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quarta-feira, 20 de abril de 2011

#205 Living Colour, "Time's Up"


Na grande explosão musical que rolou por aqui nos anos 90, em muito favorecida pela chegada da MTV à nossa programação, tomei conhecimento dessa banda novaiorquina por conta do clipe de "Type", música de trabalho deste que é o segundo disco da banda. Esbanjando suingue, o Living Colour trouxe um grande diferencial na cena hard rock: além de fazer uma boa mistura com outros ritmos (funk e jazz, principalmente), seus músicos tocam MUITO! A banda já começa pela iniciativa de Vernon Reid (único inglês do grupo), um monstro na guitarra. Ele, parte da cena jazz do centrão de Nova Iorque, recrutou então vários músicos para a banda na primeira metade dos anos 80, até achar a formação inicial com Corey Glover (vocal), Will Calhoun (batera) e Muzz Skillings (baixo)

Esse segundo disco pra mim tem a cara dos anos 90, tanto por causa dos clipes que fizeram bastante sucesso (em especial "Type", "Elvis is dead" e "Solace of you"), quanto por causa do show antológico que fizeram na edição de 1993 do Hollywood Rock. Eu já tinha o disco nessa época, já curtia o som dos caras, mas fiquei totalmente em êxtase na apresentação deles. No show, Doug Wimbish ocupa o lugar de Muzz no baixo e manda MUITO bem! Wimbish antes tocava com nada mais nada menos que os Rolling Stones, e esbanjou técnica e suingue no palco da Apoteose.

Um discaço de rock, obrigatório na coleção de qualquer um que goste do estilo!

A faixa que mais ouvi neste disco
"Solace of you", ensolarada, alegre, embalada pela ótima guitarra de Reid, e que um dia eu ainda vou verter para a batucada em ritmo de afoxé :D

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Este disco contou com várias participações especialíssimas em sua gravação: Queen Latifah e Little Richards nos vocais, Maceo Parker no sax (solo maneiríssimo de "Elvis is dead", que foi tocado aqui por Léo Gandelman a convite da banda), e Mick Jagger (ele mesmo) nos backing vocals

Um pedacinho do disco:

terça-feira, 19 de abril de 2011

#204 Los Hermanos, "Ventura"

Após o belíssimo "Bloco do Eu Sozinho", os cariocas do Los Hermanos se firmaram na primeira divisão da música brasileira e conquistaram multidões de fãs. Os caras viraram os queridinhos dos descolados, dos cultos, dos universitários e dos frequentadores do circuito Estação (rede de cinemas com filmes alternativos). Com canções elaboradas e letras sofisticadas, o quarteto barbudo abriu mão do popularesco, mas continuou fazendo sucesso. "Ventura" foi mais uma evidência de que Camelo, Amarante, Barba e Bruno Medina não estavam para brincadeira.

Sou muito fã de "Ventura". Seguindo a linha "poesia-cotidiana-simples", Camelo e Amarante continuavam afiadíssimos. Acho "O Vencedor" uma preciosidade, da mesma forma que "Tá Bom" é comovente. "Último Romance" é de uma honestidade cortante, com os versos "até quem me vê / lendo o jornal / na fila do pão / sabe que eu te encontrei". "Cara Estranho", o single de "Ventura, ganhou as rádios e a MTV transmitindo em sua poesia o sentimento de loser que há em cada pessoa. Sem galãs ou marombados, os caras do Los Hermanos se tornaram os porta-vozes de todos os tímidos que escrevem versinhos apaixonados no caderno da escola.

A faixa que mais ouvi neste disco
Canta comigo: "eu que já não quero mais ser um vencedor / levo a vida devagar pra não faltar amor". Sim, "O Vencedor" é de uma "fofice" ímpar.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"Ventura" foi mais um disco que ganhei na época em que trabalhava com música. Por causa dele, eu entrevistei os Los Hermanos. Foi uma conversa especial, pois era um papo com meus antigos amigos de faculdade. Foi um compromisso profissional, mas teve um ar de reencontro e oportunidade para botar o papo em dia. Nunca mais conversei com eles.

