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sábado, 23 de julho de 2011

#299 UB40, "Promises and lies"


Nunca fui um grande fã de reggae, mas curto ouvir algumas músicas em determinadas ocasiões. Costumo dizer que é um estilo de música sazonal: bom pra ouvir no calor do verão, de preferência curtindo uma preguiça à beira da praia. Dentro do estilo, tenho cá minhas preferências: alguma coisa mais roots (Bob Marley era um gênio!) e algumas variações do tema - inclusive as nacionais.


De tudo que se fez lá fora de uns 20 anos pra cá, o UB40 está entre os melhores na minha opinião. Já curtia uma música deles ("Red wine") antes mesmo de saber quem tocava, pois só fui dar conta da existência da banda quando lançaram o cover "(I can't help) Falling in love with you", originalmente gravada por Elvis Presley. Fazia parte da trilha sonora do filme "Invasão de privacidade" (Sliver), que eu vi no finado cinema Bruni Copacabana, que depois virou a gigantesca loja da Modern Sound, que recentemente fechou as portas :(. Na época preferi comprar o CD dos caras do que a trilha do filme, pois não tinha nenhuma outra música que valesse a pena.

Não à toa, o "Promises and lies" foi o CD de maior vendagem da banda (um total de 9 milhões de cópias no mundo todo). O disco é EXCELENTE! Apesar de gostar bastante da cover do Elvis e de "Bring me your cup", eu costumava ouvir o CD inteiro. De preferência numa fita cassete, pedalando pela orla de Ipanema. Bons tempos...

A música que mais ouvi neste disco
"Higher ground"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Nessa época, eu tinha um caso com uma menina fissurada em reggae. Embora ela preferisse os roots (fui inclusive ver um show do Maxi Priest e do Steel Pulse com ela), bastava ouvir as primeiras notas de "Bring me your cup" pra me lembrar dela.

Um pedacinho do disco:

quinta-feira, 21 de julho de 2011

#297 Skank, "Siderado"


Quando lançou esse disco, o Skank não era mais nenhum debutante. Com carreira consolidada no cenário musical brasileiro, a banda chegou com esse quarto trabalho cheia de moral. Depois do álbum independente de estréia (do qual eu falo um dia se o Surfista não falar), os mineirinhos do Skank fizeram dois grandes discos ("Calango" e "O Samba Poconé") e arrebentaram nas paradas brasileiras mesclando pop com reggae.


Hoje em dia eu acho estranho dizer que o Skank é uma banda de reggae, ou que foi um dia. À medida em que foram fazendo sucesso, o som dos caras foi deixando de lado o jeitão roots e adotando um estilo mais pop. Não foram desbravadores, claro: Paralamas e Cidade Negra passaram por esse caminho. Nesse caso, acho que o caminho do Skank é mais parecido com o do Paralamas: rumo ao pop inglês com influência latina, leia-se The Police e UB40. Nesse disco aqui, já se começa a perceber essa transição, que fica evidente nos discos que vieram depois (especialmente no "Cosmotron")

"Siderado" é bem gostoso de ouvir, e nota-se que foi um trabalho inspirado e cuidadoso. A maior parte das músicas é de autoria de Samuel Rosa e Chico Amaral, salvo algumas parcerias, como a com Marcelo Yuka (ex-O Rappa) em "Do Ben" - que fala de Jorge Ben. Vendeu bem pacas (750mil cópias) e teve 3 músicas tocando bastante nas paradas: "Siderado", "Resposta" e "Mandrake e os cubanos". Outra muito boa é "Saideira"

A música que mais ouvi neste disco
"Mandrake e os cubanos", a mais caribenha do disco na minha opinião, e uma das mais divertidas do grupo

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Esse disco foi todo gravado no lendário Abbey Road Studios, usado pelos Beatles.

Um pedacinho do disco:

quinta-feira, 16 de junho de 2011

#262 Natiruts, "Natiruts"

Nunca fui um graaaaaande fã ou entendedor do reggae. Bob Marley vai além do reggae. É como Pelé, Zico, Maradona ou Obina, isto é, um nível acima do que pressupõe a nossa vã filosofia. Saindo das divindades e entrando no gurpo dos mortais comuns, até me arrisquei a ouvir Peter Tosh, UB40, Black Uhuru e Steel Pulso, mas sem grandes emoções. Entre sons tupiniquins, o Cidade Negra e O Rappa têm seus méritos, mas não os vejo como representantes absolutos do reggae. Quase sem querer, descobri uma banda nacional que fazia um sonzinho honesto e roots: o Nativus.

Aliás, o nome "Nativus" durou pouco. Mal fizeram algum sucesso e apareceu uma banda do sul que clamou o nome. Assim como o J. Quest virou Jota Quest, o Nativus mudou para Natiruts e vida que segue. Bom, o tal disco era forte na influência jamaicana e com grande apelo para a molecada. No clime "baseado-pós-praia", o CD tinha qualidade e canções agradáveis. Em pouco tempo, "Liberdade pra dentro da cabeça" estava tocando em todo canto. A galera do Posto 9 curtiu.

A música que mais ouvi neste disco
Ouvi muito "Som de Bob", que ganhou uma versão forró igualmente divertida.

Presepada musical ou uma pequena curiosidadeO bonequinho jogando futebol na capa do disco não é por acaso. Além da música, a banda se amarra no bom e velho esporte bretão. Já joguei bola com um dos membros do Natiruts, por sinal.

Um pedacinho do disco

sexta-feira, 10 de junho de 2011

#256 Skank, "Calango"

Era uma vez, 1994...

"Calango" é um disco que me invade o blogueiro platinado com profunda nostalgia. Ele remete a um tempo de colégio, matinê no cinema, Sessão da Tarde, Cine Petrópolis, Mick's Burger, Copa dos Estados Unidos, invernos gelados na serra, coleção de gibis de super-heróis, vizinhas gostosinhas e outras peripécias de um fase sub-16.

Era também uma época em que o Skank ainda era apenas uma banda simpática que tocava pop com tempero de reggae. "Calango" era um disco leve, divertido e altamente chiclete! "Jackie Tequila" foi a primeira a tocar loucamente. Depois, vieram "Esmola", "Amolação", "Pacato Cidadão" e a linda "Te Ver".

Ah, sejamos sinceros. A banda para marcar seu lugar no universo pop tem que ter uma música romântica. Tim Maia chamava isso de "mela-cueca". Neste quesito, o Skank tinha em "Te Ver" uma melodia agradável e o primeiro verso que dizia tudo: "te ver e não te querer é improvável. É impossível". Qual menina não suspirava ao som desta declaração?

A música que mais ouvi neste disco
"Te Ver" e "Jackie Tequila" em empate técnico.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Nesta época, conheci uma menina ficava soltinha ao som de "Jackie Tequila".
O Skank foi uma das primeiras bandas que vi ao vivo. Eu não tinha o hábito de ir a shows e não sabia muito bem qual era o dress-code. Lembro que fui a uma apresentação da turnê de "Calango" vestindo calça marfim, camisa social e sapatos brilhantes. Parecia que estava indo a uma entrevista de emprego.

Um pedacinho do disco

segunda-feira, 23 de maio de 2011

#238 O Rappa, "Lado B Lado A"

Se em "Rappa Mundi", os cariocas dO Rappa conquistaram o seu merecido lugar ao sol, "Lado B Lado A" os colocou em um nível acima do mero pop. A banda não se acomodou com suas contas bancárias recheadas. Sem tomar apenas um partido como os brothers do Planet hemp, os músicos Falcão, Yuka, Lobato, Xandão , Lauro e Negralha se tornaram as vozes de sei-lá-quantos pretos pobres que já sofreram na mãe de policiais corruptos ou da sociedade. Na voz rasgada de Falcão, a poesia ácida de Yuka invadia festinhas da playboyzada com histórias do Engenho Novo e das favelas. Cristo e Oxalá se encontram na mesma procissão sonora e ficam numa boa. É rock panfletário e eficiente, mesmo sem a testosterona do Rage Against the Machine. Cara, adoro este disco!

Acho que O Rappa popularizou o subúrbio sem a ferocidade intolerante dos Racionais MCs ou a saliência dos funkeiros. Cérebro da banda, Marcelo Yuka concebia pequenas óperas roqueiras no melhor estilo Legião Urbana. Ele fez a banda ser ouvida e levada a sério. Saca esses versos:

"Faltou luz, mas era dia
O sol invadiu a sala
Fez da TV um espelho
Escondendo o que a gente não via"

Na épica "Minha Alma", a mesma pegada poética e urbana:

"As grades do condomínio são para trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que está nessa prisão"

Sabe, acho que O Rappa é tão fiel às suas origens pobres, às suas fontes humildes, que as canções ganham autenticidade espontânea.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Minha Alma", que continua armada e apontada para a cara do sossego.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
O Rappa é a única banda nacional que acompanho. Sempre paro para ouvir seu novo trabalho e sempre ouço algo bacana. A banda superou a saída de Yuka, se reconstruiu e fez o que aprendeu desde que eram moleques da periferia: sobreviveram.
Ganhei "Lado B Lado A" quando completei 20 anos. Foi um presente de um amigo que sumiu. Perdi totalmente o contato com ele.
"Minha Alma" é o melhor clipe de rock nacional de todos os tempos. Tem fotografia, edição, roteiro... tudo perfeito! Você lembra de outro clipe casca-grossa? Eu lembro de "Diário de um Detento", dos Racionais, mas acho que não é tão maneiro.
Oito em dez amigas minhas perdem a linha e a compostura com o Falcão. Fenômeno!

Um pedacinho do disco

sexta-feira, 15 de abril de 2011

#200 Bob Marley, "Legend"

Eis as 365 rotações chegam à sua 200ª edição...

Neste dia especial, escolhi um CD que está no inconsciente coletivo e que faz parte da minha e da sua história. "Legend", do cabuloso Bob Marley, é um desses discos que deu um bico nas fronteiras musicais e foi ouvido por estudantes, roqueiros, maconheiros, hippies, playboys, patricinhas, velhos, crianças, pagodeiros e por aí vai. "Legend" faz jus ao título e é realmente legendário.

Bom, o álbum, lançado na primeira metade dos anos 1990, é uma coletânea com as canções mais populares de Bob Marley. Entre as 14 memoráveis faixas, você pode se deliciar com "No Woman No Cry", "Is This Love", "Redemption Song", "Three Little Birds", "One Love", "Buffalo Soldier", "Could You Be Loved", "I Shot the Sheriff", "Waiting in Vain", "Stir it Up", "Satisfy my Soul", "Get Up Stand Up", "Exodus" e "Jamming". Ufa! Fiz questão de copiar todas as faixas para você ter a noção que o repertório de "Legend" é a versão fonográfica da seleção brasileira de 1970. Só craque!

"Legend" surgiu na minha biografia no verão de 1993, se não me engano. Foi presente do meu irmão. Um dos poucos discos que meu irmão me deu em toda vida. Enfim, ouvi este CD até incomodar. Bob Marley se adequou a vários momentos especiais. Ele me acompanhou no 2º grau, animou festinhas da faculdade, embalou viagens para Cabo Frio e Búzios, me acalmou em engarrafamentos na Lagoa-Barra e sei que estará presente em muitos outros capítulos. É um clássico na mais plena concepção da palavra.

A faixa que mais ouvi neste disco
Cante comigo, "don't worry, about the thing. 'Cause every little thing is gonna be alright". O otimismo e a felicidade de "Three Little Birds" é de arrepiar.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Passei o verão de 1997 em Cabo Frio. Naquela época, não tinha iPod, então só nos restavam quatro ou cinco discos, entre eles "Legend", é claro. Conseguimos capturar algumas vizinhas para o apartamento e tacamos o Bob na vitrola. Lá pelas tantas, uma das mineiras ouviu e soltou essa: "ih, Bob Marley. Vocês tem um beque aí?". Eu mereço.

