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quinta-feira, 10 de março de 2011

#164 Buena Vista Social Club (trilha sonora original)

Queria falar desse disco, mas eu jurava que o Surfista já o tinha feito nos primeiros dias de vida deste blog. Fui lá por acaso, vi que se tratava de outro disco (inspirado nesse aqui), e aí me animei a escrever sobre ele.


Convenhamos, um SENHOR disco! Boa música, pra quem realmente a aprecia, independente do estilo musical. E foi sabendo que em Cuba se faz ótima música sem o devido crédito que Ry Cooder, guitarrista americano radicado no blues, fez extenso trabalho viajando pela ilha de Fidel no intuito de reencontrar os grandes músicos cubanos das décadas de 40 e 50, muitos deles desconhecidos fora de Cuba. O disco vendeu pacas mundo afora, e trouxe de volta ao estrelato grandes artistas cubanos como Ibrahim Ferrer, Célia Cruz, Compay Segundo, entre outros. O trabalho rendeu também um documentário produzido por Cooder que passou inclusive nos cinemas off'-circuitão.

Escuto o disco inteiro de tempos em tempos. É uma das minhas trilhas prediletas para relaxar ou ler livros em tardes descompromissadas.

A faixa que mais ouvi neste disco
A ótima "Amor de loca juventud"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Uma coisa que sempre me passou pela cabeça: bem que o Ry Cooder podia fazer algo parecido com os sambistas clássicos aqui do Rio, pegando gente da Portela, Mangueira, Império Serrano, etc.

Um pedacinho do disco:



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

#154 Orishas, "Emigrante"

Não sou adepto do rap. Acho repetitivo e me falta saco para cantores de boné fazendo caras e poses de gangsta. O que garante um mínimo de atenção são os clipes, nos quais sempre aparece uma ou duas gostosas requebrando. Porém, um trio cubano de rap que cantava em espanhol e usava diversos ingredientes da riquíssima música da ilha de Fidel mereceram um pouco de atenção. Os Orishas (pronuncia-se "oríxas" e não "orixás") diminuiram a minha implicância.

"Emigrante", lançado em 2002, parou na minha estante na época em que eu trabalhava com música e nunca mais saiu. O som dos caras é muito bom. No repertório, o ritmo e poesia deita sobre melodias cubanas e ótimos instrumentais que beberam na fonte do Buena Vista Social Club. É rap em essência, mas diferente , criativo. Os negões do Orishas não fazem pose de mau, mas dão os seus recados com qualidade.

Prepara um mojito, bota "Emigrante" na vitrola e começa a festa.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Que bola?" é ótima! Dançante, sensual e romântica. Show de bola!

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Os Orishas vieram ao Rio na época do lançamento de "Emigrante". Segundo algumas amigas jornalistas e assessoras de imprensa, os caras tinham um fogo dos infernos. Todo rabo de saia que passava perto era alvo de uma gracinha.
Reouvir Orishas me fez dançar pela casa.

Um pedacinho do disco

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

#151 Manu Chao, "Clandestino"

Em 2000, caí de pára-quedas no Free Jazz Festival (atual Tim Festival). Por influência do amigão Vulgo Dudu (do Cinéfilo, Eu?), topei ir. A noite começou com uma apresentação morna de Moreno Veloso (filho do Caetano, diga-se de passagem), mas pouca gente se importava. O público estava ansioso pelo francês Jose-Manuel Thomas Arthur Chao, ou apenas Manu Chao. Confesso que eu conhecia tanto dele quanto de música romena.

Meu amigo, que show sensacional! Sem estilo definido, Manu Chao faz um som próprio. Seu vocal é exótico (para não dizer esquisito) e a sua banda é afiadíssima. O conjunto da obra garante presença de palco, energia e climão de festa mesmo. Na semana seguinte, fui a um outro show do cara na Fundição Progresso e comprei o CD "Clandestino", primeiro trabalho solo dele. Antes, Manu era integrante da banda Mano Negra.

Mais suave e melódico que o show, "Clandestino" é pop universal. Tem pitadas de reggae, salsa e muito mais. Cada ouvinte pode achar estilos diferentes e essa é a graça. No repertório , tem "Welcome to Tijuana", "Minha Galera" (em português), "Clandestino" e a ótima "Desaparecido".

A música que eu mais ouvi deste disco
"Desaparecido" é bem divertida.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Manu Chao foi o único artista que me levou a dois shows em um intervalo de 7 dias. Nunca mais fiz isso.
O fundo sonoro de "Desaparecido" é um jogo entre Flamengo e Vasco, decisão da Taça Guanabara de 1996.

Um pedacinho do disco:

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

#003 Buena Vista Social Club, "Rhythms del Mundo"

Tenho pavor de versões. Quando ouço um cantor anunciar que vai interpretar a sua versão de um sucesso X ou Y, eu sinto calafrios. Quando rola um papo de misturar estilos, então... Deus me livre. Já imagino que uma bomba está a caminho e mais um clássico vai para o brejo. Porém, todavia, entretanto, "Rhythms del Mundo" mudou meus conceitos neste quesito.

Descobri "Rhythms del Mundo" no carnaval de 2008. Acredita nisso? Entre um axé tira-o-pé-do-chão e outro, um amigo sugeriu um sonzinho para relaxar. Fiquei deslumbrado com a versão caribenha de "Clocks", do Coldplay. Logo que voltei ao Rio, procurei saber mais sobre este CD. Para a minha surpresa, numa bela tarde, achei o disquinho perdido em um daqueles baús de tranqueiras do Supermercado Extra. Foram R$9,90 muito bem investidos.

Lançado em 2006, o disco reúne várias canções de gente muito boa em versões cubanas criadas pela galera do Buena Vista Social Club. Aliás, vamos combinar que a música cubana é de uma beleza ímpar e os bons velhinhos do Buena Vista são arrasadores. Eles teriam que se esforçar muito (muito, muito mesmo) para fazer algo ruim. Sendo assim, Coldplay, U2, Maroon 5, Kaiser Chiefs, Dido, Sting, Quincy Jones, Artic Monkeys, Franz Ferdinand, Jack Johnson e Radiohead entram no batuque da terra do Fidel. Da moçada mais conhecida do Club, Ibrahim Ferrer e Omara Portuondo também cantam no álbum.

A faixa que mais ouvi neste disco
Por ter sido a faixa que me apresentou ao disco, ouvi (e ainda ouço muito) "Clocks".

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Este foi o último disco gravado por Ibrahim Ferrer.
Há anos, "Clocks" é o toque do meu celular.
Odeio o rótulo "World Music", porque acho que é uma classificação estadunidense para tudo que está fora da língua inglesa ou dos seus padrões. Naif é o c$@#*&!

Um pedacinho do disco: