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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

#354 Trilha Sonora, "Spawn"

Então tá, hoje em dia os filmes de super-heróis são a salvação da lavoura de uma indústria de cinema cada vez menos criativa. Pois saiba, ó pequeno jedi, que nem sempre foi assim. Houve um tempo em que filmes de heróis tinham baixo orçamento e roteiros horrorosos. Bom, alguns ainda têm roteiros horrorosos, mas poucos são tão bisonhos quanto "Spawn - O Soldado do Inferno".

Resumidamente, o anti-herói Spawn era um assassino profissional que foi traído e morto em ação pelos companheiros. Anos depois, ele acorda sem memória, deformado, com uma roupa esquisita e poderes sobrenaturais. Pancada da cabeça, ele decide se vingar de tudo e de todos, mas logo descobre que é um soldado do inferno, criado pelo capeta em pessoa para liderar as suas tropas e invadir a Terra. O capiroto não vai querer perder o seu investimento e manda suas hordas caçar o recruta fujão. A trama até renderia um filme pesado e dark, mas não é o que acontece. É tudo ruuuuuuim e tosco. Parece um episódio malfeito do Jaspion. A única coisa que se salva é a trilha sonora, que reúne nas faixas uma banda de hard rock e uma de techno. As combinações funcionam e garantem um dos discos mais pesados da minha prateleira. Não chega a ser original, pois "Judgement Day" fez quase a mesma coisa, exceto pela união de rappers e roqueiros.

Enfim, "Spawn" é um filme terrível com uma trilha sonora curiosa. Entre as inusitadas parcerias, estão Metallica & DJ Spooky, Prodigy & Tom Morello, Slayer & Teenage Atari Riot, Korn & Dust Brothers e Marilyn Manson (claro) & Sneaker Pimps, dentre outras porradarias insanas. Esqueça o filme e fique só com o CD.


A música que mais ouvi neste disco
Gosto da batida de "One Man Army", encontro do Prodigy e Tom Morello. Se você quiser explodir a cabeça, ouça "No Remorse", com Slayer e Atari Teenage Riot. É o terror, cumpadi!

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Além da trilha sonora, a capa do CD também salva. Pelo que lembro, foram produzidas versões diferentes. A que mais gostei foi dessa com o Spawn Noel.
O filme foi deplorável, mas Spawn ganhou um desenho animado adulto muito legal. Passava nas noites de domingo, na HBO. Acho que só rolou uma temporada e olhe lá. Definitivamente, o soldado do inferno não se deu bem fora dos quadrinhos.

Um pedacinho do disco

quinta-feira, 30 de junho de 2011

#276 Raimundos, "MTV ao Vivo"

Durante muitos anos, os discos ao vivo foram uma praga! Bastava a banda ou artita ter meia-dúzia de cinco sucessos e, catapimba!, lá vinha um registro de palco com plateia emocionada fazendo "u-hu". Praticamente, sumiu a aura de euforia dos CDs gravados em um show, com imperfeições, emoção e música em estado cru. Babou! Sumiu! Para o bem e para o mal, a MTV contribuiu horrores para uma avalanche de bolachinhas neste estilo. Além dos acústicos, o selo "MTV ao Vivo" enfilerou uma porção de gente boa e outras nem tanto. Em sua melhor fase e com testosterona até o talo, os Raimundos entraram nesta roda e fizeram um dos melhores exemplares desta série.

Sejamos justos, os Raimundos nunca foram um primor de arte e musicalidade, mas ao que se propunham, eles eram soberanos. E qual era a proposta? Rock adolescente, barulhento, visceral, politicamente incorreto, veloz, furioso e grosseiro. Na melhor escola Ramones, do "1,2,3 e vamo nessa", a banda tirava onda. E no palco, os caras eram absolutos. Eu já vi dois shows deles e posso afirmar que "o bagulho é doido".