Um pedacinho do disco

terça-feira, 12 de abril de 2011

#197 Cidade Negra, "O Erê"


Chega o ano de 1996, e o Cidade Negra já era uma realidade no pop nacional. Depois de 2 discos fazendo um reggae mais roots, lançaram o "Sobre todas as coisas" (do qual falamos aqui) e arrebentam a boca do balão (sorry, gíria antiga mas pertinente :D). E aí muitos pensaram: E AGORA? Por isso, "O Erê" foi um disco muito aguardado. E foi um daqueles que eu estava ansioso para ter e ouvir, e fatalmente não esperaria de 3 a 6 meses pra comprar mais barato.

Dito e feito: comprei assim que saiu nas lojas (acho que nem esperei Amigo Oculto ou coisa parecida) e corri pra ouvir. De primeira, estranhei. De segunda, também. Aí parei pra pensar: será que eu queria um clone do disco anterior? Acho que esse é o erro de muita gente quando compra o segundo disco de uma banda quando o de estréia é arrebatador. E muita banda faz sempre o mesmo disco todo ano, vende pacas, mas acaba ficando estagnada. E foi quando me dei conta disso que comecei a curtir de verdade "O Erê".

O disco ao meu ver tem umas músicas mais tranquilas (embora o outro não seja lá agitado). É como se o outro fosse a trilha sonora da praia, e esse a do descanso pós praia. Além de algumas composições que são bem a cara do Cidade Negra (como "SOS Brasil", "Jah vai providenciar" e a faixa título), destaco também o ótimo cover de uma antiga do Jorge Ben ("Negro é lindo")

A faixa que mais ouvi neste disco
Apesar de eu adorar "O Erê", sem dúvida foi "Jah vai providenciar"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
A música "Jah vai providenciar" virou pra mim um verdadeiro mantra para os momentos difíceis e/ou de tristeza. Seja por causa de um pé na bunda, de um nó cego no trabalho ou da grana ficando curta no fim do mês, escuto essa música e respiro fundo. Principalmente esses versos:


"...Pessoa, não duvide que na vida tudo pode acontecer E o sol pode estar quente, de repente, trovejar e até chover Mas chuva lava a alma, tenha calma, vai acontecer Saiba esperar, não se negue a crer..."

Um pedacinho do disco:

sábado, 12 de março de 2011

#166 Easy Star All-Stars, "Radiodread"


Como eu já disse aqui, "Ok Computer" é um disco fodaço, mas bem deprê (que eu usaria o eufemismo "denso" pra descrever, dependendo do interlocutor). Mas pra alguns, é perfeito pra fazer um trabalho bem alegre e suingado. Quem são esses alguns? Os músicos do Easy Star All-Stars, um grupo de músicos de reggae e ska com formação "flexível". Fundado pelos músicos Michael Goldwasser, Eric Smith, Lem Oppenheimer e Remy Gerstein, que são co-fundadores do selo novaiorquino Easy Star Records, especializado em ritmos caribenhos.

Uma das empreitadas deles foi refazer o álbum "Ok Computer" do Radiohead com levadas reggae e ska, música a música, com algumas pequenas alterações. Por exemplo, na música "Paranoid android", trocaram o verso God loves his children por Jah loves his children, pra ficar mais no espírito do reggae. Pra manter esse trocadilho constante com o ritmo jamaicano, o disco foi lançado com o nome "Radiodread". O resultado ficou excelente, rendendo elogios até mesmo de Thom Yorke, líder do Radiohead.


A faixa que mais ouvi neste disco
"Let down"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Aí alguém pode perguntar: cara, como é que você descobre essas coisas? Esse caso aqui foi uma grande sorte. Eu estava hospedado com meu primo num hostel em Punta del Este que é muito procurado por surfistas (eles inclusive alugam pranchas), e o disco estava tocando numa das tardes que passei lá. Daí a chegar no trabalho dos caras, agradeço a São Google!

Um pedacinho do disco:


quarta-feira, 9 de março de 2011

#163 Olodum, "O Movimento"

Houve um tempo em que as bandas baianas eram um privilégio local e o carnaval baiano não era o negócio milionário que é hoje em dia. Nos anos 1980 e comecinho dos 1990, o Olodum, Timbalada e a Reflexu's eram algumas das poucas bandas que fugiam à regra e chegavam ao eixo Rio-São Paulo. Antes mesmo de aterrissar em praias cariocas ou nas avenidas paulistas, eu já conhecia os tambores do Olodum. Pô, eu passei uma parte da infância em Aracaju e estava sempre nas areias de Salvador.

Quando era moleque, visitei alguns tios de Salvador e fomos jantar no Pelourinho, área histórica da capital soteropolitana. Coincidentemente (ou não), era dia de ensaio do Olodum. Olha, fiquei deslumbrado com aquela parede de percussão. Eram dúzias de músicos e o som criava uma energia incrível. Era algo muito rústico, muito "raiz". A música era meio tribal, com samba-reggaes contagiantes e letras com temáticas africanas. Fiquei deslumbrado, arrepiado, chocado, bolado etc. Indescritível.

Em 1993, já morando em Petrópolis, percebi que o Olodum ficou pop e virou moda no Sudeste. "Requebra" (precursor do "É o Tchan") era a trilha-sonora do verão. Comprei "O Movimento" na finada Alvilar (quem é de Petrópolis conhece). Ouvi e reouvi, mas não me emocionei. Claro que o efeito ao vivo é sempre mais arrebatador, mas mesmo assim fiquei desapontado. Não senti a autenticidade de antes. Ouvi um disco do Reflexu's e achei mais convincente. Tenho dúvida se fiquei mais exigente ou se o disco não transmite o real poder do Olodum.

Nunca mais vi o Olodum tocar em Salvador. Gostaria de voltar à Boa Terra em um período off-Carnaval e conferir um ensaio da banda no Pelourinho. Quero voltar e descobrir se eu ainda me deslumbraria com o som dos caras.

A faixa que mais ouvi neste disco
Acho o disco meio chato. Na época, a música que mais tocou foi "Requebra". Deve ter sido essa. Ah, "Rosa" é bonitinhazinha, mas nada de mais.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Michael Jackson e Paul Simon já se encantaram pelo som do Olodum e gravaram com eles.

Um pedacinho do disco

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

#151 Manu Chao, "Clandestino"

Em 2000, caí de pára-quedas no Free Jazz Festival (atual Tim Festival). Por influência do amigão Vulgo Dudu (do Cinéfilo, Eu?), topei ir. A noite começou com uma apresentação morna de Moreno Veloso (filho do Caetano, diga-se de passagem), mas pouca gente se importava. O público estava ansioso pelo francês Jose-Manuel Thomas Arthur Chao, ou apenas Manu Chao. Confesso que eu conhecia tanto dele quanto de música romena.

Meu amigo, que show sensacional! Sem estilo definido, Manu Chao faz um som próprio. Seu vocal é exótico (para não dizer esquisito) e a sua banda é afiadíssima. O conjunto da obra garante presença de palco, energia e climão de festa mesmo. Na semana seguinte, fui a um outro show do cara na Fundição Progresso e comprei o CD "Clandestino", primeiro trabalho solo dele. Antes, Manu era integrante da banda Mano Negra.

Mais suave e melódico que o show, "Clandestino" é pop universal. Tem pitadas de reggae, salsa e muito mais. Cada ouvinte pode achar estilos diferentes e essa é a graça. No repertório , tem "Welcome to Tijuana", "Minha Galera" (em português), "Clandestino" e a ótima "Desaparecido".

A música que eu mais ouvi deste disco
"Desaparecido" é bem divertida.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Manu Chao foi o único artista que me levou a dois shows em um intervalo de 7 dias. Nunca mais fiz isso.
O fundo sonoro de "Desaparecido" é um jogo entre Flamengo e Vasco, decisão da Taça Guanabara de 1996.

Um pedacinho do disco:

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

#129 Paralamas do Sucesso, "Nove Luas"

Antes de falar deste disco, preciso fazer uma confissão: nunca fui o cara de "ter uma música com alguém". Explico, em meus relacionamentos, nunca tive "uma música" com esta ou aquela menina. Acho até bonito casais que se identificam com uma canção em particular, mas não é o meu caso. Bom, como toda regra tem exceção, houve apenas um caso...

Antes de entrar para a faculdade, conheci uma mocinha que foi muito especial. Éramos novinhos e tínhamos milhões de planos. Ela queria fazer medicina, eu queria fazer comunicação social. Queríamos ganhar o mundo e brindar a isso. A gente teve um caso forte, mas não chegou a ser namoro, mas o destino aprontou das suas e acabamos nos distanciando. Eu passei para a PUC e ela não conseguiu uma vaga para medicina, mas seguiu uma breve carreira de modelo. A gente continuou se vendo, mas os intervalos foram aumentando. Só que uma música sempre fazia trilha para os nossos encontros: a linda "La Bella Luna", faixa do disco "Nove Luas". Os versos de Herbert Vianna transmitiam muito da nossa angústia, da nossa saudade.

"A noite passada
Você veio me ver
A noite passada
Eu sonhei com você

Ó lua de cosmo
No céu estampada
Permita que eu possa adormecer
Quem sabe, de novo nessa madrugada
Ela resolva aparecer"

O desfecho? Bom, ela acabou conhecendo outro cara e engravidou dele. Eu segui a vida e estive com ela só mais uma vez. Foi um aperto no coração.

Ah, o disco? Bom CD dos Paralamas. Tem "Lourinha Bombril", "De Música Ligeira" e a bonita "Busca Vida". Álbum legal.


A faixa que mais ouvi neste disco
E precisa responder? "La Bella Luna".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Depois deste causo todo, ainda precisa mais?
Ah, "La Bella Luna" é bonita e o clipe é muito bacana. Todo gravado em um take só.
No minuto 2:57, a moça do clipe vai estender roupas no varal. Adivinha que Manto Sagrado está lá? Grande Herbert!

Um pedacinho do disco

domingo, 30 de janeiro de 2011

#125 Gilberto Gil, "Kaya N'Gan Daya"

"Na gandaia caia já! Nem que a chuva caia"

Desculpe a "pelação-de-saco", mas considero o Gilberto Gil um monumento cultural brasileiro. O baiano é referência para uma cacetada de artistas contemporâneos e será para tantos outros que ainda vão surgir. Pois bem, se ele inspira tanta gente, quem o inspirou? Segundo releases e livros, o menino Gilberto Passos Gil Moreira descobriu os encantos da música por intervenção divina de João Gilberto e Luiz Gonzaga. Posteriormente, descobriu novos ares com Bob Marley (durante o exílio em Londres). Dito isso, você deve imaginar o cuidado e carinho que ele teve para gravar "Kaya N'Gan Daya", um tributo ao Rei do Reggae.

Modéstia a parte, eu tive a honra de acompanhar de perto a produção deste disco. Na época, eu trabalhava na produtora do Gil e era testemunha do zunzunzun envolvendo viagem para Jamaica, conversas com a viúva Rita Marley (e as I-Three) ajustes com o finado produtor Tom Capone, escolha do repertório e exaustivos ensaios com a banda. Ficava clara para mim a importância daquele CD para ele.

Em 2002, "Kaya N'Gan Daya" foi lançado em um fim de semana de shows lotados no Canecão, Rio de Janeiro. O disco já era delicioso no título, em que Gil resgatou uma gíria quase em desuso: "gandaia". Além de repetir a sua versão para "No Woman No Cry", o repertório inclui os clássicos "Kaya", "Buffalo Soldier", "One Drop", "Positive Vibration", "Three Little Birds" e "Them Belly Full". Algumas canções ainda tinham direito a pedacinhos cantados em português, como "Time Will Tell" ("Tempo Só") e "Lively Up Yourself", que virou "Eleve-se Alto ao Céu".

Sabe, acho que "Kaya N'Gan Daya" soa tão bonitinho, tão reverente. É um gênio prestando uma homenagem a outro gênio. Não poderia dar errado.

A faixa que mais ouvi neste disco
Tudo! Ok, ok... as versões gilbertogilianas para "Three Little Birds" e "Kaya" são adoráveis.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
No show de estreia de "Kaya N'Gan Daya", um tumulto se percebeu perto do palco. Abriu-se um clarão. Os malucos-belezas que estavam de longe reclamaram: "pô, show de Gilberto Gil cantando Bob Marley e vagabundo ainda quer brigar? Nada a ver, aí!". Nem era briga. Era um rato que invadia a pista.

Um pedacinho do disco

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

#114 Skank, "O samba poconé"

Meu amigo Surfista conceituou muito bem no post do dia 12/01 a banda: como bons mineiros, conquistaram seu espaço entre os tops da música nacional sem fazer muito alarde. Lembro de ter ouvido falar da banda nos posts da extinta versão brasileira da FIDO Net (rede de mensagens entre BBSs, no período pré-internet da comunidade nerd brasileira), onde a mineirada já idolatrava a banda. Naquela época, um grupo independente que tocava basicamente reggae. Bancaram o primeiro CD do próprio bolso, fizeram muito sucesso, e o resto é história.

Samba poconé é o terceiro trabalho do grupo. Graças ao sucesso de "Jackie Tequila", "Te Ver" e do cover de "É proibido fumar", esse disco foi muito aguardado por fãs e pela mídia especializada. Lembro de ter comprado na semana que lançou, pelo preço cheio. Fazia isso com poucos artistas, a maioria eu esperava dar uns 3 meses pra comprar um pouco mais barato. Cumpri o ritual de ouvir o CD inteiro, acompanhando as letras pelo encarte. Alguns hits grudaram no ouvido logo na primeira audição, enquanto outras eram bem menos inspiradas. Não tem a mesma pegada de "Calango" (o segundo CD), mas tem alguns bons momentos. Rendeu alguns bons clipes ("Garota nacional", "É uma partida de futebol")

A música que mais ouvi neste disco
"Garota nacional", tanto no disco quanto na MTV, e "Tão seu" (excelente)

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
O cantor francês Manu Chao participa de 3 faixas do disco: "Zé Trindade", "Sem Terra" e "Los Pretos". Na minha opinião, um desperdício.

Um pedacinho do disco:

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

#106 Cidade Negra, "Diversão (ao vivo)


O verão carioca de uns anos pra cá voltou a ser a grande estação de boas atrações musicais. Muitas delas estão na grade de programação de algum evento para toda a estação, sempre aos fins de semana em local fixo. É o exemplo do Oi Noites Cariocas, que começou no Morro da Urca mas depois passou para o Pier Mauá. Em 2008, fui com uns amigos num desses, para um show do Cidade Negra, que eu não via desde os saudosos shows gratuitos da praia de Ipanema, relativamente comuns na década de 90.

Há muito não acompanhava o Cidade Negra de perto, então fui meio às cegas, sem saber o mote do show. Estavam lançando o disco "Diversão", uma coletânea de covers de músicas brasileiras de várias épocas ao estilo meio reggae meio pop da banda. Foi um show excelente, não só pela competência da banda mas também pela boa presença de palco de Toni Garrido. Não deu outra, na semana seguinte comprei o CD.

Dentre as homenagens feitas no CD, regravações de Pepeu Gomes, Chico Buarque, Belchior, Legião Urbana, Lulu Santos, entre outros. Todas ao meu ver bem interessantes, e algumas até melhores que a versão original (como por exemplo "Meu coração", de Pepeu Gomes)


A música que mais ouvi neste disco
"Meu coração" (do Pepeu) e "Me liga" (Paralamas)

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"A Palo Seco", originalmente do Belchior, é uma música que eu escuto muito quando quero pensar antes de tomar uma decisão difícil. Foi assim inclusive ao fim de um namoro, no mesmo 2008 que eu comprei esse disco.


Um pedacinho do disco:


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

#071 O Rappa, "Rappa Mundi"

"Rappa Mundi" chegou depois da metade dos anos 1990, mas ouso dizer que foi o melhor disco de rock brasileiro da década. Com as boas letras do Marcelo Yuka, bela musicalidade e o vocal cheio de personalidade do Falcão, O Rappa criou uma pequena obra-prima. Das 13 faixas do disco, pelo menos 8 se tornaram clássicas. Duvida? Então lembra de "Pescador de Ilusões", a versão da hendrixiana "Hey Joe", "Ilê Ayê", "Miséria S.A." e 'Eu Quero Ver Gol", sem citar outras igualmente poderosas.

Mesmo com sotaque e temáticas cariocas, O Rappa ganhou o Brasil com letras urbanas, com cunho social e cotidiano. Tem músicas sobre feiras, domingo no estádio, vendedores de balas nos ônibus, violência e moleques que se perdem no tráfico. O Rappa falou sobre o dia a dia no subúrbio do Rio e conquistou a playboyzada da Zona Sul. A grosso modo, acho que eles deram o mesmo recado dos Racionais MC's sem fazer cara feia.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Pescador de Ilusões".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Tive uma namorada que cantava "Pescador de Ilusões" sempre que havia uma roda de violão.
Ao operar o joelho, saí do hospital cantando "se meus joelhos não doessem mais..."
Na PUC, eu estudei comunicação com o Marcelo Camelo, na época em que ele ainda não usava barba. Certo dia, conversávamos nos pilotis da Pontifícia e disse que iria dar um pulinho na Gramophone do Shopping da Gávea para comprar um CD. Ele disse "pode comprar qualquer um, contanto que seja do Rappa". Comprei um do Wallflowers.
"Rappa Mundi" é um dos discos mais fáceis de achar nas prateleiras das Lojas Americanas. Faz sucesso até hoje.

Um pedacinho do disco:


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

#023 Ivete Sangalo, "MTV Ao Vivo"

Ah, aposto que você não imaginava que eu tenho um disco de axé na minha estante, né? Pois este é um dos títulos surpreendentes que ainda vão aparecer por aqui. Pois bem, se é para ter um disco com música tira-o-pé-do-chão, que seja logo da diva maior, com repertório de hits e gravado na Meca do ritmo: Ivete Sangalo, ao vivo em Salvador. Mais na vibe, só o CD viesse com um abadá.

Ganhei "MTV Ao Vivo" por conta de um trabalho de divulgação que fiz para a Universal Music em 2004. Mesmo sendo pouco fã do estilo feliz até o talo, confesso que acho este disco bem divertido, bem carnavalesco. Indiscutivelmente, Ivete canta bem e interpreta as músicas com muita propriedade. Seja nos sucessos do carnaval "Sorte Grande", "Festa", nos samba-reggaes "Vem Meu Amor" e "Nossa Gente (Avisa Lá)" ou flertando com a MPB em "Se Eu não te Amasse Tanto Assim" e "A Lua Q Eu te Dei", o repertório funciona direitinho.

Eu vou enfiar uva no céu na sua boca. E aí, chupa toda. Eu disse toda. Chupa toda...

A faixa que mais ouvi neste disco
"Céu da Boca" era um música que ouvi muito quando era pequeno e morava no Nordeste. Revê-la na voz da Ivete e com o Gilberto Gil foi um surpresa bem maneira. Aliás, Gilzão se esbalda nesta canção.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Sempre que faço um churrasco e preciso de um som para fazer trilha sonora de gente feliz, eu taco esse disquinho da vitrola. Funciona e muita gente ainda acha que é o álbum gravado no Maracanã.
Falando em Maracanã, "Sorte Grande" virou hino da torcida do Flamengo. Ainda hoje, quando a nação comemora gol, ecoa o refrão "poeeeeeeeeeeeeira! Poeeeeeeeeeeeira" Levantou poeeeeeeeeeeira". Ah, que me perdoem os amigos roqueiros e puristas, mas não tem como não gostar nem que seja um pouquinho deste CD.
Sempre muito envolvida com os seus trabalhos, o encarte tem um tipo de diário onde Ivete relata como foi a gravação. Entre agradecimentos, ainda rasga uma seda para o Davi Moraes, que era o primeiro-damo da moça na época.

Um pedacinho do disco: