BLOGGER TEMPLATES AND TWITTER BACKGROUNDS »
Mostrando postagens com marcador MPB. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MPB. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

#Bonus track Amelinha, “Mulher nova bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor”

Com a palavra, Maria, do Blog da Maria.




Da xará Amelinha (pra quem não sabe, a Maria que vos fala também é Amélia), este foi um álbum lançado em 1982, um tempo depois da moça já ter tido um sucesso arrebatador cantando “Frevo Mulher”, e é, fácil, um dos álbuns que entrariam para o meu top five de álbuns da vida, se eu tivesse um!

O álbum reúne diversas canções de autores nordestinos como Zé Ramalho, autor da canção título (em parceria com Otacílio Guedes Carioca), com quem Amelinha foi casada, Gonzaguinha, Robertinho do Recife em parceria com Fausto Nilo, Djavan, Luiz Ramalho e outros, e tem até mesmo um soneto da Florbela Espanca musicado pelo Fagner.

Não conheço a proposta do álbum e há muito pouca informação sobre a Amelinha na internet. São músicas evidentemente nordestinas de diversos estilos, algumas bem animadas, outras, trilhas sonoras de dor de cotovelo, mas o que realmente impressiona é o nível das composições, que classifico como uma verdadeira crueldade poética. Afinal você não encontra versos como: “hoje em dia, pra gente amar de vera, é preciso ser quase um alquimista, ou talvez o maquinista do trem da consciência, pra te amar com tanta calma e com tanta violência” (parceria de Vital Farias e Salgado Maranhão) em qualquer álbum.

A minha paixão pela Amelinha aos 5 anos de idade era por existir uma cantora com o mesmo nome que o meu. Mas só muitos anos depois é que eu pirei de verdade nas canções, quando ouvi e ouvi de novo e mais uma vez meu velho LP, prestando bastante atenção nas letras, nas melodias e querendo sentir paixão daquele jeito que está cantado ali. E eu nunca encontrei esse álbum em CD e não sei se é fácil encontrar essas músicas para baixar (confesso que não procuro mais por preguiça do que por consciência). De uma ou outra ainda tem um videozinho vagabundo no youtube.

A música que mais ouvi neste disco
“Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor” (aliás, a Amelinha canta a versão completa – na versão do Zé Ramalho na Antologia dos 20 anos, uma estrofe ficou de fora).

Presepada musical ou pequena curiosidade
Chorei tudo o que podia quando a minha irmã foi receber o diploma ao som de “Felicidade” (só que cantada pelas Chicas, e não pela Amelinha). A música é maravilhosa e é a cara dela. Sensação de educação musical cumprida!

Um pedacinho do disco (com guitarra do Robertinho do Recife):

sábado, 24 de setembro de 2011

#362 Marisa Monte, "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor"

"Deixa eu dizer que te amo,
Deixa eu gostar de você.
Isso me acalma, me acolhe a alma.
Isso me ensina a viver"

Tem como não gostar de um disco que começa com esses versos? É uma declaração de amor tão bonitinha, tão sincera, que se torna irresistível. Esta é "Amor, I Love You". E assim é o resto de "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor", o quinto e mais romântico álbum da Marisa Monte.

Em 13 cabalísticas faixas, Marisa deu uma aula de como fazer um disco onde o amor quase desvairado e quase cafona é o tema principal – e sem perder a classe. A dor que aperta o peito e faz as pessoas perderem noites de sono em desatinos de saudade. Essa sensação está em "Não Vá Embora", "Tema de Amor", "Não É Fácil", "Cinco Minutos", "O que me Importa", "Abololô" e por aí va. Para falar da dor de cotolevo, "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor" consolida o ménage a trois artístico com Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes. Era o tribalismo ganhando forma.

Ah, e o disco ainda tem espaço para composições de Caetano Veloso ("Sou seu sabiá"), Jorge Ben ("Cinco Minutos"), Paulinho da Viola ("Para Ver as Meninas") e a dupla Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito ("Gotas de Luar"). Aí você vê como Marisa se cerca de gente boa na hora de fechar os seus CDs. Assim como qualquer outro trabalho em que a portelense ponha a mão, "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor" é obrigatório.

A música que mais ouvi neste disco
Sem dúvida, "Não Vá Embora". Com percussão explosiva, Marisa rasteja pelo seu amado e suplica "Eu podia estar sofrendo, caído por aí. Mas com você eu fico muito mais feliz". Belo! Ah, outra que merece nota é "Gentileza", composta por ela para o artista, grafiteiro e maluco beleza Gentileza.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Marisa Monte lançou "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor" no Rio em um show no Citibank Hall. Foi na época do meu aniversário. Uma tia me deu de presente 4 ingressos para este show. Fui com a família. Belíssima apresentação. Marisa manda bem no estúdio e no palco.
Nesta época, Marisa Monte estava sob gestão do Davi Moraes, filho do Moraes. Ele é o guitarrista neste disco.
O encarte é recheado de fotos, tiradas a esmo pela própria Marisa e a aproveitadas na direção de arte. São retratos de livros ("Senhora", por exemplo), CDs, pedaços do estúdio e detalhes da anatomia da artista, como os seus pés.
Em "Amor, I Love You", Arnaldo Antunes declama em voz gutural um trecho de "O Primo Basílio", de Eça de Queirós.
"Memórias, Crônicas e Declarações de Amor" foi gravado em Salvador, Rio de Janeiro e Nova York.