"Raimundos - MTV ao Vivo" é uma cacetada! Em um disco duplo com mais de 40 músicas (sim, 40), é uma violência de guitarras nervosas, bateria frenética e Rodolfo possuído pelo hardcore. Aliás, é pertinente que eu use o termo "possuído" porque "Raimundos - MTV ao Vivo" foi o último suspiro do vocalista na banda. Pouco tempo depois, o sujeito tornou-se fervoroso cristão protestante. Largou o rock, fãs, letras safadas e a os holofotes da fama. Cada um com a sua escolha. Para mim, ficou a lembrança de pérolas como "Mulher de Fases", "Puteiro em João Pessoa", "Bonita", "Palhas do Coqueiro" e "Me Lambe". Bons tempos!

A música que mais ouvi neste disco
Entre 40 faixas de porrada pura, é difícil ouvir uma em especial. Pela subversão e adolescência, ainda canto junto com "Selim".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
O disco ao vivo do Raimundos vendeu 650 mil cópias. Em tempos de internet, isso é disco para cacete!
Só isso!

Um pedacinho do disco

sábado, 4 de junho de 2011

#250 Planet Hemp, "MTV ao Vivo"

Hoje em dia, Marcelo D2 não é mais o pesadelo do pop. O cara faz parte do mainstream, faz shows lotados, é querido pela crítica e pode até sentar no sofá da Hebe. Porém, no final dos anos 1990, ele e seus comparsas do saudoso Planet Hemp eram "personas non gratas" para as autoridades. Além de shows cancelados, já foram até em cana. Com a bandeira da maconha levantada, era a banda brasileira mais subversiva do seu tempo.

Descobri o Planet Hemp no final do colégio e, obviamente, eles se tornaram figurinhas fáceis em churrascos da molecada que queria brincar de transgressão. Só que a polícia não achou graça da brincadeira e soltou os cachorros em cima dos caras. Cada show era uma batalha judicial e cada aparição na TV era uma nova polêmica. Segundo Frejat (do Barão Vermelho), os músicos do Planet Hemp foram os únicos artistas da nova geração que sentiram na pele o que é viver sob a mão pesada da repressão.

Em 2001, o Planet Hemp lançou o seu "MTV ao Vivo", com os seus maiores sucessos. Foi o último disco da banda e, talvez, o mais furioso. No registro ao vivo, D2 e BNegão estão sem freios. Cada música ficou ainda mais casca-grossa e a palavra "maconha" é repetida tantas vezes que o ouvinte fica chapado só de ouvir o CD. Com vocais acelerados e guitarras pesadas, o disco vai do rap ao hardcore, passando pelo funk metal e pela black music. É para queimar até a última ponta!

A música que mais ouvi neste disco
"Dig Dig Dig (Hempa)" pulando na sala. "Zerovinteum" também merece nota.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Mesmo com o samba da nota só (maconha, maconha, maconha...), o Planet Hemp foi panfletário e político. Com estilo bem similar, acho que eles são a versão nacional do Molotov e do Rage Against the Machine.
Em seu caráter didático, este álbum mostra quase todos os sinônimos para a palavra "maconha": erva, chalaça, beque, ganja, cannabis, baseado, marijuana, mary jane etc.
Comprei "Planet Hemp - MTV ao Vivo" por R$ 1,99 em uma promoção das Lojas Americanas.


Um pedacinho do disco

domingo, 19 de dezembro de 2010

#083 Trilha Sonora, "The Crow"

Durante muito tempo, "O Corvo" foi o meu filme favorito. Em uma época em que longas sobre super-heróis eram raros e/ou ruins, a história de vingança do roqueiro assassinado e renascido das trevas é dark, poética e bem feita. Além disso, o longa virou cult depois que Brandon Lee (o filho do Bruce) morreu acidentalmente durante as filmagens.

Para embalar a sobrenatural busca por vingança de Eric Draven, a trilha sonora oscila entre a escuridão e a fúria. No pacote de bandas convidadas, estão o The Cure (mestres nas músicas melancólicas), Stone Temple Pilots, Helmet, Rage Against the Machine, Pantera, Nine Inch Nails e The Jesus and Mary Chain, dentre outros. A faixa do Pantera ("The Badge"), por exemplo, é uma porradaria só, enquanto que "Milktoast", do Violent Femmes, dá vontade de meter a cabeça no forno ligado.

A faixa que mais ouvi neste disco
Bom, o repertório é demasiado deprê. Não dá para ouvir a mesma música incansavelmente, então há um empate entre "Darkness", do Rage Against the Machine, e "Ghost Rider", do Rollins Band.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Cheguei a comprar um VHS empoeirado na locadora do bairro (em um tempo em que ainda existiam "locadoras do bairro"). Nunca comprei o DVD.
Em sua faixa, o Rollins Band cita outro super-herói vingativo: "Ghost Rider" (vulgo Motoqueiro Fantasma).
O filme teve algumas continuações fraquinhas.
Quando eu era moleque e jogava RPG, este disco ficava tocando ao fundo.

Um pedacinho do disco

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

#051 Raimundos, "Lavô Tá Novo"

Em meados dos anos 1990, o rock80 estava cada vez mais distante da molecada (em todos os sentidos). Barão, Paralamas e Legião continuavam firmes e fortes, mas havia a expectativa por uma novidade, caras novas na cena brasileira. E nessa onda, surgiram Planet Hemp, Pato Fu, O Rappa, Skank, Jota Quest e uma certa banda subversiva que misturava forró com hardcore em letras abarrotadas de palavrões, sexo, drogas e safadezas. Vindos de Brasília, os Raimundos logo se transformaram no terror das mães e caíram no gosto dos espinhentos cabeludos. Inclusive, no meu - e olha que eu nem era cabeludo.

Depois do relativo sucesso do disco de estreia, "Lavô Tá Novo" veio arregaçando! Rodolfo acelerava no repente sobre a cama de barulho criada por Fred, Digão e Canisso. A técnica musical nem era apurada, mas e daí? Os Raimundos queriam fazer a molecada pular e bater cabeça. Eu fui a dois shows da banda e, em ambos, saí encharcado de suor - fora alguns hematomas.

"Lavô Tá Novo" trouxe o sucesso nacional e uma avalanche de porradas, como a clássica "Eu Quero Ver o Oco"
e as frenéticas "Tora Tora" e "Pitando no Kombão". Nas rádios mais liberais, os Raimundos emplacaram "O Pão da Minha Prima" (mesmo com um palavrão cabeludo no final) e a non-sense "I Saw You Saying".

A faixa que mais ouvi neste disco
Na humilde opinião do blogueiro, "Eu Quero Ver o Oco" foi a música mais divertida do rock nacional dos anos 1990.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
O primeiro show que vi depois de 2000 foi dos Raimundos, no Citibank Hall (ex-Metropolitan, ex-Claro Hall, ex-ATL Hall e futuro ex-Citibank Hall).
Certo sábado, estava vendo Xuxa pela manhã e, de repente, quem aparece no palco: Rodolfo, Digão, Fred e Canisso com sorrisos pimpões. Eles cantaram "I Saw You Saying" e ainda atacaram um cover de "Ilariê". Coisa igual só vi quando os Ratos de Porão pintaram no palco da Mara Maravilha.
Zenilton, sanfoneiro cabra-macho do Nordeste, participa de "Lavô Tá Novo" em várias faixas. A curiosa "Tá Querendo Desquitar (Ela Tá Dando)" é de sua autoria.
Quando a banda estava no auge e era a maior do Brasil, Rodolfo se converteu ao protestantismo e saiu da banda para formar o Rodox. Pouco depois, pirou o cabeção e largou tudo para seguir carreira no gospel. Os Raimundos nunca mais se acertaram.
Rubro-negro fanático, Rodolfo gravou o clipe de "Puteiro em João Pessoa" com a camisa do Mengão! Não é desse disco, mas vale o comentário.

Um pedacinho do disco