Um pedacinho do disco

segunda-feira, 18 de abril de 2011

#203 The Strokes, "Angles"


Olha, vou dar uma pausa nos registros históricos para falar de um disco bem atual. Sim, esse é o disco do The Strokes que foi lançado ESSE ANO (2011). Eu poderia esperar mais algum tempo pra falar dele, mas eu simplesmente não consigo :D

O disco começou a ser gravado ano passado, cerca de 4 anos depois do último disco da banda até então (o ótimo "First impressions of Earth" do qual eu falei aqui). Eu sinceramente nem estava esperando nada, achava de verdade que a banda tinha acabado por conta do quanto a mídia fala do Julian Casablancas em carreira solo. Eu que nem acho ele esse gênio todo (pra mim, ele é o Marcelo Camelo dos states, com todos os ônus e bônus) achei uma pena, e a vida seguiu.

Eis que eu estava há cerca de 1 mês deitado em casa num sábado preguiçoso, trocando de canal. Ao bater na VH1, escuto uma melodia que me prendeu no ato. É sério: deixei a revista que estava lendo na cabeceira e fiquei totalmente hipnotizado assistindo ao clipe e esperando os créditos para ver de quem era. Graças ao maravilhoso mundo da tecnologia, ativei o Sound Hound no meu celular e descobri que se tratava da música "Under cover of darkness", single de trabalho do disco, lançado em fevereiro mundo afora. Foi paixão à primeira audição, tal qual foi "You only live once" em 2006, "Postcards from Italy" (Beirut) em 2009, e por aí vai.

Graças ao mundo maravilhoso da tecnologia [2], baixei o CD inteiro e tenho ouvido repetidamente nas últimas 3 semanas. É MUI-TO BOM ! Acho que a única música fraquinha do disco é "Games", o resto todo vale a pena. Esse é o tipo do disco que eu faço questão de ter!

A faixa que mais ouvi neste disco
No início, "Under cover of darkness", agora to ouvindo bastante também "Taken for a fool"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Vocês acham que deu tempo de acontecer alguma presepada? Então lá vai uma curiosidade: o baterista da banda (Fabrizio Moretti) é carioca e tem um projeto paralelo com Rodrigo Amarante (do Los Hermanos) chamado Little Joy. Pra muita gente isso talvez seja óbvio por causa do hype em torno dos Looser Manos e do Little Joy, eu particularmente não sabia até pouco tempo.

Um pedacinho do disco:

domingo, 17 de abril de 2011

#202 Fagner, "Cartaz"

Quando eu era pequeno, um tio morou com a minha família. Ele era irmão da minha mãe e era garotão de 20 e poucos anos. Enquanto o meu pai trabalhava loucamente, o meu tio participava da minha educação. Ele me botava para estudar, me ensinou a dirigir aos 13 anos, tomava conta de mim na praia, me defendia nas brigas de colégio e me levava para comer pizza ao lado das suas várias namoradas. Dos seis aos dez anos, minha memória afetiva está ligada às presepadas meu tio. Uma das características curiosas do cara é que ele era fã de Raul Seixas e do Fagner. Ele tinha uma fitinha cassete de "Cartaz" que tocava irritantemente.

O cearense Raimundo Fagner é uma figura pitoresca na nossa MPB. Em sua carreira, ele tocou com o Gonzagão, gravou "Borbulhas de Amor", transitou entre o regional e a MPB, gravou um disco com Zeca Baleiro e se notabilizou por vibrar a voz e tremer a cabeça ao cantar os refrões. Entre o brega e o chique, ele escreveu o seu nome na história musical brasileira e muito se deve ao disco "Cartaz", aquele que meu tio tanto ouvia.

No repertório, Fagner gravou canções de compositores nordestinos que acaram se tornando grandes sucessos. Quais? "Revelação", "Fanatismo", "Guerreiro Menino", "Conflito", "Noturno" e "Eternas Ondas", esta última de um tal Zé Ramalho."Jura Secreta", poesia de Abel Silva, foi um dos seus maiores sucessos.

"O aço dos meus olhos / e o fel das minhas palavras / acalmaram o meu silêncio / mas deixaram suas marcas"...

A faixa que mais ouvi neste disco
"Noturno". Ainda faço coro com o Fagner no refrão: "aaaaaaaiiiii, coração alado / desfolhaarei meus olhos / neste escuro véu". Ah, "Jura Secreta" e "Fanatismo" (poesia de Florbela Espanca) são bacanas também.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Hoje em dia, meu tio é um cara bem-sucedido. Ele é casado e pais de três filhos. Na carteira, ele guarda as fotos dos seus pimpolhos, meu irmão e eu, quando éramos crianças.
De todos os artistas ditos bregas, Fagner é o meu favorito disparado! Na verdade, é páreo duro para o Sidney Magal e o Wando.
"Cartaz", a faixa-título, é tão estranha que chega a ser engraçada. Tem uma batida new-wave, com pitadas caribenhas, uma programação de teclados e uma bateria eletrônica muito mulamba.
Momento cultural! "Cartaz" é uma gíria nordestina. "Dar cartaz" é dar moral, encher a bola, valorizar.

Um pedacinho do disco

sábado, 16 de abril de 2011

#201 Alceu Valença, "Ao vivo em todos os sentidos"


Esse foi o primeiro registro em vídeo de um show do Alceu Valença a ser vendido (o DVD, no caso), e o 24º disco da carreira desse músico pernambucano que eu aprendi a gostar (e muito). Gravado num show realizado na Fundição Progresso em 2002, numa época em que eu ainda olhava torto para os grandes artistas da música nordestina. No máximo, curtia alguma coisa do Gilberto Gil e tive aquela fase micareteira que eu posso considerar como 'passeio musical pelo nordeste'.

Em relação ao Alceu, até então ele pra mim era o autor de algumas ótimas músicas (como "Anunciação", que eu vim a conhecer e gostar nesse mesmo 2002). Mas nada que me tirasse de casa pra ver um show. Passaram uns meses, e em 2003 Alceu volta ao Rio (ps: ele mora em Recife mas é figurinha fácil no Leblon. Às vezes acho que ele mora aqui e passeia lá :D), e faz um show para lançamento do CD e do DVD no Canecão.

No dia, eu tinha programado com a então namorada um passeio pela cidade pra aproveitar o dia ensolarado (mais precisamente, uma visita ao Pão de Açúcar, aproveitando a promoção Carioquinha). De noite uma amiga nos chama pra sair e fala do show, e eu meio que vou no embalo das duas. Não poderia ter sido mais oportuno: foi um showzaço! Alceu tocou o CD inteiro seguindo a ordem das músicas e esbanjou presença de palco e simpatia. Saí do Canecão totalmente fã do cara. Pouco tempo depois, comprei o CD e joguei pra dentro do meu MP3 player. De lá pra cá, sempre tem pelo menos 3 músicas desse disco no MP3 player.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Solidão", "Anunciação" e "Tomara", seguindo a sequência

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
"Anunciação" embalou momentos muito marcantes da minha vida desde esse fatídico 2002, e depois que ouvi o banga tocá-la pela primeira vez (e depois vir a tocá-la pela primeira vez num show), entrou para o rol das minhas Top5 of all times

Um pedacinho do disco:

sexta-feira, 15 de abril de 2011

#200 Bob Marley, "Legend"

Eis as 365 rotações chegam à sua 200ª edição...

Neste dia especial, escolhi um CD que está no inconsciente coletivo e que faz parte da minha e da sua história. "Legend", do cabuloso Bob Marley, é um desses discos que deu um bico nas fronteiras musicais e foi ouvido por estudantes, roqueiros, maconheiros, hippies, playboys, patricinhas, velhos, crianças, pagodeiros e por aí vai. "Legend" faz jus ao título e é realmente legendário.

Bom, o álbum, lançado na primeira metade dos anos 1990, é uma coletânea com as canções mais populares de Bob Marley. Entre as 14 memoráveis faixas, você pode se deliciar com "No Woman No Cry", "Is This Love", "Redemption Song", "Three Little Birds", "One Love", "Buffalo Soldier", "Could You Be Loved", "I Shot the Sheriff", "Waiting in Vain", "Stir it Up", "Satisfy my Soul", "Get Up Stand Up", "Exodus" e "Jamming". Ufa! Fiz questão de copiar todas as faixas para você ter a noção que o repertório de "Legend" é a versão fonográfica da seleção brasileira de 1970. Só craque!

"Legend" surgiu na minha biografia no verão de 1993, se não me engano. Foi presente do meu irmão. Um dos poucos discos que meu irmão me deu em toda vida. Enfim, ouvi este CD até incomodar. Bob Marley se adequou a vários momentos especiais. Ele me acompanhou no 2º grau, animou festinhas da faculdade, embalou viagens para Cabo Frio e Búzios, me acalmou em engarrafamentos na Lagoa-Barra e sei que estará presente em muitos outros capítulos. É um clássico na mais plena concepção da palavra.

A faixa que mais ouvi neste disco
Cante comigo, "don't worry, about the thing. 'Cause every little thing is gonna be alright". O otimismo e a felicidade de "Three Little Birds" é de arrepiar.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Passei o verão de 1997 em Cabo Frio. Naquela época, não tinha iPod, então só nos restavam quatro ou cinco discos, entre eles "Legend", é claro. Conseguimos capturar algumas vizinhas para o apartamento e tacamos o Bob na vitrola. Lá pelas tantas, uma das mineiras ouviu e soltou essa: "ih, Bob Marley. Vocês tem um beque aí?". Eu mereço.

Um pedacinho do disco

quinta-feira, 14 de abril de 2011

#199 The Beatles, "The Beatles" (a.k.a. White Album)


Interessante que um dos discos mais cultuados da carreira dos Beatles seja justamente o início da discórdia entre eles. Lançado em 1968, o disco "The Beatles" (popularmente conhecido como "White Album", "Ábum Branco" e outras traduções) foi composto logo após a viagem que Paul, Lennon, Harrison e Starr fizeram à Índia. Na volta, muitas brigas entre os 4, culminando na saída de Starr da banda (ainda que por pouco tempo). Por conta disso, várias músicas contaram com Paul na batera. Por conta desse clima, a maior parte das músicas foram gravadas só com 1 beatle ou só parte da banda.

A primeira música que lembro ter ouvido desse disco foi "The continuing story of Bungalow Bill", que meu irmão ouvia bastante. Ele na época era fissurado nesse disco e tinha muito zelo com os 2 vinis que o compunham. Sendo assim, ficava eu lá ouvindo por tabela "Wild Honey Pie", "Rocky Racoon", "Martha my dear", "Dear Prudence", "Blackbird", entre outras. Esta última mais do que todas, por ser uma das que meu irmão gostava de tocar no violão.

Passaram-se os anos, meu irmão casou e se mudou (levando obviamente o disco com ele), e assim corri atrás da minha cópia, já em CD. Lembro que era MUITO CARO! Mas depois de algum tempo (e uns trocados juntados), comprei o CD duplo pra mim. Brigas à parte, é um disco OBRIGATÓRIO pra quem gosta minimamente de Beatles.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Blackbird" do primeiro disco e "Mother Nature's son" do segundo

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Diz-se por aí que a música "Martha my dear" é uma homenagem de Paul a sua cadela de mesmo nome, da raça Old English Sheepdog. Na verdade, Martha é o nome da musa imaginária (!) do artista, e por conta disso a cadela ganhou este nome.

Um pedacinho do disco:

quarta-feira, 13 de abril de 2011

#198 The Verve, "Urban Hymns"

Não sei explicar direito, mas "Urban Hymns" é absurdamente especial para mim. Pode ser porque marcou a reta final da minha faculdade. Talvez porque "Sonnet" me acompanhou em uma fossa colossal. Outra possibilidade é que "Bitter Sweet Symphony" tocou horrores na época. Ou simplesmente, porque "Urban Hymns" é um discaço.

Lançado em 1997, este trabalho do Verve é um clássico moderno do britpop. Mas acho que devo agradecer imensamente ao Oasis por ter descoberto esta banda. Graças ao sucesso dos Gallaghers, "Urban Hymns" chegou ao Brasil e arrebentou. O clipe de "Bitter Sweet Symphony", dos Beatles, era exibido a cada 15 minutos na MTV e o público queria mais. E deste CD ainda vieram as belas "Lucky Man", "Sonnet" e "Space and Time". Com rock mais sujo e corrosivo, o repertório tem "The Drugs Don't Work" e "The Rolling People". Olha dá para fazer um elogio a cada uma das 13 faixas do álbum. Mas vou poupar você desta rasgação de seda e paro por aqui.

A faixa que mais ouvi neste disco
"Sonnet" é a minha favorita, mas ainda ouço muito "Bitter Sweet Symphony". Você pode até discordar, mas creio fortemente que esta é uma das melhores músicas lançadas nos anos 1990. O tesourinho deste CD.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
The Verve é uma das poucas bandas elogiadas pelos irmãos Gallagher, do Oasis.
"Urban Hymns" é um dos meus cinco discos favoritos.
Até onde sei, o Verve acabou e o esquisitíssimo Ricahrd Ashcroft tentou carreira solo. Nunca mais ouvi falar dele. Deve estar tocando em algum pub de Londres.

Um pedacinho do disco

terça-feira, 12 de abril de 2011

#197 Cidade Negra, "O Erê"


Chega o ano de 1996, e o Cidade Negra já era uma realidade no pop nacional. Depois de 2 discos fazendo um reggae mais roots, lançaram o "Sobre todas as coisas" (do qual falamos aqui) e arrebentam a boca do balão (sorry, gíria antiga mas pertinente :D). E aí muitos pensaram: E AGORA? Por isso, "O Erê" foi um disco muito aguardado. E foi um daqueles que eu estava ansioso para ter e ouvir, e fatalmente não esperaria de 3 a 6 meses pra comprar mais barato.

Dito e feito: comprei assim que saiu nas lojas (acho que nem esperei Amigo Oculto ou coisa parecida) e corri pra ouvir. De primeira, estranhei. De segunda, também. Aí parei pra pensar: será que eu queria um clone do disco anterior? Acho que esse é o erro de muita gente quando compra o segundo disco de uma banda quando o de estréia é arrebatador. E muita banda faz sempre o mesmo disco todo ano, vende pacas, mas acaba ficando estagnada. E foi quando me dei conta disso que comecei a curtir de verdade "O Erê".

O disco ao meu ver tem umas músicas mais tranquilas (embora o outro não seja lá agitado). É como se o outro fosse a trilha sonora da praia, e esse a do descanso pós praia. Além de algumas composições que são bem a cara do Cidade Negra (como "SOS Brasil", "Jah vai providenciar" e a faixa título), destaco também o ótimo cover de uma antiga do Jorge Ben ("Negro é lindo")

A faixa que mais ouvi neste disco
Apesar de eu adorar "O Erê", sem dúvida foi "Jah vai providenciar"

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
A música "Jah vai providenciar" virou pra mim um verdadeiro mantra para os momentos difíceis e/ou de tristeza. Seja por causa de um pé na bunda, de um nó cego no trabalho ou da grana ficando curta no fim do mês, escuto essa música e respiro fundo. Principalmente esses versos:


"...Pessoa, não duvide que na vida tudo pode acontecer E o sol pode estar quente, de repente, trovejar e até chover Mas chuva lava a alma, tenha calma, vai acontecer Saiba esperar, não se negue a crer..."

Um pedacinho do disco:

segunda-feira, 11 de abril de 2011

#196 Teresa Cristina, "A Música de Paulinho da Viola"

Com o advento do pagode-power-ranger (aquele com cinco ou seis caras tocando músicas de corno), me afastei consideravelmente do samba. Aliás, nunca fui um grande seguidor do batuque carioca. Só que sou um fã de carteirinha do Zeca Pagodinho, Martinho da Vila e Paulinho da Viola. Dentre os citados, poucos conseguem ser tão elegantes quanto Paulinho da Viola. Talvez apenas o incomparável mangueirense Cartola, mas é briga de cachorro grande. Dentre a nova geração da MPB, a talentosa Teresa Cristina estreiou com um disco ousado: um tributo à obra do nobre portelense.

No Rio de Janeiro, a Lapa é um tipo de universidade do samba. Novos artistas surgem ou desaparecem nas vielas e bares do bairro. Teresa Cristina é criada, graduada, pós-graduada e mestra na Lapa. Com talento e sensibilidade, ela abraçou a obra de Paulinho como quem tem a certeza de que estava com a oportunidade da sua vida. Ao lado do fiel Grupo Semente (também originário do centro do Rio), Teresa cria no álbum duplo "A Música de Paulinho da Viola" uma homenagem à altura do mestre.

Teresa achou o ponto certo para ser uma versão de saias de Paulinho. Até vascaína ela é. O repertório também foi corretíssimo. Além das imortais "Meu Mundo É Hoje", "Pecado Capital", "Para Ver as Meninas", "Guardei Minha Viola", "Argumento" e "Coração Leviano", a cantora e sua banda resgataram chorinhos deliciosos como "Inesquecível". No fim das contas, vejo "A Música de Paulinho da Viola" como o encontro das criações de um ícone da nossa música com a sensibilidade de um talento real da MPB.

A faixa que mais ouvi neste disco
Adoro "Para Ver as Meninas", que ainda conta com a participação luxuosa do grupo Época de Ouro.

Presepada musical ou uma pequena curiosidade
Um dia, entrevistei Teresa e tietei. Meu disco tem um autógrafo da moça que diz assim: "Douglas, que a música possa trazer à tona um pouco mais de paz e alegria. Um grande abraço. Teresa Cristina".
Teresa não gravou "Dança da Solidão". Segundo ela, Marisa Monte interpretou a versão definitiva desta canção.

Um pedacinho do disco