Um pedacinho do disco




quinta-feira, 22 de setembro de 2011

#360 Trilha Sonora, "Mulheres de Areia"

Não vou deixar o meu parceiro de ondas sonoras pagar mico sozinho nesta bagaça! Se ele desencavou "Roque Santeiro", eu lhe apresento, das profundezas do acervo Som Livre, a trilha sonora de "Mulheres de Areia".

Bom, nunca acompanhei o folhetim que foi ao ar no comecinho dos anos 1990s e trazia as aventuras das gêmeas Ruth e Raquel (Glória Pires) em algum cafundó praiano. E ainda tinha o Tonho da Lua, um escultor com problemas mentais, que ganhou certo destaque na pele do Marcos Frota, o irmão menor do Alexandre Frota. Fora isso, não lembro de mais nada. Então como cheguei até este disco? Eu lhe respondo prontamente: não sei. Foi alguma presepada a minha mãe, que me educava musicalmente e não tinha muito critério quando entrava nas Lojas Americanas.

Então, sabe-se lá porque razão, o CD sobreviveu a várias desovas na minha prateleira. Está lá, junto aos álbuns do Supla e da Banda Eva. Enfim, "Mulheres de Areia" sobreviveu, mesmo com forçando a barra com um repertório que inclui Biafra, Joanna, Ivan Lins, Maurício Mattar, Banda Beijo, Chitãozinho & Xororó, Simone, Gal Costa e Orlando Morais (que deve ter entrado na peixada, pois é esposo da Ruth e da Raquel), dentre outras "feras". Sentiu o drama, né? Salvam-se Raul Seixas (que é clássico e intocável) e uma música caribenha do Pepeu Gomes ("Sexy Yemanjá").

A música que mais ouvi neste disco
Fui envolvido pelas maracas de "Sexy Yemanjá". Ouvi de novo para escrever este texto e senti uma vontade louca de sair requebrando os ombrinhos. Desliguei!

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
A maior presepada foi ter mantido este disco por tanto tempo. Agora, com a reprise no "Vale a Pena Ver de Novo", talvez algum sebo me pague uns R$ 2 pelo CD.
Quem está na capa, Ruth ou Raquel?

Um pedacinho do disco

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

#359 Vários, "Roque Santeiro - Volume 1"

Como muita gente sabe, não vejo novelas. Seja por falta de tempo ou falta de interesse. Mas até 1990 eu costumava assisti-las, e confesso que gostei bastante de acompanhar algumas. Roque Santeiro inclusive foi uma das melhores já feitas na minha opinião, e seu enredo podia muito bem virar uma minissérie ou coisa parecida. Pra mim, o grande mérito dessa novela foi mostrar ali um retrato da cultura popular brasileira. E isso se traduziu muito bem em sua trilha sonora.

Eu na época era um fedelho de 11 anos de idade, e vivia num Brasil com apenas 6 canais de TV aberta e ainda sem videocassete ou coisa parecida. Logo, poucas opções. Na tela da TV todas as noites um folhetim qualquer. Só que nesse caso, um ingrediente a mais: uma novela retida pela censura (do antigo regime militar) durante 10 anos. Claro que dava um tempero a mais, e com isso a novela fez um tremendo sucesso. Para aqueles olhos pré-adolescentes, era uma história divertida com algumas beldades atiçando os hormônios beirando a puberdade. Embalando tudo isso, músicas predominantemente populares.

Puxando o lado pop brega da trilha, veio o Roupa Nova com o mega sucesso "Dona", música tema da viúva Porcina (um dos principais personagens da trama). Além deles, o ídolo mor da música brega Wando com sua melancólica "Chora coração". Ambas excelentes! Destaque também para a parceria Dominguinhos / Chico Buarque em "Isso aqui tá bom demais", Moraes Moreira com a música de abertura "Santa Fé", Zé Ramalho cantando a história da menina e do lobisomem em "Mistérios da meia noite" e Baby Consuelo com a clássica "Sem pecado e sem juízo".

A música que mais ouvi neste disco
O clássico brega "Chora coração"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Não sei se é plágio, homenagem ou só uma mera coincidência, mas a melodia de "Dona" em alguns trechos é igualzinha a da música "You like me too much" dos Beatles.

Um pedacinho do disco:

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

#353 Jorge Ben e Tim Maia, "Dançando a noite inteira"

Houve uma época (mais precisamente no início dos anos 90) em que qualquer festinha, happy hour ou churrasco que se preze tinha que tocar sucessos de Jorge Benjor e Tim Maia. Eu achava isso insuportável, mas não tinha como fugir! Passava um tempinho e alguém tocava "A banda do Zé Pretinho", "W/Brasil" ou "Não quero dinheiro". Por causa dessa massificação, eu passei LONGE da discografia dos dois por muito tempo.

Passou a modinha, eu dei mais chances à MPB (especialmente quando descobri Chico Buarque, mas isso é papo para outro post) e resolvi vencer minha pinimba. Pra não ficar muito perdido, parti para comprar uma coletânea. Ia com certeza comprar uma de cada, mas dei a sorte de achar esse CD. A discografia de ambos é vasta, ambos tem várias preciosidades escondidas por aí (especialmente em discos lançados nos anos 70), mas pra começar esse CD foi uma mão na roda. O foco é justamente nas mais antigas dos dois (não à toa que Jorge Benjor está com seu nome artístico anterior: Jorge Ben), e lá estão "Que pena", "Mas que nada" e "País tropical" (do Jorge Ben) e "Não quero dinheiro", "Você e eu, eu e você" e "Festa do Santo Reis", do Tim Maia. Podia ter muito mais músicas, mas pra começar está ótimo!

A música que mais ouvi neste disco
"Mas que nada" (do Jorge Ben) e "Festa do Santo Reis" (do Tim)

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Justamente nessa época de modinha que tomei um dos maiores porres da minha vida, em um churrasco em Jacarepaguá. E uma das minhas poucas lembranças do churrasco era justamente dessas músicas tocando (talvez daí venha o trauma, sei lá)

Um pedacinho do disco:

terça-feira, 23 de agosto de 2011

#330 Cássia Eller, "Acústico MTV"

Ah, os acústicos que tanto odiamos e adoramos. Pode ser a redenção de uns e a queimação de outros. No caso da Cássia Eller, achei que foi precipitado. "Tsc, tsc, tsc... com tanto pela frente, já gravando uma coletânea", pensei. Mal sabia eu que o destino, brincalhão e maroto, tinha armado seus pauzinhos para que o disco desplugado de Cássia fosse o seu adeus.

Ok, ok, este primeiro parágrafo foi dramático e piegas. Não resisti!

Bom, "Acústico MTV" mostra que Cássia tinha talento e recursos para interpretar vários estilos com segurança e personalidade. No balaio de compositores, a cantora abraça as obras de Chico Buarque, Marisa Monte, Cazuza, Renato Russo, Nação Zumbi, o rapper Xis e até o Riachão, que é lendário na Bahia, mas eu nunca tinha ouvido falar. Esqueci de mencionar o Nando Reis? Nãããão. Como poderia fazer tal blasfêmia. "Acústico MTV" foi a festa de casamento entre a intérprete e o seu compositor favorito. Tem "Relicário", "Luz dos Olhos" e "O Segundo Sol", que nasceram na cabecinha ruiva de Nando, mas ganharam o mundão na voz poderosa de Cássia.

Acredito que este é um dos melhores unpluggeds produzidos pela ême-tê-vê.


A música que mais ouvi neste disco
"Malandragem", talvez. Ou "Relicário". Dúvida...

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
O disco foi gravado em março de 2001. Cássia faleceu em dezembro do mesmo ano. Estava na turnê do álbum.
Posso dizer que Cássia Eller foi a nossa Amy Winehouse?


Um pedacinho do disco:

sábado, 13 de agosto de 2011

#320 Marisa Monte, "Mais"

Já contei aqui que o "V", da Legião Urbana, foi um companheiro fiel de uma fossa memorável em minha biografia. No entanto, o pequeno caso com a mocinha da faculdade não rendeu apenas lembranças musicais tristes. Eis que "Mais", de Marisa Monte não me deixa mentir.

Entre os lendários pilotis da PUC, eu encontrava a tal menina entre uma aula e outra. Eu até furava as clássicas partidas de sueca para continuar a campanha. A gente ficava passeando pela área verde da saudosa Pontifícia e conversávamos sobre uma porção de coisas. Um dos assuntos era música, em especial Marisa Monte e seu belíssimo 2º CD. A minha então musa era fã da cantora. Certo dia, eu copiei a letra de "Rosa", poesia de Pixinguinha e Otávio de Souza, que foi magistralmente regravada por Marisa, e entreguei à guria. Ela adorou. Peguei? Não.

Enfim, vida seguiu e eu ainda acho graça quando ouço "Mais". Fora o meu "causo", este disco é um clássico da MPB e a afirmação de Marisa Monte como uma das melhores intérpretes da nossa música em todos os tempos. Não por acaso, que este álbum registra parcerias entre ela e, especialmente, os Titãs Arnaldo Antunes, Branco Mello e Nando Reis. Das 12 faixas, o trio titânico assina ou faz parceria em sete canções. Com Arnaldo, foi o embrião do que se tornaria o projeto Tribalista.

A música que mais ouvi neste disco
"Beija Eu" é uma das aberturas mais meigas de todos os meus discos. Não por acaso, ouvi muito esta bela canção. Mais até do que "Rosa", que ilustrou a aventura narrada acima. No entanto, se você me perguntar qual a minha faixa favorita, eu lhe digo sem pestanejar: "Diariamente".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Mais uma? A história da menina da PUC basta, né não?

Um pedacinho do disco

domingo, 7 de agosto de 2011

#314 Gal Costa e Caetano Velloso, "Domingo"

Hoje, o filho mais famoso da Dona Canô sopra velinhas. Como homenagem ao bom Caetano Veloso, vou resenhar "Domingo", um disco que é clássico de cabo a rabo. Pequenas razões:

:: Foi o primeiro disco de Gal e Caê.
:: Gal ainda não havia cultivado suas longas madeixas.
:: Caetano ainda escrevia o seu nome com dois "Ls" ("Velloso").
:: A tropicália ainda era apenas uma ideia.
:: Lounge Music era um gênero musical que ainda não fora inventado.

Pois é, "Domingo" era um disco de musiquinhas suaves de dois jovens baianos que curtiam muito o João Gilberto. Por essas e outras, este disco de estreia é todo ajustado na vibe da bossa nova, com a mágica batida de violão e uma bateria jazzística ao fundo.

Comprei "Domingo" por curiosidade musical. Gosto de conhecer o primeiro trabalho de artistas que se consagrariam posteriormente. Se fosse lançado agora, seria um belo CD de lounge music. Como foi lançado em 1967, se tornou o começo de tudo. "Caetano Begins", por assim dizer.


A música que mais ouvi neste disco
"Coração Vagabundo" é bonitinha, mas "Remelexo" foi soberana na minha vitrola.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Colando dos nossos amiguinhos da wikipedia, a música "Minha senhora" foi defendida por Gal no Festival Internacional da Canção de 1966.
O jovem Dori Caymmi, filho do Dorival, produziu "Domingo".

Um pedacinho do disco

sábado, 30 de julho de 2011

#306 Marcelo D2, "À Procura da Batida Perfeita"

Tenho implicância com o rap. Pronto. Falei. Acho chato, repetitivo e muito mais "forma" do que "conteúdo". Claro que aquela indumentária gangsta, com óculos escuros, cordões de ouro e várias gostosas ao redor. É o sonho americano vestindo Armani. Mas (graças a Deus, sempre existe o "mas"), curto alguns representantes do estilo, como os Beastie Boys, o Snoop Dogg (o Mr. Catra made in USA), Orishas, Ice-T e o Public Enemy. Em ondas sonoras brasileiras, alguns conterrâneos se aventuraram por este estilo. Na minha opinião, os dignos de nota são os Racionais MC's, o Gabriel O Pensador e o Marcelo D2 - ao qual dedico esta resenha.

Na boa, Marcelo D2 ganhou meu respeito pela maneira como absorveu o que há de melhora da black music nacional (incluindo o samba) e processou tudo em um rap brasileiríssimo. O resultado foi o disco "À Procura da Batida Perfeita", lançado em 2003 e já um clássico. Com letras divertidas, musicalidade show de bola e sotaque (exageradamente) carioca, Dr. Marcelo rompeu o cordão umbilical com o Planet Hemp e conquistrou a sua emancipação artística e aceitação popular. O cantor bombou em rádios, MTV e foi convidado de programas de auditório. Algo impensável para alguém que foi preso por "apologia às drogas" no final dos 1990s.

No mainstream desde então, Marcelo D2 virou referência nacional e internacional. Ficou amigo de medalhões do cancioneiro gringo (como o Black Eye Pea Will.I.Am) e continua fazendo o que sempre fez: tirando onda.

A música que mais ouvi neste disco
"Qual É?". E eu te pergunto: "qual é, neguinho? Qual é?".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Não posso me queixar da sorte. Já ganheiro prêmios em sorteio de festa da empresa e em promoção de rádio. Numa dessas, ganhei a discografia do Marcelo D2 em uma ação da OI Fm. além de três CDs, descolei um DVD na faixa.

Um pedacinho do disco

quinta-feira, 21 de julho de 2011

#297 Skank, "Siderado"


Quando lançou esse disco, o Skank não era mais nenhum debutante. Com carreira consolidada no cenário musical brasileiro, a banda chegou com esse quarto trabalho cheia de moral. Depois do álbum independente de estréia (do qual eu falo um dia se o Surfista não falar), os mineirinhos do Skank fizeram dois grandes discos ("Calango" e "O Samba Poconé") e arrebentaram nas paradas brasileiras mesclando pop com reggae.


Hoje em dia eu acho estranho dizer que o Skank é uma banda de reggae, ou que foi um dia. À medida em que foram fazendo sucesso, o som dos caras foi deixando de lado o jeitão roots e adotando um estilo mais pop. Não foram desbravadores, claro: Paralamas e Cidade Negra passaram por esse caminho. Nesse caso, acho que o caminho do Skank é mais parecido com o do Paralamas: rumo ao pop inglês com influência latina, leia-se The Police e UB40. Nesse disco aqui, já se começa a perceber essa transição, que fica evidente nos discos que vieram depois (especialmente no "Cosmotron")

"Siderado" é bem gostoso de ouvir, e nota-se que foi um trabalho inspirado e cuidadoso. A maior parte das músicas é de autoria de Samuel Rosa e Chico Amaral, salvo algumas parcerias, como a com Marcelo Yuka (ex-O Rappa) em "Do Ben" - que fala de Jorge Ben. Vendeu bem pacas (750mil cópias) e teve 3 músicas tocando bastante nas paradas: "Siderado", "Resposta" e "Mandrake e os cubanos". Outra muito boa é "Saideira"

A música que mais ouvi neste disco
"Mandrake e os cubanos", a mais caribenha do disco na minha opinião, e uma das mais divertidas do grupo

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Esse disco foi todo gravado no lendário Abbey Road Studios, usado pelos Beatles.

Um pedacinho do disco:

terça-feira, 19 de julho de 2011

#295 DJ Janot, "O som brazooka do DJ Janot - Vol. 1"


No início dos anos 2000, tive uma "recaída" na minha vida noturna. Mas ao contrário dos anos 90, as noitadas embaladas por música eletrônica (o dance bate-estaca que permeava as rádios na época) deram lugar a boates com som mais alternativo. Nessa época, eu era figurinha fácil na festa Loud! e na festa Paradiso (ambas baseadas em rock alternativo, grunge e afins). Mas a convite de colegas de trabalho, fui conhecer a festa Brazooka, que rolava toda sexta-feira na Casa da Matriz (casarão em Botafogo cuja programação era tudo menos modinha).


Nas pick-ups, batia ponto o DJ Janot, especializado em tocar tudo do bom e do melhor da música brasileira, em versões originais e também alguns remixes. Ali nas pistas da Matriz eu ouvi muita coisa boa que eu não conhecia. Digo até que eram sons de artistas que eu tinha algum preconceito antes, por conta do meu foco míope no rock. Lembro muito de uma noite onde o homenageado foi Roberto Carlos, e em boa parte da noite o Janot tocou várias versões maneiras de sucessos da Jovem Guarda. Algo parecido foi feito também com Chico Buarque, e posso afirmar que foi a partir dali que comecei a curtir o som dele.

A festa fez tanto sucesso que Janot lançou dois CDs com um apanhado de músicas que ele tocava com frequência por lá. Desses, comprei o primeiro pra ver se curtia, e quando resolvi comprar o volume 2 não achei mais nas lojas. Uma pena. O CD inteiro é excelente, e ótimo pra deixar rolando numa festinha mais descolada. Destaque para a versão que a Banda Caixa Preta fez para o "Samba da benção", para a versão de "Pelas tabelas" (Chico Buarque) cantada por Roberta Sá, para "Essa moça tá diferente" remixada com Simoninha nos vocais e para alguns clássicos como "Tiro ao Álvaro" (Adoliran Barbosa com Elis Regina), "A Praieira" (Chico Science & Nação Zumbi) e "Frevo Mulher" (Zé Ramalho)

A música que mais ouvi neste disco
O remix de "Essa moça tá diferente", que é excelente!

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Nos primeiros 2 anos de existência, a festa era a melhor opção da noite do Rio, tanto pra quem queria só curtir quanto para uma azaração sadia. Mas como toda opção boa da noite carioca, depois de algum tempo começou a ter homem demais, e com o excesso, as brigas. Uma pena.

Um pedacinho do disco:

domingo, 10 de julho de 2011

#286 Jorge Ben, "23"

Por um desses fenômenos inexplicáveis da indústria fonográfica, Jorge Ben desapareceu na purpurina dos anos 1980. Toda a magia criativa dos anos 1960 e 1970 foi esquecida. Verdade seja dita, muito graças a ele próprio. Pois tão súbito quanto sumiu do mapa, Jorge voltou. Trocou o Ben por Ben Jor e caiu nas graças da moçada lá pelo comecinho dos anos 1990. O CD que impulsionou este retorno foi o "23".

Vamos ser francos e limpinhos, "23" é legalzinho, mas não chega aos pés de "África Brasil". Claro que um artista com a criatividade do Jorge não faria feio, mas "23" é um disco assim-assim. Bom, dito isso, posso esquecer as nuances pseudo-críticas e me jogar na nostalgia. Eu fui um dos muitos garotos e garotas que descobriram o Ben Jor por este disco. Era um fase divertida, de tomar catiripapos na escola e buscar assiduamente os peitinhos das coleguinhas. Um dos diferenciais competitivos era justamente ser musicalmente descolado, pois eu era magrinho, cabeçudo e usava óculos. Aparecer no colégio com uma fitinha K7 da melhor banda de todos os tempos da última semana despertava a atenção.

Pois então, "23" era um desses discos que levantavam o popularômetro do indivíduo sub-15. E ainda mais se rolasse "Engenho de Dentro" na festinha americana – mesmo com uma das letras mais non-sense de toda a história da MPB. Ou então a biológica "Spyrogyra Story", com seus belos plânctons. Jorge podia não dizer coisa nenhuma, mas tinha um balanço contagiante. E para perceber isso, não precisava ser um contemporâneo de "Samba Esquema Novo". Jorge Ben Jor é universal e atemporal.

A música que mais ouvi neste disco
"Engenho de Dentro", com seu refrão djavaniano (ou seja, nada com anda) "Engenho de Dentro / Quem não saltar agora / Só em Realengo".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
A banda de apoio que participa de "23" é qualquer nota: Paula Lima nos vocais, Simoninha nos teclados, Leo Gandelman no sax, Ivo Meirelles na percussão, Bi Ribeiro no baixo e o síndico Tim Maia.
Aliás, foi neste disco que o povão descobriu que Tim Maia era síndico.
O trio formado por Jorge Ben Jor, Tim Maia e Bi Ribeiro foi candidamente batizado de BenTimBi.
Acbo que foi a partir deste disco que São Jorge ficou pop. Na capa, há a inscrição "Santo também é muso".
23 de abril é o dia de São Jorge. Virou feriado no Rio.

Um pedacinho do disco

segunda-feira, 4 de julho de 2011

#280 Elba Ramalho, "Solar"

Putz, passaou o mês do São João e não postei nenhum CD de forró. Com pequeno atraso, vamos tentar remediar esta falta. Porém, "Solar" não pode ser classificado apenas como "forró".

Para comemorar seus 20 anos de carreira, Elba Ramalho mergulhou em um projeto ambicioso: um CD duplo produzido durante as festas juninas de 1999 (em Salvador e em Montreux), com gravações em estúdio, registro ao vivo e participações muuuuito mais do que especiais. Já conversei sobre a paraibana como o Vulgo Dudu (do blog Cinéfio, Eu?) e chegamos à conclusão de que ela é soberana das suas canções e da música regional nordestina. Por mais que passeie com desenvoltura pela MPB, é no cancioneiro popular do Nordeste que Elba tira onda. "Solar" pega um pouco dos dois universos.

Acho o disco de estúdio é corretinho, com arranjos comportados e espaço para a sua força de intérprete brilhar. Tudo muito polido e os duetos são legais. Elba convocou uma tropa de elite da música brasileira: Chico Buarque (”Não sonho mais”), Zé Ramalho (”Ave de prata”), Lenine (”Nó Cego”), Nana Caymmi (”Imaculada”), Geraldo Azevedo (”Kukukaya”), Margareth Menezes (”Quem é muito querido a mim”) além de Dominguinhos (”Retrato da vida”) e Alceu Valença (na inédita “Trem das ilusões”).

Mas vamos à melhor parte da parada. É no registro ao vivo que Elba deita e rola. Com a energia que pontua os seus shows, o disco 2 de "Solar" é um esculacho! De bem com as raízes nordestinas, estão gravadas "Avohai", "Pisa na Fulô", "Leão do Norte", "Pagode Russo", "Forró do Xenhenhém", "Morena da Angola" e mais uma cacetada de músicas agitadas. Então, tá. Se você estiver num momento calmo, taca o disco 1 na vitrola. Se quiser um som mais elétrico, bota o disco 2 sem medo de ser feliz.

A música que eu mais ouvi neste disco
No disco 1, gosto de "Cajuina" e "Não sonho mais". No CD2, me amarro no pout-pourri de "Pisa na Fulô", "Chororô" e "Pé de Serra".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Nos tempos em que trabalhei com música, tive a oportunidade de fazer um chat para o portal Terra e uma entrevista exclusiva com Elba. Ambas foram ótimas e fiquei ainda mais fã dela. A lembrança foi um autógrafo no meu CD "Solar".
Não, Elba não estava pelada nos encontros.

Um pedacinho do disco


sábado, 2 de julho de 2011

#278 Nando Reis, "Luau MTV"

Já comentei por aqui que os discos ao vivo foram uma peste lucrativa no mercado fonográfico nacional. Neste segmento, a MTV descobriu que os acústicos eram particularmente uma mina de ouro. O formatinho "sucessos-em-voz-e-violão" foi explorado até a última gota de sangue e centavos. Quando a fórmula estava esgotada, a sabida emissora mudou um pouco o contexto e criou o "Luau MTV", que nada mais é que um acústico gravado na praia! Olha que esperto: do palco para a areia e nada mais.

E nesta potencial mina de ouro, a MTV convidou o Nando Reis. Barbada, né? Cara talentoso, excelente compositor e com diálogo com a geração que o acompanhou ao lado dos Titãs e a garotada que o descobriu como líde de Os Infernais. Tinha tudo para dar certo e deu mesmo. No repertório, sucessos da sua carreira solo, como "A Letra A", "Relicário", "Luz dos Olhos" e "Por Onde Andei", dentre muitas outras músicas maneiras. Para temperar, o ruivo ainda recebe as participações especiais de Andreas Kisser, Samuel Rosa, Negra Li e Andréa Martins. Esta última é vocalista da ainda pouco conhecida Canto dos Malditos na Terra do Nunca. Gosto muito deste CD.

A música que eu mais ouvi neste disco
Depois de muito ouvir "Por Onde Andei" no "MTV ao Vivo", dediquei especial atenção à "Sou Dela".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Para falar a verdade, não lembro de outro "Luau MTV" lançado em CD. Puxando pela memória (e pelo Google), vi o Los Hermanos e os Titãs, mas o registro saiu apenas em DVD.

Um pedacinho do disco





sábado, 25 de junho de 2011

#271 Jorge Ben, "África Brasil"

Durante anos, música brasileira sofisticada era sinônimo de Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, Baden Powell e outras feras. No entanto, acredito que foi Jorge Ben e Tim Maia que fizeram canções altamente elaboradas e com fortíssimo apelo popular. Enquanto Tião Marmiteiro (futuro Tim Maia) era mestre no soul com alma brasileira, Balbulina (vulgo Jorge Ben) encontrou a fusão perfeita entre o samba e o rock, do qual nasceu o indispensável "África Brasil".

Com uma musicalidade extraordinária, Jorge cantou o amor e temas do cotidiano do povão. No repertório, tinha amor, musas e muito futebol. "Ponta de Lança Africano (Umbabarauma) " atravessou as fronteiras e ganhou o mundo. "O Camisa 10 da Gávea" carimbou a devoção de Jorge ao Flamengo e concedeu ao magistral Zico a maior homenagem da sua vitoriosa carreira.

E ainda tem "Taj Mahal", "Hermes Trismegistro", "O Plebeu", "Xica da Silva" e muitos outros. O LP foi remasterizado pelo sagaz Titã Charles Gavin. Eu, particularmente, considero "África Brasil" um daqueles CDs lendários, míticos, únicos. Coisa fina!


A música que mais ouvi neste disco
Por curtição, "Ponta de Lança Africano (Umbabarauma) ". Por devoção e rubro-negrismo, "O Camisa 10 da Gávea".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"Ponta de Lança Africano (Um "Umbabarauma) " está na lista do jornal The Guardian e no livro "The Book of Playlists", na categoria "as melhores músicas sobre esportes".
Sempre me arrepio quando ouço "O Camisa 10 da Gávea". Brilhante homenagem ao Galinho. O engraçado é que Jorge tentou fazer o mesmo tributo ao atacante Fio Maravilha, que não entendeu o espírito da coisa e processou Jorge.


Um pedacinho do disco

domingo, 12 de junho de 2011

#258 Zé Ramalho, "20 Anos - Antologia Acústica"

Venhamos e convenhamos, o artista que chega aos 20 anos de carreira com credibilidade não pode ser só mais um rostinho bonito. E o que falta de "buniteza" para Zé Ramalho sobra em talento para ser um dos grandes poetas e intérpretes da música nordestina. Aliás, da música brasileira.

Zé Ramalho recebeu o merecido reconhecimento por sua obra nos anos 1990. "Admirável Gado Novo" entrou na trilha de novela das oito e conquistou o povão, muitos anos depois do seu lançamento original. Foi a brecha para que o bardo nordestino mostrasse que seu trabalho vai muito além da trilha da novela lançada pela Som Livre. Rolou um clima do tipo "ah, então 'Frevo Mulher' é dele?", "ih, 'Eternas Ondas' não era do Fagner?". Eu me incluo neste grupo e me encantei pela música do cara, muito graças a "20 Anos – Antologia Acústica". Aliás, o título "Antologia Acústica" é justíssimo!

Em um álbum duplo que não levou o selo MTV, Zé Ramalho recriou seus maiores sucessos. Lá estão "Avôhai", "Táxi Lunar", "Vila do Sossego", "Chão de Giz", "Beira-Mar" e "Mulher Nova, Bonita e Carinhosa Faz o Homem Gemer sem Sentir Dor". Putz, este título de música é quase uma letra completa.

A música que mais ouvi neste disco
Simplesmente a-do-ro "Chão de Giz", seja na voz do Zé ou da Elba. É uma canção belíssima

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Na época do forró-universitário, Zé Ramalho colocou seus xaxados nas vitrolas do eixo Rio-São Paulo. Conheci uma menina que dizia "ai, passo mal com o Zé cantando 'Vila do Sossego'. Sem noção, cara". Pois é, sem noção.
O encarte do álbum é praticamente uma enciclopédia. Tem as histórias e causos de cada faixa.

Um pedacinho do disco

sexta-feira, 10 de junho de 2011

#256 Skank, "Calango"

Era uma vez, 1994...

"Calango" é um disco que me invade o blogueiro platinado com profunda nostalgia. Ele remete a um tempo de colégio, matinê no cinema, Sessão da Tarde, Cine Petrópolis, Mick's Burger, Copa dos Estados Unidos, invernos gelados na serra, coleção de gibis de super-heróis, vizinhas gostosinhas e outras peripécias de um fase sub-16.

Era também uma época em que o Skank ainda era apenas uma banda simpática que tocava pop com tempero de reggae. "Calango" era um disco leve, divertido e altamente chiclete! "Jackie Tequila" foi a primeira a tocar loucamente. Depois, vieram "Esmola", "Amolação", "Pacato Cidadão" e a linda "Te Ver".

Ah, sejamos sinceros. A banda para marcar seu lugar no universo pop tem que ter uma música romântica. Tim Maia chamava isso de "mela-cueca". Neste quesito, o Skank tinha em "Te Ver" uma melodia agradável e o primeiro verso que dizia tudo: "te ver e não te querer é improvável. É impossível". Qual menina não suspirava ao som desta declaração?

A música que mais ouvi neste disco
"Te Ver" e "Jackie Tequila" em empate técnico.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Nesta época, conheci uma menina ficava soltinha ao som de "Jackie Tequila".
O Skank foi uma das primeiras bandas que vi ao vivo. Eu não tinha o hábito de ir a shows e não sabia muito bem qual era o dress-code. Lembro que fui a uma apresentação da turnê de "Calango" vestindo calça marfim, camisa social e sapatos brilhantes. Parecia que estava indo a uma entrevista de emprego.

Um pedacinho do disco

domingo, 5 de junho de 2011

#251 Novos Baianos, "Novos Baianos F.C."


Como já disse aqui, demorei pacas a descobrir a qualidade musical dos Novos Baianos. Depois de me deliciar com o "Acabou Chorare", fui apresentado ao "Novos Baianos F.C." por um primo durante uma viagem a Brasília em 2008. Nesse ano especificamente eu marquei ponto na capital federal por conta de um relacionamento, que não deu em nada muito sério mas quase me levou à falência.


Em cada uma dessas viagens, era quase obrigatório passar na casa do meu primo pra ouvir música e conversar sobre (ps: é o mesmo primo de quem falei aqui). Enquanto eu sou um cara que costuma chafurdar nos novos lançamentos de bandas de rock, alternativo, britpop e afins, ele é um grande 'pesquisador' de tudo que já foi feito de bom na música brasileira. E como me conhece bem, já sabe o tipo de música do qual costumo gostar. E ao falar desse disco, disparou: "Eu DUVIDO que você não fique viciado nas músicas Só se não for brasileiro nessa hora e Alimente!". Não deu outra: moraram por muito tempo nas minhas playlists do dia a dia.

Além dessas, o resto do disco é todo muito bom, com destaque para "Cosmos e Damião", "Os pingo da chuva" e o clássico de Dorival Caymmi, "O Samba da minha terra"

A música que mais ouvi neste disco
"Os pingo da chuva", apesar do tanto que ouvi as 2 primeiras

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Esse disco todo lembra muito essa época que eu encarei namoro à distância, apesar de todos os conselhos de amigos dizendo que não ia dar certo e eu só perderia tempo e dinheiro. E a música emblemática desses namoricos no cerrado foi "Os pingo da chuva", apesar do namoro ter acontecido mais durante o tempo da seca (inverno). Além dessa, tem umas músicas do Moby que lembram muito esse tempo, mas isso fica pra outro post :D

Um pedacinho do disco:


sexta-feira, 3 de junho de 2011

#249 Lulu Santos, "Acústico MTV"


Antes de falar desse disco, um pequeno desabafo: pra mim Lulu Santos é um dos grandes desperdícios da música brasileira #prontofalei (ou seja, um cara muito bom musicalmente mas que vulgarizou a própria carreira pra se manter "na moda"). Dito isso, vamos em frente.


Lulu Santos também embarcou no filão dos acústicos da MTV e tenho que confessar: o dele ficou MUITO bom! Dono de um bom repertório nas décadas de 70 a 90, na minha humilde opinião Lulu começou a se perder no final da década de 90 ao querer investir demais no pop e deixar o rock de lado. Felizmente nesse acústico, ele resgata seus grandes sucessos na carreira com o padrão "acústico MTV" de qualidade: bons arranjos e músicos competentes acompanhando.

Pra mim, uma das marcas registradas desse disco duplo é o uso de pout-pourris, com um em cada disco: "Toda forma de Amor / Um certo alguém / O último romântico" no 1º e "Sereia / De repente Califórnia / Como uma onda" no 2º. Além dessas, outras que ouvi bastante nos 2 discos: "A cura", "Apenas mais uma de amor", "Satisfação" e "Tão bem".

A música que mais ouvi neste disco
A deliciosa "Apenas mais uma de amor"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Esses CDs foram a trilha sonora de uma viagem que fiz a Arraial do Cabo em 2000, quando fiz as pazes com o mergulho. Havia ficado 5 anos longe do mar, e aquele fim de semana foi verdadeira bênção na minha vida. Aproveitando, vai uma curiosidade: a música "Sereia" foi escrita por Lulu para o especial infantil "Plunct Plact Zuum" (cantada por Fafá de Belém), mas gostou tanto do resultado que a incorporou em seu próprio repertório.

Um pedacinho do disco:


sábado, 21 de maio de 2011

#236 Rita Lee, "Aqui, Ali, Em Qualquer Lugar"

Algo muito pitoresco aconteceu no início dos anos 2000. Alguns dos medalhões da MPB lançaram discos homenageando seus ídolos. Elba Ramalho gravou um tributo ao Rei do Baião Luiz Gonzaga, Gilberto Gil dedicou um CD ao grande Bob Marley e a vermelhíssima Rita Lee Jones reverenciou os Beatles.

"Aqui, Ali, Em Qualquer Lugar", lançado em 2001, foi um disco muito bem recebido pelo público. Tocou bastante, foi trilha sonora de novela e vendeu razoavelmente bem. Macaca velha, Rita pinçou grandes sucessos do Fab4 e os remodelou com toques de bossa nova. A própria capa mostra essa ponte musical Rio-Londres. As canções alternam letras originais com versões corretinhas e respeitosas em português.

Rita Lee teve lá seu mérito neste CD. Ela pegou um repertório 100% clichê e criou melodias cheias de personalidade sem perder o elo com as músicas originais. "A Hard Day's Night", "All My Loving", "She Loves You" e "Michelle", dentre outras, ficaram estupidamente brasileiras. Palmas para a titia Rita.

A faixa que mais ouvi neste disco
Quebrando a linha João-gilbertiana do disco, Rita transforma "I Want Hold Your Hand" em um xote delicioso, com direito a percussão de palmas e tudo. Eu me amarrei! Em segundo lugar, curti muito "Michelle".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"Aqui, Ali, Em Qualquer Lugar" tem total climão lounge. Ouço esse disco e imagino um sofás coloridos e dry martinis. Sei lá porque, mas penso em dry martinis.
No encarte, finamente impresso com veniz localizado, Rita resgata alguns retratos dos Beatles e confessa as origens da sua admiração. "...de 63 a 70, eu bebi, comi, fumei e respirei Beatles. Viva desenhando a silhueta dos quatro por todos os cantos, mas caprichei legal nos retratos de cada um deles à lápis, sobre os papéis de melhor qualidade que consegui descolar: os que embrulhavam os pães que meu pai comprava todas as manhãs...". Poético, né?
Quando você quiser fazer um climinha com a gatinha, experimenta botar esse disco para rodar. Ele tem a sofisticação e a aura pop ideais para impressionar as tchutchucas mais sensíveis. Vai por mim!


Um pedacinho do disco