção / Romance de estação / Desejo sem paixão". O repertório ainda tem a murphyniana "Conspiração Internacional" ("Eu nunca chego no horário / Eu perco tudo o que eu ponho no armário / Tudo atrapalha o que eu faço / Mas pros outros parece tão fácil").

Independente de festinhas Ploc e ondas retrôs, "Educação Sentimental" é um disco essencial para compreender uma época muito divertida do rock brasileiro.

A faixa que mais ouvi neste disco
Ainda ouço este CD de cabo a rabo. "Educação Sentimental" continua adorável.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Momento cultural: "Educação Sentimental" também é o título do 2º livro de Gustav Flaubert, publicado em 1869.
"Educação Sentimental" foi o último disco do Leoni como membro do Kid Abelha. Depois da sua saída, misteriosamente, a banda ficou menos divertida.
Este também foi o último álbum em que a banda assinou como "Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens". Ficou só Kid Abelha mesmo.
Acho que depois de "Educação Sentimental", Paula Toller ficou loira. Até então, ela usava cabelos escuros no corte Joãozinho
Paula Toller bate um bolão até hoje.
Os detratores chamam o Kid Abelha de "Q.I. de Abelha". Maldade!
Só para constar, eu não tinha 13 ou 14 anos quando "Educação Sentimental" foi lançado.
Fuçando no youtube, encontrei o clipe original de "Lágrimas e Chuva". Clássico!

Um pedacinho do disco

terça-feira, 23 de novembro de 2010

#057 Kid Abelha, "Meio Desligado"

Antes da coqueluche dos acústicos, o Kid Abelha gravou um disquinho bem simpático com vários sucessos de sua carreira. Sem a chancela da MTV (ou do Multishow, mais recentemente), Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato registraram várias músicas em formato "quase-unplugged" na turnê de 1994 e criaram o bem-sucedido "Meio Desligado". No repertório, "Deus (Apareça na Televisão)", "Como Eu Quero" (óbvio!), "Por que não Eu" e outras babas em arranjos mais enxutos.

Comprei este CD nos tempos de colégio, para variar meus títulos entre rock'n'roll e pop-para-pegar-a-coleguinha. No quesito músicas fofinhas, goste ou não, o Kid Abelha é mestre jedi.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Grand'Hotel" é uma canção que foge do universo jovem-praia do Kid Abelha. A canção trata muita maturidade sobre um "quase-amor". Tem um verso muito bonito: "Se a gente não tivesse feito tanta coisa / Se não tivesse dito tanta coisa / Se não tivesse inventado tanto / Podia ter vivido um amor Grand'Hotel". Singelo!

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Lançado em 1994, um dos destaques de "Meio Desligado" era a música "Eu Tive um Sonho". A música em si não tem nada de mais, porém o clipe era esquisitíssimo e lisérgico. Paula Toller (com cabelos quase brancos) sai de uma piscina e corre para um gramado repleto de anões de jardim e almofadas. George e Bruno tocam entre bichinhos de pelúcia. Deitada no gramado, a cantora é atingida por uma bola de futebol e, em um passe de mágica, surge com o uniforme do São Paulo. Logo é erguida pelo... Raí. Em vez de qualquer romantismo, Raí bota Paula para jogar, fazer aquecimento e alongar. Até dribla a moça. Paula larga Raí e acaba o clipe com... uma orelha. É ou não é o máximo?
Ah, 1994 e Raí te lembram alguma coisa? A Copa dos EUA, talvez? O clipe foi um sucesso e o camisa 10 do São Paulo virou "muso" da torcida feminina.


Um pedacinho do disco: